Cidades

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Voepass recebeu benefícios fiscais e acumula mais de R$ 20 milhões em multas

Empresa possui uma dívida ativa superior a R$ 25 milhões com o estado de São Paulo

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A Voepass, a companhia aérea responsável pelo avião que caiu em Vinhedo (SP) no último dia 9, foi beneficiada por aproximadamente R$ 21 milhões em renúncias fiscais durante a pandemia. Além disso, a empresa acumula multas milionárias por falta de assistência a passageiros e atrasos no pagamento de tarifas aeroportuárias, ocorridas quando ainda operava sob o nome Passaredo.

Dados públicos da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) indicam que a Voepass possui uma dívida ativa superior a R$ 25 milhões com o estado. Esse montante está registrado no CNPJ da Passaredo, o antigo nome da companhia.

A maior parte dessa dívida está associada a infrações registradas pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) em 2012, quando a empresa atrasou o pagamento de tarifas aeroportuárias nos terminais de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, ambos no interior de São Paulo.

Adicionalmente, a Voepass deve quase R$ 3 milhões em multas aplicadas pelo Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor). Essas multas, emitidas em 2009, 2015 e 2017, estão relacionadas a falhas como a falta de informações para pessoas com deficiência no site da empresa, a ausência de assistência material após atrasos de voos, e a falta de comunicação sobre as causas desses atrasos.

Em resposta, a Voepass afirmou que os valores pendentes com o Daesp e o Procon estão incluídos no processo de recuperação judicial que a companhia enfrentou entre 2012 e 2017, período em que ainda operava como Passaredo.

De acordo com a PGE-SP, o restante da dívida ativa da empresa no estado de São Paulo é decorrente do não pagamento de impostos e taxas judiciárias, valores que ainda não foram quitados e, por isso, constam na dívida ativa.

Além disso, o Portal da Transparência revela que a Voepass foi beneficiada com cerca de R$ 21 milhões em renúncias fiscais durante a pandemia de Covid-19, relacionados a tributos como Imposto de Importação e PIS/Cofins. Esse valor é relativamente modesto se comparado a outras companhias aéreas brasileiras. No mesmo período, por exemplo, a Gol recebeu mais de R$ 1,8 bilhão em renúncias fiscais, enquanto a Latam foi beneficiada com quase R$ 3,8 bilhões em 2021.

A Voepass justificou as isenções fiscais como parte de políticas públicas de incentivo à aviação.

A empresa também enfrenta queixas trabalhistas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que, após o acidente deste mês, duas denúncias foram protocoladas contra a Voepass/Passaredo, relacionadas a possíveis irregularidades nas condições e na jornada de trabalho.

Atualmente, existem três processos ativos contra a Voepass no MPT. Um deles investiga o acidente do voo 2238, que resultou na morte de quatro tripulantes em Vinhedo (SP). Outro analisa as condições de trabalho na sede da empresa em Ribeirão Preto (SP). O terceiro processo avalia o possível descumprimento da cota de pessoas com deficiência.

Desde 1999, a Passaredo/Voepass acumulou 160 denúncias trabalhistas. A companhia foi condenada em quatro ações civis públicas, totalizando cerca de R$ 2,7 milhões em verbas trabalhistas e benefícios não pagos.

Em 2018, a empresa assinou um acordo judicial comprometendo-se a cumprir obrigações trabalhistas, como respeitar o limite legal de horas extras diárias e garantir intervalos para repouso ou alimentação.

Atualmente, a Voepass é a quarta maior companhia aérea do Brasil em participação de mercado. Anteriormente conhecida como Passaredo, a empresa adquiriu 100% do controle societário da MAP Linhas Aéreas em agosto de 2019, buscando expandir suas operações no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

De acordo com os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Voepass detinha cerca de 0,6% de participação no mercado aéreo brasileiro em junho deste ano, ficando atrás das principais companhias do setor — Azul, Latam e Gol — que juntas representam mais de 99% da demanda de mercado.

RAIO-X DA VOEPASS
- Nome anterior: Passaredo
- Fundação: 1995 (como Passaredo)
- Sede: Ribeirão Preto (SP)
- Participação no mercado aéreo brasileiro: 0,6%
- Frota: aviões ATR, nos modelos 72-500, 72-600 e 42-500

Folha Press

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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