Menos de um mês depois de fazerem o show de encerramento do festival Lollapalooza Brasil, em março deste ano, ao lado de Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Paulo Miklos e Nando Reis, membros originais do Titãs que seguem em carreira solo, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, acompanhados de Mario Fabre e Beto Lee, entraram em estúdio com mais sete convidados.
O resultado é “Titãs Microfonado”, novo projeto já disponível no canal do YouTube do selo Midas Music, em áudio Dolby Atmos, com turnê já engatilhada, ainda sem previsão de passar por Mato Grosso do Sul.
“Microfonado” é um projeto desenvolvido por Rick Bonadio, que assina a produção do trabalho com Sergio Fouad, com objetivo de despir as canções de qualquer enfeite até colocar o ouvinte “como se estivesse ao lado do artista no instante das composições dessas”. Saem amplificadores, alto-falantes e caixas de retorno, entram violões, baixo acústico e bateria, e os únicos cabos são os dos microfones que captam o som.
Além de ser uma celebração da música, do pop rock feito no País nas últimas quatro décadas, o projeto se tornou uma homenagem do Oiapoque ao Chuí “com o celeiro de talentos” convocado para fazer parte. Basta uma conferida nos estados de origem dos amigos que participaram da festa dividindo microfones com os três.
NEY, PRETA E KLEY
O início traz talvez a canção menos conhecida, com o sul-mato-grossense Ney Matogrosso em “Apocalipse Só”, do mais recente disco de estúdio do grupo, “Olho Furta-Cor”, de 2022.
Após um descer das cortinas em cavalgada roqueira, o timbre melodioso de Ney junto ao piano é a fagulha intimista que domina o restante do trabalho. “Desde o comecinho da banda eu fiquei de olho neles”, lembra Ney. E eles voltam a 1984 na sequência, em um delicioso ska em “Sonífera Ilha”, e a peteca permanece no alto.
“Como É Bom Ser Simples”, com a carioca Preta Gil como parte do quarteto, tem um recado até irônico de tão verdadeiro em seu texto: “Como é bom ser simples/E deixar tudo de lado/Para viver despreocupado/Dando adeus ao meu passado”.
“A música tem tudo a ver com meu momento”, diz Preta. “Depois de assistir a um show, quando tinha 10, 11 anos, virei tipo groupie. Aí ficamos amigos e, 30 anos depois, tivemos oportunidade de gravar juntos”, completa.
O recado da canção é mais do que direto, mas eles emendam com o primeiro single e quarta bola no ângulo – talvez não tenha música melhor para o timbre astral solar do gaúcho Vitor Kley do que o reggae “Marvin”, também de 1984. “Parece que nasci conhecendo Titãs, pelos meus pais escutarem. É uma banda que já vem no DNA. Que bom que existem os Titãs”, festeja Vitor.
RONDÔNIA E PARÁ
“A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” é outro sucesso titânico, agora com um novo timbre na voz de Branco Mello “with a little help from his friends”. De “Olho Furta-Cor”, a rondoniense vocalista da potiguar Plutão Já Foi Planeta, Cyz Mendes, carrega a delícia cantada junto ao piano em “Um Mundo”.
E do disco “Sacos Plásticos”, de 2019, a intro de bateria e a sonoridade oitentista enganam em “Porque Eu Sei que É Amor” até a melodia derreter no vocal doce da paraense Bruna Magalhães. “Eu os escutava desde os 5 anos de idade. Foi ainda mais especial porque sempre me identifiquei com essa música”, diz a cantora.
MAJOR E LENINE
A reta final de “Microfonado” traz mais um hino, mas, como é característica do grupo, nunca mofado. “Cabeça Dinossauro” carrega a fúria original do disco mais raivoso da história do grupo, nesta versão como um rap quase gangsta a cargo do carioca Major RD. “Essa música é muito importante para mim, além de eu gostar muito de misturar gêneros”, conta o rapper.
E o laço final do pacote é dado pelo pernambucano Lenine na ode ao baiano que batiza a música, “Raul”. “Eu já os conheci no palco, em um show no Rio. Estavam cantando ‘Sonífera Ilha’ e foi um impacto grande”, lembra o artista.