Cidades

MEIO AMBIENTE

Um ano após Lei do Pantanal, MS busca recursos para financiar preservação

Fundo Clima Pantanal ainda não conseguiu nenhum financiamento de fora e conta apenas com o valor doado pelo Estado

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A Lei Estadual nº 6.160/2023, conhecida como Lei do Pantanal, foi sancionada em dezembro do ano passado, após aprovação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). A legislação também trouxe em seu texto a criação do Fundo Clima Pantanal, ferramenta com o objetivo de financiar a preservação do bioma. Porém, quase um ano depois, o desafio ainda é atrair parceiros para investir na plataforma.

Em sua criação, o Fundo Clima Pantanal recebeu investimento inicial, feito pelo governo do Estado, no valor de R$ 50 milhões, que segue como o único depósito na conta do fundo.

Segundo Artur Henrique Leite Falcette, secretário-executivo de Meio Ambiente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o desafio tem sido conseguir empresas e governos interessados em investir.

Apesar de boas sinalizações, como as de duas multinacionais ligadas à cadeia da produção pecuária, uma organização não governamental (ONG) ligada ao meio ambiente e uma conversa com o governo da Noruega, nenhum valor foi efetivamente pactuado.

“Esse tipo de negociação não é rápido e também não é fácil, depende de recursos que precisam de anuência do governo federal, mas estamos otimistas para que, em 2025, possamos conseguir mais recursos para o Fundo e ampliar o escopo dos atendidos pelo PSA [Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais] do Pantanal”, declarou Falcette ao Correio do Estado.

O PSA tinha a previsão de ser publicado neste ano, mas, agora, o documento só deverá iniciar as inscrições a partir de 2025. Mesmo sem um valor vultuoso, o Fundo Clima Pantanal vai iniciar os pagamentos, segundo Falcette, com o valor presente hoje em caixa.

“A gente vai atender até onde tiver recurso, vai ser como uma lista de classificados, os primeiros vão recebendo e os outros inscritos vão sendo beneficiados conforme houver mais adesão de parceiros”, explicou o secretário-executivo.

CONSELHO DE NOTÁVEIS

Dentro das medidas para alavancar o Fundo Clima Pantanal, o governo do Estado instituiu um conselho deliberativo dentro do Fórum Sul-Mato-Grossense de Mudanças Climáticas, promovido ontem. Entre os nomes estão quatro membros notáveis convidados pelo Estado. A ideia é usar a influência e o conhecimento dessas pessoas para chegar a governos e instituições que costumam destinar recursos para a preservação ambiental.

“Este será um conselho consultivo, em que vão ser discutidos os próximos passos a serem dados. Eles são uma combinação de pessoas que têm imagem conhecida e que representam diferentes setores”, afirmou Falcette.

Os quatro notáveis são: Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente (2010 a 2016) durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, a doutora em Governança Climática Natália Braga Renteria, que é uma das pessoas mais qualificadas para falar sobre o mercado de carbono, o doutor e mestre em Direito pela Universidade de Harvard Daniel Barcelos Vargas e o professor indígena da etnia guarani-nhandeva Cajetano Vera.

“A ex-ministra Izabella vai trazer uma interlocução com o governo federal e com os internacionais, vai trazer o olho do mundo para o Estado”, avaliou.
A posse do conselho de notáveis do fórum contou também com a participação do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), e do titular da Semadesc, Jaime Verruck. Ambos participaram da primeira mesa de discussão do evento, ao lado de Natália Braga Renteria e Daniel Barcelos Vargas.

“O Fórum de Mudanças Climáticas traz uma série de políticas públicas para que a gente garanta esse desenvolvimento sustentável. E de maneira objetiva, calçado na ciência, no conhecimento”, afirmou o governador do Estado.

COP30

Ainda segundo o secretário-executivo de Meio Ambiente, para 2025, outro foco será na apresentação do Pantanal Sul-Mato-Grossense na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).

A Semadesc entende que o evento, que será realizado em novembro do ano que vem, será a chance de dar mais notoriedade para o Pantanal, já que muitos países sabem pouco ou nada sobre o bioma.

“A discussão tem sido muito centralizada na Amazônia, mas queremos mostrar que o Pantanal tem relevância e estamos montando uma agenda propositiva. Nós sabemos que, em área, a Amazônia é muito maior que o Pantanal, mas nós temos o bioma mais preservado do mundo, e isso é importante de ser destacado”, apontou Falcette.

FINANCIADORES

Matéria do Correio do Estado publicada neste mês mostrou que Mato Grosso do Sul negocia com o governo da Noruega para que ele seja um dos doadores do Fundo Clima Pantanal.

No fim do mês passado, foram feitas reuniões com o governo norueguês, que mostrou interesse na iniciativa, já que o país europeu conta com muitos recursos para essa finalidade.

A sinalização é animadora, pois o governo norueguês é o maior financiador do Fundo Amazônia. Conforme o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é o gestor do fundo, o primeiro acordo de doação assinado com a Noruega ocorreu em 2009. Desde então, o país permanece sendo o maior doador, com recursos que superam R$ 3 bilhões.

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CAMPO GRANDE

Idosa é feita refém dentro de casa e suspeito morre após confronto com a PM

Suspeito reagiu e tentou atacar os militares, sendo atingido por disparos, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos

18/03/2026 09h15

Suspeito reagiu e tentou atacar os militares, sendo atingido por disparos

Suspeito reagiu e tentou atacar os militares, sendo atingido por disparos Batalhão de Choque

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Uma idosa de 80 anos foi mantida refém dentro de casa na noite desta terça-feira (17), no bairro Jardim Tijuca, em Campo Grande. A ocorrência terminou com a morte do suspeito após intervenção policial.

