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A Dra. em psicologia Vanessa Abdo, fala sobre se reorganizar e o julgamento constante
28/02/2026 18h00
Coluna Desatando Nós: Ser mulher: cada fase um nó Foto: Divulgação
A vida da mulher é marcada por fases que não são apenas biológicas — são profundamente emocionais e sociais. Da primeira menstruação à menopausa, passando pela gestação e pelo pós-parto, o corpo muda, a identidade se reorganiza e, quase sempre, surge um elemento constante: o julgamento.
A primeira menstruação, que poderia ser vivida como um marco de amadurecimento e cuidado, muitas vezes chega acompanhada de vergonha, silêncio e desinformação. Meninas aprendem cedo a esconder o corpo, a sentir constrangimento por processos naturais e a lidar com expectativas que ainda nem conseguem compreender.
Na gravidez, o julgamento muda de forma, mas não de intensidade. A mulher passa a ser observada em suas escolhas, no corpo que transforma, na forma como vive a gestação e até na maneira como sente. Há palpites sobre parto, amamentação, trabalho, vínculo e comportamento. A experiência que deveria ser singular torna-se, frequentemente, um território de cobranças externas.
O pós-parto talvez seja um dos períodos mais vulneráveis e, paradoxalmente, mais romantizados. Espera-se felicidade constante, gratidão plena e adaptação imediata. Pouco se fala sobre ambivalência, exaustão, solidão e luto pela identidade anterior. Quando essas emoções aparecem, muitas mulheres se sentem inadequadas, como se estivessem falhando em um roteiro que nunca escreveram.
Na menopausa, o julgamento se manifesta por meio do apagamento. A mulher passa a lidar com mudanças físicas e emocionais enquanto a sociedade insiste em associar valor feminino à juventude e à produtividade estética. Sintomas são minimizados, dores são silenciadas e a maturidade, em vez de ser reconhecida como potência, muitas vezes é tratada como perda.
Em todas essas fases, o que mais impacta não são apenas as transformações do corpo, mas a pressão para vivê-las de maneira “correta”. Existe um ideal de mulher que atravessa gerações — equilibrada, disponível, feliz e resiliente — que desconsidera a complexidade de cada experiência.
Talvez o maior cuidado em saúde mental seja permitir que cada mulher viva suas fases com menos comparação e mais acolhimento. Sem roteiros rígidos, sem desempenho emocional e sem a necessidade de atender expectativas externas.
Ser mulher é atravessar ciclos. Bora desatar esses nós?
@Vanessaabdo7
Saúde Correio B+
Especialista explica que exposição precoce e prolongada pode estar associada a atrasos no desenvolvimento, sintomas semelhantes ao autismo e prejuízos cognitivos
28/02/2026 15h00
Confira os alertas para impactos do uso excessivo de telas na infância Foto: Divulgação
A presença de dispositivos conectados à internet está intimamente presente na rotina das famílias, seja via televisores, computadores, tablets e, sobretudo, smartphones, que passaram a integrar o cotidiano de crianças e adolescentes em idades cada vez mais precoces.
Embora ofereçam recursos educacionais e de comunicação, os aparelhos também trazem riscos quando utilizados de forma excessiva.
O uso prolongado de telas, especialmente associado a conteúdos altamente estimulantes e redes sociais, pode contribuir para alterações no sono, dificuldades de atenção, quadros de hiperatividade, isolamento social, ansiedade e depressão infantil. Em situações mais graves, há registros de sintomas que se assemelham a transtornos do espectro autista.
De acordo com Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP, a exposição antes dos dois anos de idade é particularmente preocupante.
“É comum observarmos crianças bem pequenas em contato frequente com telas, o que não é recomendado. Trata-se de um período crítico para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional. A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo”, afirma.
De acordo com o guia sobre usos de dispositivos digitais para crianças e adolescentes divulgado pela OMS, é recomendado que uma criança com menos de 12 anos não tenha um aparelho celular ou tablet próprio, para que seja evitado o uso em excesso nas fases mais importantes do desenvolvimento cognitivo.
“A dopamina que é liberada pelas telas, principalmente em vídeos que proporcionam um grande estímulo em um curto tempo, pode causar um ciclo de dependência pelos aparelhos, a ponto de a condição ter sido considerada até como uma ‘demência digital’, devido a possível deterioração causada no sistema cognitivo destas crianças e adolescentes” complementa a psiquiatra.
As orientações gerais do guia recomendam que crianças de 2 a 5 anos não ultrapassem uma hora por dia em tempo de tela; até duas horas para a faixa etária entre 6 e 10 anos e por fim, três horas para o grupo entre 11 e 17 anos, todos com supervisão necessária feita pelos responsáveis, para que estas crianças e adolescentes possam ter uma vida social saudável e ativa fora das telas.
Para a psiquiatra do Hospital HSANP, a solução não está na proibição absoluta, mas no uso equilibrado e consciente. “A proibição total do uso de telas não é a solução, e sim, um uso que não seja excessivo, algo que também vale para os adultos. A tecnologia é parte integrante da vida contemporânea e o desafio é estabelecer limites claros e incentivar outras formas de interação e aprendizagem. Quando necessário, a avaliação especializada é fundamental para evitar que prejuízos emocionais e cognitivos se prolonguem ao longo da vida”, finaliza Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP.
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