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Capa B+: Entrevista exclusiva com a cantora e atriz Lucy Alves

"A Dança dos Famosos" foi muito especial e incrível! Uma experiência rica, transformadora e que eu levarei para a vida".

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Lucy Alves tem se consagrado cada vez mais como uma artista de multitalentos. A paraibana iniciou sua carreira na música ainda criança no Grupo Clã Brasil, ao lado das três irmãs e dos pais.

Formada em música pela Universidade Federal da Paraíba, Lucy lançou o primeiro CD “A Sedução do Clã Brasil”, em 2002, e desde então tem se firmado como uma voz potente na representatividade nordestina musical. A artista lançou também o single MELAÇO, que aposta na sensualidade e no calor do Nordeste. No trabalho, Lucy faz parceria com Rachel Reis. O projeto faz parte do EP da artista e a música nasceu de forma inusitada. 

“Eu gosto muito do trabalho de Rachel e a gente começou a se falar pelas redes sociais. Mandei uma ideia de melodia e palavras, e ela me respondeu com outras palavras e versos e ali começou a nascer Melaço”, diz a cantora, que define ainda que Melaço é “o tom da pele, de peito apaixonado e temperatura de Nordeste que gosta de dançar coladinho”. A produção musical é da equipe de Tiê Castro.

Apesar de ter nascido em berço musical, Lucy equilibra seus dons artísticos e se firma como uma grande atriz. Seu trabalho mais recente na televisão foi a novela “Travessia”, como a protagonista Brisa. 

Lucy se destacou no reality “The Voice Brasil” (2013), o que lhe rendeu convite para participar do musical “Nuvem de Lágrimas”, recebendo uma indicação para o prêmio Bibi Ferreira. Ainda na carreira musical, em 2016, com o álbum “Lucy Alves & Clã Brasil no Forró do Seu Rosil”, ela foi indicada ao Grammy Latino.

A sua estreia na TV foi em 2016, quando viveu a antagonista Luzia dos Anjos, em “Velho Chico”. No ano seguinte, esteve em “Tempo de Amar” e, em 2020, interpretou a protagonista de “Amor de Mãe” na primeira fase da novela. Em 2022, estreou na Netflix na série “Só Se For Por Amor”.

A participante da última edição da "Dança dos Famosos", é a nossa Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao caderno ela fala de sua atuação na Dança na TV Globo, carreira e música.

Lucy Alves é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto - Divulgação - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - Como foi participar do Dança dos Famosos e chegar na final do programa?
LA -
Foi muito especial, incrível. Uma experiência rica, transformadora e que eu levarei para vida, para os palcos. Eu quando entro em uma competição - e olha que eu gosto de um reality, hein, risos - eu me jogo, mergulho pra valer.

Levei tudo muito a sério, mas me diverti também, aprendi coisas novas sobre a dança, sobre o meu corpo... A cada etapa vencida, uma motivação a mais para continuar e assim fui avançando até chegar à final. Foi demais. Se me convidassem mil vezes, eu aceitaria todas elas!

CE - Qual a maior lição você tirou dessa participação? E qual foi o maior desafio enfrentado?
LA -
Acho que não teve uma lição, algo muito específico. É um processo de aprendizagem. Toda competição nos ensina algo e isso é bem particular porque depende de como a disputa nos atravessa. É sobre como encaramos os desafios que vão se desenhando ao longo do processo.

Diz muito mais sobre o nosso íntimo, sobre como lidamos com situações de pressão, sobre como controlamos nossas emoções, como nos ajustamos para darmos conta de chegar até o final. Acho que o maior desafio foi me entender, sabe dosar minha ansiedade, estar disponível para aprender coisas novas e entender que precisava me dedicar para que minha participação fosse exatamente aquilo que eu esperava de mim mesma.

CE- Você já é bastante conhecida pelo talento na música e na atuação, e surpreendeu a todos com a dança. Pretende seguir praticando?
LA -
Claro! A dança nos permite, mais do que exibir uma performance deste ou daquele ritmo, um autoconhecimento corporal e, com isso, controle do que fazemos com o nosso corpo. Já sinto uma diferença em meus shows e isso viu levar pra vida!

