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Grupo de rap indígena de MS, Brô MCs são citados em questão do Enem

Questão fala sobre o movimento rap dos povos originários e cita a trajetória do grupo, primeiro indígena do Brasil no gênero

O grupo de rap indígena de Mato Grosso do Sul, Brô MC's, foi citado em uma das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nas provas aplicadas neste domingo (5).

Os artistas compartilharam a questão nas redes sociais, com a legenda “demarcando o Enem”.

O enunciado da questão relembra a trajetória do grupo, que foi o primeiro indígena de rap do País e se formou em Dourados. Confira:

“O mais antigo grupo de rap indígena do país, Brô MCs, surgiu em 2009, na aldeia Jaguapiru, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Os integrantes conheceram o rap pelo rádio, ouvindo um programa que apresentava camtores e grupos brasileiros desse gênero musical. O Brô MCs conseguiu influenciar outros a fazerem rap e lutarem pelas causas indígenas. Um dos nomes do movimento, Kunumi MC, é um jovem de 16 anos, da aldeia Krukutu, em São Paulo, e começou a fazer rimas quando percebeu que a poesia, pela qual sempre se interessou, podia virar música. Nas letras que cria, inspiradas tanto pelo rap quanto pelos ritmos indígenas, tenta incluir sempre assuntos aos quais acha importante dar voz, principalmente, a questão da demarcação de terras”.

Na sequência, a questão é sobre o que revela o movimento rap dos povos originários do Brasil, com cinco alternativas.

No Instagram, dezenas de comentários exaltaram a visibilidade tanto ao grupo quanto às questões indígenas destacadas no Enem.

Questão do Enem cita a trajetória do Brô MCsEscreva a legenda aqui

Brô MCs

Como destaca a questão do Enem, a trajetória do Brô MCs começou em 2009. Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin e Charlie Peixoto são os quatro integrantes.

Em entrevista concedida ao Correio do Estado pelo grupo no ano passado, o grupo destacou que o caminho até o reconhecimento foi de altos e baixos, com algumas divergências e alguns membros chegando a pensar em desistir, principalmente porque, no início, a banda ficava meses sem realizar shows.

Um dos diferenciais do Brô e o fato da música retratar a realidade dos povos originários e ser cantada na língua de origem.

Ao longo do tempo, o grupo foi ganhando destaque e chegou a se apresentar no Rock in Rio em 2022, além de já terem gravado dois CDs.

Além da música, o quarteto estrelou a série “Gualteka” (2016), que mostra o cotidiano de suas aldeias, e participaram do elenco de apoio do longa-metragem “Terra Vermelha”, (2008), exibido em Cannes. 

O grupo também com o DJ Alok.

“É mais difícil para quem leva a bandeira do movimento indígena, que é nosso caso. A gente vê que os espaços são mais abertos para quem é do sertanejo, mas o Brô MC’s não abaixou a cabeça para isso. O Brô MC’s tipo falou ‘não, vamos quebrar essa corrente aí, mano’ e quebramos essa corrente e hoje a gente está aí, entendeu, mostrando o nosso trabalho, a nossa cultura, a nossa língua, a nossa realidade. Como espelho para as outras molecadas. Isso é que é muito louco”, avaliou Clemerson Batista às vésperas do show no Rock in Rio.

Enem

Neste domingo, foi aplicada a primeira prova do Enem. Os candidatos tiveram que responder a 90 questões das provas de linguagens e ciências humanas e fazer uma redação com o tema "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil".

A prova deste ano, a primeira sob o comando do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi elogiada por educadores.

Depois de três anos, o Enem voltou a trazer questões sobre a ditadura militar e abordou temas como desigualdade de gênero, envelhecimento da população, história da Palestina, migração de judeus para o Brasil e racismo.

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