Correio B

RAP INDÍGENA

De MS para o mundo, Brô Mc’s se apresenta nesta semana no Rock in Rio

Primeiro grupo de rap indígena do Brasil, com 13 anos de carreira, começará a realizar shows internacionais ainda neste ano

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Brô Mc’s, primeiro  grupo de rap indígena do Brasil, originários de Mato Grosso do Sul e com integrantes do povo Guarani Kaiowá, irão cantar no Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo. O show do grupo acontece no sábado (03), no palco Sunset.

Na manhã de hoje (1º), o grupo embarcou no Aeroporto Internacional de Campo Grande rumo ao Rio de Janeiro. A equipe do Correio do Estado esteve no local e conversou com eles com exclusividade.

O Brô Mc’s possui como integrantes os indígenas Ch, Bruno Vn, Tio Creb e Kelvin Mbaretê. Eles residem nas aldeias Bororo e Jaguapiru, localizadas na região de Dourados, interior do Estado, a 235 quilômetros da Capital.

Diante das preparações para a participação de um evento assistido por pessoas de todo o mundo, o grupo destaca que é uma grande honra chegar em tal lugar, tendo a chance de representar os povos indígenas, destacando, por meio da arte, suas lutas diárias.

“A gente está lá não só como grupo, mas como comunidade indígena, que está com a gente, entendeu? É um jeito de levar e representar a nossa cultura, a nossa língua, a nossa origem”, ressaltaram.

Representatividade 

Segundo o grupo, eles buscam, por meio da música, mostrar para pessoas não indígenas sua versão da história e realidade vivida.

“A gente vai estar levando a cultura indígena no evento tão grande assim representando o nosso estado. Então a gente vai estar representando todos os indígenas lá em cima e mostrando pra galera que o indígena pode estar em qualquer lugar demarcando espaço”, explicam.

Eles destacam que, aqui no Estado, ainda enfrentam muito preconceito, tanto por serem indígenas, quanto por cantarem rap.

Sobretudo, o grupo tem recebido mais atenção e reconhecimento fora de nosso Estado, local de origem deles.

“Vamos estar no Rock in Rio e a gente vai estar quebrando essa corrente que existe no meio entre nós e o não indígena, para que possa quebrar esse preconceito que ainda existe né?”, destacam.

Para o Brô Mc’s, é muito importante contar a história verdadeira sobre seus povos, por meio da música.

“A gente espera que possa levar e mostrar para os não indígenas que o que eles estão fazendo é errado, entendeu? Negócio de racismo, preconceito. Indígena também pode chegar onde a gente está chegando agora”.

Parceria com Xamã

O Brô Mc’s vai subir ao palco do Rock in Rio a convite de Xamã, o qual é rapper, cantor e ator brasileiro. Em 2022 se tornou o cantor brasileiro com mais ouvintes mensais no Spotify.

Eles explicam que essa parceria surgiu a partir do trabalho deles, que, inclusive, serviu de inspiração para a carreira de Xamã. O Brô Mc’s já tem uma carreira que está em andamento há 13 anos.

“Acho que aquela sementinha que a gente plantou lá há tempos atrás está dando resultado, né? É uma parada que eu acho que é o universo, nossa ancestralidade que está a nossa volta fazendo tudo acontecer naturalmente”, disseram.

Comunidade

Segundo o grupo, toda comunidade deles está na expectativa para participação deles. “A nossa família tá tipo totalmente feliz, né, com a gente, porque a gente vai tá lá tocando no Rock in Rio”.

“Eles querem ver na televisão e tal, tipo, vão assistir só um pedacinho porque a TV sempre mostra aos pedaços, né?”. Mesmo com as dificuldades para que possam acompanhar o show, eles sabem que a família estará com eles em todo o momento. 

Origem

Das aldeias Jaguapiru e Bororo, que ficam na cidade de Dourados, eles misturam português e guarani para falar de seu cotidiano.

O grupo de rap, com quatro indígenas Guarani Kaiowá, precisou ignorar preconceitos de dentro e de fora da comunidade, por cantaram um estilo considerando, muitas vezes, inapropriado.

No Brasil, o rap ganhou força nos anos 1990, e seu nome é uma sigla para a expressão em inglês “Rhythm And Poetry”, o que traduzindo significa “Ritmo e Poesia”.

O rap costuma ser usado para expressar sentimentos e opiniões, bem como para defender ideais e lutas.

Rock in Rio

O Rock in Rio é um festival de música idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina pela primeira vez em 1985. É reconhecido como um dos maiores festivais musicais do planeta. Foi originalmente organizado no Rio de Janeiro, de onde vem o nome.

 

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

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No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

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