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NOVELA

A simples nostalgia de Sérgio Guizé

Intérprete do ingênuo Candinho, o ator comemora reprise e exalta mensagem de esperança de “Êta Mundo Bom”
04/06/2020 19:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Sérgio Guizé vem praticando o isolamento desde muito antes da pandemia de coronavírus. É no sítio comprado, em 2018, na pequena Angatuba, interior de São Paulo, que o ator se refugia entre um trabalho e outro. E é de lá que ele e sua esposa, a também atriz Bianca Bin, acompanham a reprise de “Êta Mundo Bom!”, novela exibida originalmente, em 2016, e atual reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”. Na trama de Walcyr Carrasco, Guizé é o protagonista Candinho, sujeito que encara as adversidades com esperança e sonha em encontrar sua verdadeira mãe. “É a novela certa para o momento em que estamos vivendo e Candinho é um personagem muito importante para minha trajetória. Bianca também atuou na novela e estamos felizes em poder assistir juntos”, valoriza. Sem a responsabilidade de decorar textos e lidar com o volume de cenas de um papel principal, Guizé tem visto o antigo trabalho sem grandes doses de autocrítica. “Confesso que estava ansioso para rever essa história. Quando estamos gravando, o olhar é outro. Ficava mais atento ao meu desempenho e em como podia melhorar em cena. Terminava um capítulo já pensando em outro”, assume.  

O papel de Candinho foi parar nas mãos de Guizé por conta da influência do saudoso diretor Jorge Fernando, com quem trabalho dois anos antes na espiritualizada “Alto-Astral”. Aproveitando que estava reservado para a trama das seis, o ator fez questão de antecipar o processo de preparação, que começou pela óbvia leitura de “Cândido ou O Otimismo”, de Voltaire, e assistiu ao longa “Candinho”, protagonizado por Mazzaropi, obras que inspiraram Carrasco a criar a sinopse da novela, ambientada nos anos 1940. A partir dessa base, Guizé foi buscando o estofo do personagem em outras referências. “Revi vários longas do Charles Chaplin e pesquisei o cinema mudo como um todo. Além disso, também busquei coisas na minha memória afetiva. De certa forma, Candinho é uma homenagem a minha avó materna, Maria. Foi de onde tirei o sotaque, por exemplo”, assume. O trabalho foi concluído em estúdio, com as marcações e sugestões de Jorge Fernando, diretor que morreu em outubro do ano passado e de quem Guizé guarda diversos bons momentos. “Jorginho gostava de ator estudioso. Ele chegava com o texto pronto na cabeça e, se o elenco estivesse na mesma sintonia, coisas incríveis aconteciam no estúdio. Foi um trabalho feito entre o choro e o riso. Ele sabia como ninguém o que iria emocionar e divertir o público. Aprendi muito”, elogia.

Com o jeito introspectivo que lhe é peculiar, ele abre um sorriso ao lembrar do seu primeiro dia de gravações na cidade cenográfica de “Êta Mundo Bom!”. A cena em questão era o primeiro contato de Guizé com Juca, o burro que interpretou Policarpo, o melhor amigo e ouvinte do protagonista. Com liberdade para improvisar durante a sequência, o ator achou que seria uma boa ideia montar no animal. O resultado, entretanto, foi inusitado. “Queria estabelecer algum tipo de conexão com o Juca e achei que seria uma boa ideia subir nele. Depois de muito sacrifício, consegui me equilibrar, mas ele começou a rodar, e rodava cada vez mais rápido. Fiquei desesperado, olhava para a equipe com olhos arregalados, pedindo socorro, não conseguia falar e nem eles conseguiam parar de gargalhar. O Juca me olhava com um ar de decepção. No fim, a cena acabou na abertura da novela”, detalha, entre risos.

Natural de Santo André, cidade do ABC Paulista, Guizé buscou na música e na atuação uma forma de se livrar da timidez. Aos 40 anos, ele ainda mantém uma postura mais introspectiva e reservada. A estreia na televisão foi com uma pequena participação em “Da Cor do Pecado”, de 2004. Ao longo dos anos, participou de séries em canais fechados como Fox e HBO, até que, em 2011, se destacou ao viver o conturbado Breno de “Sessão de Terapia”, do GNT. Por conta desse desempenho, teve sua primeira grande chance na tevê ao ser chamado para viver o alado João Gibão no “remake” de “Saramandaia”, de 2013. A partir daí, começou uma carreira de personagens principais nos folhetins da Globo, em tramas como “Alto-Astral”, “O Outro Lado do Paraíso” e “A Dona do Pedaço”. “Demorei a me adaptar ao universo televisivo. Mas hoje posso dizer que sou muito feliz fazendo novelas e entrando na casa das pessoas”, destaca.

 

 

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!