De acordo com as informações, a situação foi inicialmente comunicada como cárcere privado. O neto da vítima acionou as autoridades ao perceber que a avó estava sob ameaça dentro da residência, localizada na Rua Cabo Verde.

O suspeito, identificado como Emilson Rodrigues da Costa, de 55 anos, teria invadido o imóvel por motivos ainda desconhecidos. A relação dele com a idosa não foi informada até o momento.

Durante a ação, o homem esfaqueou o padrasto, que ficou ferido. Não há detalhes atualizados sobre o estado de saúde da vítima.

Equipes policiais foram mobilizadas e realizaram uma incursão tática na casa, com uso de escudo balístico, enquanto outra guarnição fez o isolamento da área para garantir a segurança no entorno.

Até que no momento da abordagem, o suspeito reagiu e tentou atacar os militares, sendo atingido por disparos. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda conforme a ocorrência, Emilson estava foragido do sistema prisional. O caso segue sob investigação para esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime.

Mortes já chegam a 20

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul apontam que, até às 23h59 desta terça-feira (16), 20 pessoas haviam morrido em decorrência de intervenções de agentes do Estado em 2026. Somente ontem, ao menos quatro novas mortes foram registradas em ocorrências distintas, elevando o total extraoficial para 20 casos em pouco mais de dois meses e meio.

As mortes ocorreram, em sua maioria, durante confrontos entre suspeitos e forças de segurança, geralmente após reações armadas contra abordagens policiais. Esse tipo de registro é classificado oficialmente como “morte por intervenção legal de agente do Estado”, quando há entendimento de que os policiais agiram em legítima defesa ou para conter uma ameaça iminente.

Do total de vítimas neste ano, 16 são homens e há ao menos quatro casos em que a identificação completa não foi informada. Em relação à faixa etária, os dados indicam dois idosos, nove adultos, cinco jovens e um adolescente entre os mortos, evidenciando que a violência atinge diferentes perfis. As ocorrências se concentram no início do ano, com oito casos registrados em janeiro, cinco em fevereiro e sete somente na primeira quinzena de março.

No mesmo período do ano passado, entre janeiro e março, também foram contabilizadas 20 mortes desse tipo em Mato Grosso do Sul. Os números reforçam o cenário de confrontos recorrentes envolvendo forças policiais e suspeitos, especialmente em ações relacionadas ao combate ao crime organizado e a ocorrências com uso de armas de fogo.

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Descaminho

Camelódromo tem bancas interditadas após operação contra contrabando

Mercadorias foram apreendidas e boxes interditados durante investigação de esquema que pode contar com participação de agentes de segurança pública

18/03/2026 08h44

Crédito: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Durante operação contra contrabando que revelou a participação de agentes de segurança pública do Estado, quatro boxes do Camelódromo e uma sala no piso superior foram interditados.

Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (18), a Polícia Federal (PF), em parceria com a Receita Federal, interditou o entorno do Camelódromo e iniciou a retirada de produtos oriundos de descaminho.

Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes (Camelódromo), Narciso Soares dos Santos, confirmou a interdição dos locais e a retirada de produtos.

“De um box estão recolhendo todos os produtos; de outros dois levaram apenas a maquininha [de cartão] e celulares de uso dos comerciantes. São quatro boxes. [Os policiais] falaram que foi uma operação pontual, fruto de investigação com mandado de busca e apreensão”, informou o presidente.

Após a apreensão dos produtos e a interdição do espaço alvo da operação, as faixas que impediam a circulação foram retiradas e os lojistas puderam entrar novamente. Segundo Narciso, o funcionamento seguirá normalmente durante o dia.

“A ação foi apenas em quatro boxes. O Camelódromo está abrindo normalmente, vamos trabalhar normalmente”, pontuou o presidente.

Ação

A Operação Judas Iscariotes cumpriu mandados de busca e apreensão em residências, em duas delegacias da Polícia Civil e no Camelódromo de Campo Grande, com o objetivo de desarticular um grupo que facilitava a entrada de mercadorias contrabandeadas.

Durante a investigação, foi identificada a participação de agentes de segurança pública de Mato Grosso do Sul, aposentados e da ativa, que agiam em diversas frentes, aproveitando-se da influência dos cargos tanto para vazar informações sigilosas quanto para auxiliar no transporte das mercadorias.

A ação ocorreu simultaneamente a operações em outras unidades da federação. Um dos principais destinos das mercadorias, após atravessarem a fronteira, era o estado de Minas Gerais (MG).

O grupo utilizava veículos modificados para esconder a carga de produtos contrabandeados, em uma tentativa de ludibriar eventuais fiscalizações.

Os nomes dos alvos da operação não foram divulgados.

Com autorização do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu as seguintes medidas cautelares:

  • 31 mandados de busca e apreensão;
  • 4 mandados de prisão preventiva;
  • 1 mandado de monitoração eletrônica;
  • 2 afastamentos de funções públicas;
  • 6 suspensões de porte ou posse de arma de fogo;
  • indisponibilidade de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, no valor de R$ 40 milhões, incluindo:
  • sequestro de ao menos 10 imóveis;
  • sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos;
  • suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas.

Ao todo, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais, nas cidades de Campo Grande (MS), Dourados (MS), Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).

A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

 

 

 

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