Dançar traz ainda um prazer, uma liberdade que deveriam ser experimentados por todo mundo. Limpa a alma e a mente. Acho que praticar alguma modalidade específica, por enquanto, não está nos meus planos. Mas como eu aprendi tanta coisa durante o quadro, quero trazer para o meu dia a dia, para meus shows especialmente.

CE- Recentemente você lançou novas músicas. O que podemos ainda esperar para 2024 na carreira musical? E nos trabalhos de atuação, o que mais vem pela frente?
LA -
Estou ainda numa rodada de shows pelo país por conta dos festejos juninos - uma época do ano que eu amo, que diz muito sobre as minhas raízes como artista. Paralelamente voltarei à telinha, em Renascer.

O convite para essa participação veio do autor e eu não tinha como negar, afinal terei em minhas mãos uma personagem muito especial, que também é artista e, vejam só, é sanforneira! Mas meus planos para este ano ainda incluem um álbum no qual já venho trabalhando. Lançar um disco é muito trabalhoso e eu cuido de todos os detalhes, do começo ao fim. Mas quando tudo estiver mais amadurecido, eu correrei para contar para vocês.

Lucy Alves - Divulgação

CE- Você começou na música ainda muito nova, seguindo uma tradição da família, certo? Se não fosse por isso, acha que teria seguido alguma carreira diferente?
LA -
Isso mesmo. A minha família teve uma influência muito forte na minha vida, na minha carreira. A arte sempre fez parte de tudo lá em casa.

Fugir disso seria quase impossível - e eu sou muito grata por ter sido desta forma. Eu tenho certeza de que a música e o teatro me chamariam de alguma forma, em algum momento da minha vida se eu não tivesse esse "facilitador" que foi ter minhas maiores referências dentro de casa. Eu só acho que talvez fosse mais tardio, mais trabalhoso. Não que tenha sido fácil. Mas eu tive muito apoio e isso sempre fez toda a diferença.

CE- Já passou por preconceitos por ser mulher, nordestina?
LA -
Sim, essa é uma realidade. Ainda! Mas ela ainda é muito presente. Por vezes, ele vem velado, numa "brincadeira" sobre o nosso sotaque, por exemplo. Mas em outros momentos, não! O preconceito vem escancarado mesmo, em comparações que transformam essas diferenças tão ricas que pertencem a determinadas regiões do país em algo melhor ou pior do que o outro.

Já fui pre-julgada sim, tive minha capacidade questionada por ser mulher e por ser uma mulher paraibana. E com isso tudo se torna mais difícil, porque você precisa mostrar duas, três vezes mais que vc é capaz sim! As oportunidades até podem ser as mesmas para todos, mas o percurso é bem mais curto para alguns poucos privilegiados.

CE - Fale um pouco sobre sua parceria com o cantor e músico Gabriel Sater pra gente?
LA -
É muito especial quando a vida nos permite ter alguns encontros que nos modificam de alguma forma. Eu tenho uma relação muito forte e única com a música, um respeito gigante. A música é um dos elementos que me alimentam enquanto artista, como ser humano. E Gabriel tem muito disso também. Poder estar com ele nessa parceria foi um prazer, um encontro leve e de muita conexão com o universo musical. 

Lucy Alves - Divulgação

CE - Quando e como aprendeu a tocar sanfona?
LA - 
Aprendi a tocar a sanfona com 15 anos e, embora ela já estivesse na minha família através dos meus tios que tocavam, os tios de meu pai que tocavam esse instrumento, meu bisavô também, que era sanfoneiro de folha e de oito baixos, forró muito presente e os sanfoneiros também, nunca foi o meu interesse assumir a sanfona.

Só que quando a gente fez um grupo musical chamado Clã Brasil, lá nos anos 2000, não tinha sanfoneiro e em determinado momento eu comecei tocando cavaquinho na primeira formação, e depois de um momento eu disse que grupo de folha tem que ter sanfona, e aí resolvi aprender. Já tocava piano, então a parte do teclado de piano foi mais familiar, fiquei cutucando baixos, peguei uma sanfona emprestada do meu tio Bill, e aí comecei a tocar, e terminei me apaixonando pela sanfona.

Hoje é um dos instrumentos mais queridos por mim, é um instrumento que é muito representativo, que me abriu muitas portas nas artes em geral. Eu posso trazer comigo nos meus personagens e isso é muito massa, muito identitário, então é um instrumento de muita potência, de muita força e, embora tenha sido um dos últimos que eu aprendi a tocar, se tornou um dos mais importantes. 

