Cidades

"Omissão"

Unimed se recusa a bancar equoterapia a criança autista

Ministério Público investiga omissão e possíveis danos causados pela falta do tratamento ao menino de 6 anos

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Em julho do ano passado, a mãe de uma criança de 6 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) que o plano de saúde da Unimed Campo Grande estava recusando tratamento para seu filho.

Segundo a mãe, a neuropediatra da criança indicou tratamento de Equoterapia, um método que utiliza cavalos para promover ganhos em nível físico e psíquico aos pacientes, comum em casos de TEA e outras condições/doenças que envolvam comprometimentos motores, mentais e sociais.

Ela acrescenta ainda que outras mães também relataram o mesmo problema, e afirmou que não concorda com a posição do plano de saúde.

O MPMS instaurou Procedimento Preparatório para apurar o caso, e procurou pela Unimed, que argumentou que o tratamento não estava previsto no rol de procedimentos e eventos em saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar, já que levava em consideração o regulamento vigente no momento em que o plano foi contratado.

Além disso, a empresa contratada alega que a Equoterapia é um procedimento de maior infraestrutura, o que dificulta a realização.

"O procedimento Equoterapia não consta no Rol vigente e, portanto, não possui cobertura obrigatória pelos planos privados de assistência à saúde, em virtude das características conceituais intrínsecas e diferenciadas de materiais, instrumentais e infraestrutura de porte, o que distancia tal abordagem dos manejos, métodos e técnicas passiveis de serem realizados em consultório, de forma ambulatorial. Desse modo, resta demonstrado que a conduta da Unimed Campo Grande está em conformidade com o contrato firmado entre as partes, bem como com as disposições legais vigentes", disse a Unimed.

A justificativa não foi aceita pelo Ministério Público, que considerou que "fica evidente a omissão por parte da empresa contratada e seu ulterior dano à parte contratante", e converteu o Procedimento Preparatório em Inquérito Civil, para investigar os danos causados pela recusa do tratamento à criança. 

O promotor menciona ainda que a empresa contratada não teve interesse na composição amigável, através da assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, o que demonstra "que a prática danosa à coletividade lhe é usual".

Saiba: a Equoterapia foi regulamentada na Lei Nº 13.830, de 13 de maio de 2019.

Prática usual

No início deste mês, o Correio do Estado denunciou o aumento de 1.474,2% na mensalidade do plano Unimed da mãe de uma criança autista na Capital.

A contratante entrou com processo, através da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, depois do valor pago sair de R$ 245,40 para R$ 3.863,21 em um mês. 

Segundo a promotora, a cobrança extra era referente à terapia método ABA, de quatro meses anteriores, tratamento que deveria constar na cobertura do plano.

Casos

Dados do Núcleo dos Direitos do Consumidor, da Defensoria Pública de MS, apontam que até junho deste ano, 190 atendimentos foram realizados em Campo Grande, contra planos de saúde. No ano passado, o total foi de 386 casos e em 2022, o número de atendimentos foi de 300 casos. 

Ao todo, dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que até outubro de 2023, 4.066 processos foram registrados contra planos de saúde no Estado, cerca de 13 por dia.

O principal motivo que levou os sul-mato-grossense para a Justiça foi a solicitação de tratamento médico-hospitalar, que somou 2.220 ações. 

Os demais processos foram: 987 para fornecimento de medicamentos, 478 para fornecimento de insumos e 381 devido a reajustes contratuais. 

Equoterapia

A equoterapia, ou terapia assistida, por cavalos é um método terapêutico que utiliza o cavalo por meio de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais.

É uma forma de reabilitação baseada na neurofisiologia tendo como base os padrões de movimentos rítmicos e repetitivos da marcha do cavalo. Ao caminhar, o centro de gravidade do cavalo é deslocado tridimensionalmente, resultando em um movimento similar ao da marcha humana com movimentos alternados dos membros superiores e da pelve.

Durante as sessões de Equoterapia ocorre integração sensorial entre os sistemas visual, vestibular e proprioceptivo e envio de estímulos específicos às áreas correspondentes no córtex, gerando alterações e reorganização do Sistema Nervoso Central e, consequentemente, ajustes posturais e padrões de movimentos mais apropriados e eficientes.

A aquisição de maior mobilidade da pelve, coluna, adequação do tônus, maior simetria e melhor controle da cabeça e tronco podem explicar porque crianças com Paralisia Cerebral, por exemplo, após sessões de Equoterapia, demonstram melhora na função motora global e nos parâmetros da marcha.

A Equoterapia emprega o cavalo como agente promotor de ganhos em nível físico e psíquico. Esta atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio.

A interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, o ato de montar e o manuseio final desenvolvem, ainda, novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.

Para quem é indicada?

A prática da Equoterapia objetiva benefícios físicos, psíquicos, educacionais e sociais de pessoas com deficiências físicas ou mentais e/ou com necessidades especiais, e está indicada para os seguintes quadros clínicos:

  • Doenças genéticas, neurológicas, ortopédicas, musculares e clínico-metabólicas;
  • Sequelas de traumas e cirurgias;
  • Doenças mentais, distúrbios psicológicos e comportamentais;
  • Distúrbios de aprendizagem e de linguagem.

Com informações da Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde.

