Estado já soma 6.360 casos confirmados da doença, 21 mortes registradas e outros dois óbitos em investigação; Dourados concentra quase metade dos casos
Mato Grosso do Sul confirmou a 21ª morte por chikungunya em 2026, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) no Boletim Epidemiológico referente à 20ª Semana Epidemiológica.
A nova vítima confirmada nesta sexta-feira (29) representa o primeiro óbito por chikungunya registrado em Itaporã em 2026. Trata-se de um homem de 50 anos que apresentou coinfecção por influenza e chikungunya, condição em que o paciente é infectado simultaneamente pelos dois vírus.
O paciente também possuía comorbidades, entre elas doença cardiovascular crônica, imunodeficiência/imunossupressão e histórico de tabagismo.
O Estado já acumula 12.811 casos prováveis da doença, dos quais 6.360 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Além dos 21 óbitos confirmados, outros dois seguem em investigação. O avanço da doença mantém o alerta das autoridades sanitárias, principalmente em municípios que registram alta incidência de casos e aumento da circulação do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
De acordo com o boletim, as mortes ocorreram nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã. Entre as vítimas fatais, 12 apresentavam algum tipo de comorbidade, fator que pode agravar o quadro clínico da doença.
Dourados lidera número de casos
Dourados segue como o principal epicentro da chikungunya no Estado. O município concentra 3.112 casos confirmados, praticamente metade de todos os registros contabilizados em Mato Grosso do Sul.
Na sequência aparecem:
- Fátima do Sul: 588 casos;
- Jardim: 345 casos;
- Sete Quedas: 278 casos;
- Corumbá: 222 casos;
- Batayporã: 197 casos;
- Bonito: 183 casos;
- Aquidauana: 163 casos;
- Paraíso das Águas: 156 casos;
- Amambai: 155 casos.
Embora Dourados lidere em números absolutos, alguns municípios apresentam taxas de incidência ainda mais elevadas quando considerada a população local.
Municípios com maior incidência
O ranking estadual de incidência de casos prováveis é liderado por Douradina, com 4.464 casos por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem:
- Douradina - 4.464 casos por 100 mil habitantes;
- Paraíso das Águas - 3.103,4;
- Fátima do Sul - 3.047,2;
- Batayporã - 2.875,3;
- Sete Quedas - 2.737,9;
- Dourados - 2.379,1.
Os índices são considerados elevados e demonstram a intensidade da transmissão em diversas regiões do Estado.
Casos em gestantes preocupam
Outro dado que chama atenção é o registro de 80 casos confirmados de chikungunya em gestantes. Metade das ocorrências foi identificada em mulheres no segundo trimestre de gravidez.
Dourados concentra 50 dos 80 casos registrados entre gestantes, seguido por Corumbá e Fátima do Sul, com quatro casos cada.
A infecção durante a gestação exige acompanhamento médico rigoroso devido aos riscos de complicações para mãe e bebê, especialmente quando a doença ocorre próximo ao parto.
Número de mortes supera todo o histórico recente
A série histórica apresentada pela SES mostra que 2026 já é o ano com maior número de mortes por chikungunya desde o início do monitoramento da doença no Estado.
Foram registrados:
- 1 óbito em 2015;
- 3 em 2018;
- 3 em 2023;
- 1 em 2024;
- 17 em 2025;
- 21 em 2026.
O número atual já supera o total registrado em todo o ano passado, quando Mato Grosso do Sul contabilizou 17 mortes pela doença.
Casos apresentam tendência de queda
Apesar da elevada quantidade de notificações acumuladas, o boletim aponta redução no número de casos confirmados nas últimas semanas epidemiológicas.
Após atingir pico de 796 confirmações na Semana Epidemiológica 12, os registros passaram a apresentar tendência de desaceleração. Na Semana Epidemiológica 20 foram contabilizados 39 novos casos confirmados.
As autoridades de saúde reforçam a necessidade de eliminar criadouros do mosquito, principal medida para conter a transmissão da chikungunya, dengue e zika.
Também orientam que pessoas com sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e manchas pelo corpo procurem atendimento médico para diagnóstico e acompanhamento adequado.
Dourados revogou o decreto de calamidade
A Prefeitura de Dourados revogou o decreto de calamidade em saúde pública decretado durante o avanço da epidemia de Chikungunya no município.
A medida foi oficializada nesta quarta-feira (27) pelo prefeito Marçal Filho, após a redução sustentada no número de notificações da doença, internações e focos do mosquito Aedes aegypti registrados nas últimas semanas.
A decisão foi publicada por meio do Decreto nº 690, que revoga o Decreto nº 638, editado em 20 de abril de 2026, quando o município enfrentava o período mais crítico da epidemia.
Apesar do fim da calamidade pública, o decreto de emergência em saúde pública, instituído em março deste ano, permanece em vigor.
Segundo a prefeitura, a revogação ocorreu após avaliação técnica do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), força-tarefa criada para coordenar o enfrentamento da doença tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana de Dourados.
Em reunião realizada no último dia 21 de maio, os integrantes do COE concluíram que o cenário epidemiológico atual já não justificava a manutenção da calamidade pública.
O grupo reúne representantes do Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), Conselho Municipal de Saúde e órgãos das Defesas Civis municipal, estadual e federal.