CE - Como você ingressou na carreira de atriz?
LA -
 O convite para uma novela veio juntamente a um convite para fazer um musical. Veio de uma vez, embora eu não tivesse a experiência propriamente dita, atuando. Mas o palco já era minha casa como cantora. Eu já tinha participado como instrumentista de alguns espetáculos fazendo trilha sonora, mas não atuando.

E aí, através de convites, veio Nuvem de Lágrimas, veio um teste para Dois Irmãos, uma minissérie também dirigida por Luiz Fernando Carvalho, mas através desse teste eu entrei em Velho Chico e vivi a minha primeira grande novela, entrando ali como uma espécie de antagonista, e aí começou o meu caminho como atriz, uma coisa que veio a partir da minha intuição enquanto artista.

Nas minhas ferramentas de comunicação, eu aprendo muito com as personagens, eu evoluo, eu cresço, eu amadureço, porque dar vida à personagem sempre nos transporta para conflitos muito diferentes, né? E a gente vive aquilo, então, além de ser uma profissão muito especial, que eu tenho muito respeito, essa da atriz, do ator, é uma forma de se expressar muito importante pra mim. 

CE - Cantar ou atuar?
LA -
Os dois, com certeza!! Jamais saberia escolher e também não vejo o porque de ter uma escolha. São artes complementares e que me definem como a profissional que eu sou. O meu desafio está em entender quando é o momento de privilegiar essa ou aquela arte, feito uma gangorra, mas não pode parar nunca!

CE - Um sonho que você tenha em sua carreira...
LA -
São muitos os sonhos! Tenho na minha cabeça alguns desenhos de shows, por exemplo. Quero lançar meus discos e ser desafiadas por personagens que me deixem com o coração na boca!
 

Tocando sua sanfona - Divulgação - Lucy Ramos

CE - um momento inesquecível em sua carreira...
LA -
 Eu tive alguns momentos, alguns bons encontros. Eu acho que a minha primeira novela foi um grande momento, a minha primeira participação no Rock in Rio foi um grande momento, no Palco Sánchez, que era um festival que eu sempre quis estar.

Nossa, vários momentos, eu me orgulho muito da trajetória que eu venho construindo, chegar no Rio de Janeiro também e construir tudo isso tem sido muito prazeroso e maravilhoso. Posso elencar o Dança dos Famosos também como o grande último feito que me fez girar chaves também, profissionais e pessoais.

Meus encontros musicais, que são muito especiais, com Dominguinhos, com Sivuca, que são artistas que já se foram e deixaram um legado marcante, e que me marcaram, são marcas que eu carrego comigo até hoje. Me fizeram transcender como musicista e artista. E é isso, são vários momentos legais. 

CE - Lucy por Lucy...
LA -
 Acho que sou uma artista em mutação constante, e cada vez mais eu descubro que a arte realmente é meu passaporte para a minha liberdade pessoal, como cidadã, como frequentadora deste mundo aqui. Eu já mudei muito com o passar do tempo, venho caminhando, evoluindo e podendo traduzir isso de alguma forma nas minhas músicas, na minha arte.

Eu acho que estou num momento muito especial de carreira e pessoal, por conta do amadurecimento das oportunidades que tive, que venho tendo. Sou uma pessoa muito sonhadora, muito lutadora, não desanimo fácil e venho aprendendo a enxergar a beleza também das minhas fraquezas, dos meus erros também.

Acolhê-los assim, têm me deixado cada vez mais forte e deixado a minha trajetória bonita também, mas sou uma pessoa acima de tudo muito feliz com a minha vida, com as escolhas que tomei até aqui, tudo isso me fez chegar até aqui e muito feliz de poder trabalhar com a arte nesse país, que realmente não é fácil, é uma luta, mas é um grande presente divino.

Na última edição da Dança dos Famosos - Divulgação Youtube

Moda Correio B+

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida.

20/09/2026 16h00

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta? Foto: Divulgação

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Você provavelmente já encontrou uma mulher vestindo apenas camiseta branca, jeans e uma sandália simples e pensou: como ela consegue parecer tão elegante com tão pouco? Enquanto isso, outra pessoa pode estar usando peças caras, bolsa de grife e uma produção muito mais elaborada não consegue transmitir a mesma impressão.