Colaborou: Ketlen Gomes

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Decisão Judicial

Mulher receberá R$ 10 mil após ter dados usados em anúncios de serviços sexuais

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul entendeu que a plataforma falhou ao não impedir novas publicações depois da primeira denúncia

22/09/2026 12h15

Divulgação/TJMS

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Uma plataforma digital de anúncios, foi condenada a pagar R$ 10 mil reais por danos morais a uma mulher que teve sua imagem vinculada de forma indevida em anúncios de serviços sexuais. A condenação foi obtida através da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

De acordo com o processo, a vítima teve seu nome, fotografias, telefone e endereço divulgados e utilizados, de forma indevida, em anúncios sexuais.

Segundo os autos, terceiros utilizaram os dados pessoais e imagens da moça, sem autorização para criar anúncios na plataforma. Após a publicação no site, a vítima começou a receber contatos e mensagens de pessoas que possuíam interesse na contratação de supostos serviços. 

A vítima entrou em contato com a plataforma sobre a fraude e o primeiro anúncio foi retirado, porém os novos anúncios foram feitos posteriormente, desta vez contendo seus dados. Dessa forma a vítima fez novo apelo para retirada do anúncio.

A empresa responsável por coordenar a plataforma, fez um recurso, alegando que apenas hospedava conteúdos produzidos por terceiros e que não poderia ser responsabilizada pelas publicações.

A plataforma sustentou que adotou as providências necessárias após ser comunicada sobre os anúncios, além de questionar a fundamentação da sentença e a legitimidade para responder à ação. 

Porém a relatora do caso, rejeitou os argumentos, pois a responsabilidade da plataforma não decorre de simples hospedagem de conteúdo publicado por terceiros nem da existência de um dever de monitoramento prévio de todas as publicações. 

Após tomar conhecimento inequívoco do uso fraudulento da imagem e dos dados pessoais da vítima, a plataforma deveria ter adotado medidas eficazes para impedir novas publicações. 

No entanto, a republicação dos anúncios após a primeira denúncia evidenciou que as providências adotadas foram insuficientes.

Na decisão ficou destacada que a divulgação do nome, imagem, telefone e endereço da vítima associadas à prestação de serviços sexuais, configura-se violação aos direitos da personalidade. 

A magistrada responsável pelo processo, Denize de Barros Dodero, declarou que a situação ultrapassou os limites dos meros aborrecimentos cotidianos, atingindo a privacidade e a dignidade da vítima.  

Dessa forma, foi mantida a indenização fixada em R$ 10 mil, considerada adequada diante da gravidade da ofensa, da repercussão do caso e da republicação do conteúdo na plataforma, mesmo após a primeira denúncia realizada pela vítima. 

AÇÃO HUMANITÁRIA

MS recebe 4,5 toneladas de itens básicos para vítimas de incêndios e vendavais

1,6 mil pessoas serão beneficiadas em Campo Grande e na região do Pantanal

22/09/2026 12h00

Caixas de doação para MS

Caixas de doação para MS DIVULGAÇÃO

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Mato Grosso do Sul recebeu ajuda humanitária destinada à pessoas atingidas por vendavais e incêndios nos últimos meses.

Ao todo, 364 cestas básicas e 200 kits de limpeza, que totalizam 4,5 toneladas, vão beneficiar 1.600 moradores de Campo Grande e região do Pantanal, que sofreram com temporais e queimadas em setembro e julho, respectivamente.

A carga inclui alimentos como arroz, feijão, açúcar, macarrão, vinagre, café, biscoitos e itens de higiene pessoal e de limpeza.

Em parceria com o Movimento União BR, a Latam Airlines Brasil foi a responsável por realizar o transporte gratuito através do programa Avião Solidário, iniciativa que utiliza a malha aérea para apoiar ações humanitárias, ambientais e de desenvolvimento regional.

TEMPORAL

Forte temporal atingiu Campo Grande em 10 de setembro de 2026. De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), 19,6 milímetros de chuva e rajadas de vento de 87 km/h foram registrados.

O vendaval causou diversos estragos nas sete regiões da Capital:

  • Queda de árvores em todas as sete regiões de Campo Grande
  • Interdição de avenidas/vias obstruídas
  • Queda de árvores em cima de carros
  • Queda de postes de energia
  • Alagamento de ruas
  • Cancelamento de aulas na Rede Municipal de Ensino (Reme)
  • Queda de energia em dezenas de bairros por vários dias consecutivos
  • Abertura de buracos e crateras nas ruas
  • Semáforos desligados
  • Queda do painel do Fort Atacadista na avenida Ernesto Geisel
  • Desabamento do teto da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário
  • Destelhamento do Armazém Cultural, na avenida Calógeras
  • Explosão de parede de vidro em academia no bairro Universitário
  • Sujeira e lixo nas ruas: galhos, folhas, latas, garrafas, copos plásticos, entre outros diversos objetos
  • Não houve vítimas fatais.

INCÊNDIO

Queimadas atingiram a região do Pantanal (Pantanal de Otuquis, região de Corumbá-Forte Coimbra) na segunda quinzena de julho de 2026.

Na época, o fogo chegou bem próximo a fronteira com a Bolívia.

As chamas afetaram a população da região e causou impactos sobre a fauna, flora e a qualidade do ar.

A proximidade dos incêndios com áreas habitadas e com a fronteira internacional exigiu atenção e combate intenso dos bombeiros.

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