A diferença está em algo que repito com frequência no meu trabalho: elegância não está necessariamente na roupa, mas na maneira como fazemos a roupa funcionar a nosso favor.

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida. Mas, muitas vezes, são justamente as produções mais simples que revelam melhor o cuidado com a imagem.

Quando há menos elementos para chamar atenção, percebemos mais facilmente o caimento, a qualidade do tecido, os acabamentos, os acessórios e, principalmente, quem está usando aquela roupa.

Uma camiseta, por exemplo, parece a peça mais básica do mundo, mas existem enormes diferenças entre elas. A posição da manga, a abertura da gola, o comprimento, a gramatura do tecido e a maneira como ela acompanha o corpo interferem completamente no resultado.

E não existe uma modelagem universalmente perfeita: existe aquela que funciona melhor para o seu corpo, seu estilo e a mensagem que você deseja transmitir.

Aos detalhes da roupa soma-se algo que não compramos em nenhuma loja: postura. A maneira de caminhar, sentar, falar e ocupar um espaço participa da nossa imagem tanto quanto aquilo que vestimos.

Não adianta procurar a peça perfeita se ela está amassada, mal conservada ou se quem a veste parece desconfortável dentro dela. Elegância também tem relação com cuidado e naturalidade.

As mulheres que já entenderam isso,  não precisam acrescentar informação o tempo inteiro para construir uma imagem mais elegante e de presença. Existe coerência entre roupa, corpo, personalidade e ocasião. A roupa não tenta transformá-las em outra pessoa; apenas acompanha quem elas são.

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?Sabrina Sato - Divulgação

5 detalhes que deixam até a camiseta mais elegante

1. Observe o caimento antes da etiqueta

Veja onde a manga termina, como a gola se posiciona e se o tecido acompanha o corpo sem apertar ou criar volume onde você não deseja. Uma pequena alteração de modelagem pode mudar completamente uma peça básica.

2. Preste atenção ao estado da roupa

Bolinha, gola deformada, tecido transparente demais, manchas e peças excessivamente amassadas comprometem rapidamente uma produção. Básicos precisam estar especialmente bem conservados.

3. Use acessórios com intenção

Um bom brinco, um relógio, um colar, um cinto ou uma bolsa podem dar acabamento ao look. Não é preciso usar tudo ao mesmo tempo: muitas vezes, um único elemento bem escolhido é suficiente.

4. Cuide da postura e da presença

Ombros, maneira de caminhar, tom de voz e até a forma como você se senta interferem na leitura da sua imagem. Nenhuma roupa trabalha sozinha.

5. Busque coerência, não perfeição

A mulher elegante não é necessariamente aquela que está impecável o tempo inteiro. É aquela cuja imagem parece fazer sentido: para sua personalidade, para seu corpo, para sua rotina e para o ambiente em que está.

No fim, a pergunta mais importante é: quanto da elegância que admiramos realmente vem da roupa? A roupa pode ser a moldura, mas é a maneira como nos apresentamos ao mundo que completa a imagem.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

"Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos"

20/09/2026 15h12

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV Foto: Divulgação

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Gustavo Falcão é um dos destaques do filme ‘Elize: Sombras de Uma Mulher’, que estreou no dia 22 de julho na Netflix. Dando vida a Heitor, melhor amigo de Marcos Matsunaga, ele mergulhou na complexidade emocional de seu personagem, um homem que caminha entre as sombras e a luz. Ele revela: “Heitor é um personagem que representa uma área cinzenta.

O maior desafio foi retratar seu lado animalesco e instintivo, mantendo sua humanidade. Ele é perigoso e sedutor, sempre observando ao seu redor, pronto para capturar novas oportunidades. É esse estranhamento que eu busquei transmitir ao público”.

Além do filme, Gustavo também está presente na nova adaptação de 'Ben Hur', que estreia em outubro na Univer, e em seguida na RecordTV. Nela interpreta Élio, o governador romano da Judeia. "Élio é extremamente hedonista e adora o poder. Ele é um político habilidoso, que sabe que a roda da política gira rapidamente, e esse conhecimento o torna ainda mais astuto e perigoso", comenta.

Ele descreve seu personagem como alguém que tem prazer em explorar os meandros do poder e que, por isso, se destaca em meio ao ambiente de tensões entre romanos e judeus. "A liberdade criativa que tive nesta produção foi uma experiência deliciosa, permitindo-me dar vida a um personagem sarcástico e multifacetado."

Natural de Recife, Falcão destaca a importância de sua terra natal em sua trajetória. "Cresci em um ambiente cultural rico, onde artistas como Ariano Suassuna e Francisco Brennand foram grandes influências. A cena artística pernambucana me moldou e me deu as bases para a carreira que tenho hoje", afirma. Ele começou sua trajetória profissional em 1995, com a peça "Os Biombos", de Jean Genet, dirigida por Antonio Cadengue. "Esse foi meu primeiro contato com o palco e uma experiência transformadora", relembra.

Com 31 anos de carreira, ele continua conectado com sua comunidade e está atualmente desenvolvendo um projeto especial lá. "Estou trabalhando na adaptação para o cinema da vida do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com meu irmão e a REC Produtores", compartilha. "Queremos filmar grande parte da história no Recife, trazendo à tona não só a figura de Cícero, mas também a riqueza cultural da nossa cidade", enfatiza.

Em novelas o ator de 50 anos deixou sua marca como Faísca em "As Filhas da Mãe", onde encarnou um surdo mudo com uma sensibilidade própria, além de interpretar Jonas em "Cobras & Lagartos", um jovem dividido entre a religiosidade e a malandragem de sua família. "Ambos os papéis exigiram um equilíbrio delicado entre drama e humor, e me permitiram explorar áreas muito diferentes da atuação", destacou.

Gustavo também é um diretor ativo, tendo liderado montagens como "Partiu 90!" e a remontagem de "A Máquina". "Dirigir essas peças foi um processo enriquecedor que ampliou minha visão sobre a atuação e a colaboração entre os elencos", enfatiza ele. Além disso, dirigiu e roteirizo o curta metragem ‘30 Moedas’ ao lado de Marcos Arzua Barbosa, a produção narra um embate no meio do mar entre dois personagens de classes sociais distintas e orientações ideológicas deformadas pela corrupção política, religiosa e social sistêmica dos tempos atuais.

"Criar um ambiente onde a arte possa florescer e impactar a vida das pessoas é uma missão que me motiva profundamente", completa.

Gustavo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno, ele fala sobre papéis, carreira e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabí Souza - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Você tem 31 anos de carreira, como você vê sua trajetória até agora?
GF - 
Vejo minha trajetória profissional repleta de realizações, mas também olho em frente. Ao mesmo tempo, penso no passado e também no futuro. Percebo que construí uma carreira sólida e realizei trabalhos diversos e muito especiais em tantas frente, mais de uma centena de projetos em cinema, teatro, tv, audiolivros, arte e educação, atuando, produzindo, dirigindo, dando aulas e oficinas - mas também miro o que ainda desejo fazer.

Depois de tanto tempo de estrada - e o percurso de um artista é inevitavelmente dinâmico, repleto altos e baixos, de recomeços e redescobertas - tenho muita consciência do que já fiz e vivi, mas também do que ainda quero viver e fazer.

CE - Além de atuar em diferentes frentes do audiovisual, você tem um trabalho junto ao Lunático. Pode falar mais dele?
GF -
 O Lunático é um espaço cultural que fundei no Rio em 2007 com minha companheira e parceira Juliana Féres, dedicado ao ensino e difusão das mais diversas manifestações culturais, em vários formatos - cursos, oficinas, exposições, palestras, mostras, espetáculos…

Hoje estamos em 17 instituições de ensino do Rio de Janeiro com aulas de circo, tecido acrobático, cinema, teatro, stop Motion. É gratificante compartilhar continuamente vivências artísticas com quase trezentas crianças e adolescentes e promover a transformação que a arte provoca na vida delas.

CE - Fala mais sobre o seu personagem em 'Ben hur'?
GF -
 Élio é o governador romano da região que compreende a Judéia, cuja capital é Antioquia, uma das maiores cidades do Império Romano no oriente naquele tempo (séc. I). Devido às agitações provocadas pela resistência dos judeus, que não aceitam se submeter às regras de Roma - especialmente as religiosas - Élio se transfere para Jerusalém a fim de acompanhar mais de perto a questão.

Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos. A relação com Pôncio Pilatos, funcionário do império responsável pela região da Judeia, por exemplo, se sustenta em uma tensão constante de colaboração e rivalidade.

Élio é estratégico, astuto e gosta de ser sarcástico. Gosta de submeter seus antagonistas, gosta de levar vantagem e se dar bem em tudo que faz. Gosta também de aproveitar ao máximo os prazeres, inclusive os carnais, que advém de sua posição. 

CE - Você também estará em 'Lá na minha terra', próxima trama das 18h. O que pode falar do seu personagem (sem dar spoilers).
GF -
 Ainda não posso revelar muito, mas aqui vai uma breve apresentação: Josias é um dos vilões da trama de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman. Comparsa de Celestina (Lilia Cabral), inicia na novela trabalhando no Jóquei paulistano, onde conhece Ismalia (Camila Morgado). Nascido em São Paulo, sempre teve de se virar pra sobreviver, nem sempre de forma lícita ou legal. 

CE - Você também teve um personagem no filme sobre Elize Matsunaga que estreou na Netflix em julho. Como foi a recepção do público a sua participação?
GF -
 Foi surpreendente a resposta de público ao meu personagem e ao filme. Sabia do potencial pelos apelos da história, o projeto tinha uma equipe e elenco incríveis e a havia uma boa expectativa. O filme ficou incrível, mas ainda assim fiquei surpreso.

O sucesso foi gigantesco. O longa ficou 3 semanas no primeiro lugar como filme mais assistido no mundo inteiro em língua não inglesa dentro da Netflix. A repercussão em torno de meu trabalho foi muito positiva, e fiquei feliz com isso, já que busquei construir um personagem complexo - denso, torpe e com um humor perverso. 

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Record TV - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O teatro tem um papel bem importante na sua carreira. O que você destaca nesses anos?
GF -
 O teatro é fundamental pra mim. Preciso voltar a ele sempre. É o começo de tudo, e é também recomeço, me nutre de uma forma muito particular. Não dá pra ficar muito tempo longe. Ano passado tive a felicidade de fazer dois espetáculos, e completamente distintos: ‘O Pequeno Circo de Mediocridades’, uma crítica ácida à mesquinhez humana, e o ‘De Perto Ninguém é Normal’, uma comédia divertidíssima inspirado no clássico cinematográfico Arsênico e Alfazema.

CE - Além disso, você também tem uma ligação muito forte com sua terra natal e vai produzir projetos lá. O que pode adiantar deles?
GF -
 Estou o tempo inteiro pensando em maneiras de realizar projetos no Recife e em Pernambuco. No momento estou desenvolvendo um projeto sobre episódios da vida extraordinária do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com uma produtora pernambucana. Espero que possamos produzir o filme nos próximos anos.

CE - Como você vê esse ano de 2026 na sua carreira?
GF - 
Este tem sido um ano de muito movimento. Filmei a série ‘Ben Hur’, estou começando a novela ‘Lá na minha Terra’, lancei o audiolivro ‘Odisseia’ pela Cia das Letras, participei de uma mesa da FLIP como convidado pela primeira vez, dirigi diversas práticas de montagem, além da coordenação do projeto com o Lunático, meu espaço cultural, que segue em expansão.

CE - Você menciona a importância do longa 'Arido Movie' na sua carreira e como ele te levou para diferentes públicos. Pode falar mais dessa experiência?
GF - 
O ‘Arido Movie’ foi minha primeira experiência em longa-metragem, que rodamos em 2003. Então foi algo especial em minha vida e um marco em minha carreira. Até ali só tinha feito em cinema alguns curtas e tinha experiência em TV, com a novela As Filhas da Mãe, da Globo, de 2001. O Arido foi marcante, era um roteiro sensacional, primorosamente bem dirigido por Lírio Ferreira, com um super elenco.  

CE - Com tantos novos trabalhos chegando no final de 2026, o que você espera de 2027?
GF -
 Espero que 2027 seja um ano de ainda mais trabalho e que a gente siga com o crescimento do setor cultural, tanto em termos das políticas públicas quanto da conexão do público brasileiro com a arte que fazemos no Brasil. É para e pelas pessoas que nos assistem que fazemos o que fazemos e a arte é uma forma de um povo construir sua identidade, se conhecer e entender melhor, como indivíduo e em sua coletividade.

 

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