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Coluna Entre Costuras & CuLtura. Quem Pode Vestir um Mito?

A atriz Lily Collins vai interpretar Audrey Hepburn no cinema sobre os bastidores de Breakfast at Tiffany's

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A escolha de Lily Collins para interpretar Audrey Hepburn em um filme sobre sua trajetória e os bastidores de Breakfast at Tiffany’s não é apenas uma decisão de elenco, é um gesto cultural.

Audrey Hepburn não pertence somente à história do cinema, ela pertence ao imaginário da elegância. Sua imagem ultrapassou o roteiro, a personagem e até mesmo a própria biografia, tornou-se linguagem estética.

Quando pensamos em Breakfast at Tiffany’s, não pensamos apenas em Holly Golightly, mas pensamos no vestido preto, na silhueta alongada, no colar de pérolas, nos óculos escuros que ocultam e revelam ao mesmo tempo. Pensamos, sobretudo, na consolidação de um ideal de sofisticação que redefiniu o minimalismo como poder simbólico.

A parceria entre Hepburn e Hubert de Givenchy transformou figurino em arquitetura cultural. O vestido preto deixou de ser apenas peça de roupa para se tornar código permanente. A imagem não estava ali para ilustrar a personagem, ela a estruturava.

É justamente, por isso, que reinterpretar Audrey é um risco delicado. Não se trata de reproduzir traços físicos, mas de tocar um mito visual, e mitos não são apenas lembrados, são protegidos pela memória coletiva.

A escolha de Lily Collins revela algo interessante sobre o nosso tempo. Sua imagem pública já carrega traços de delicadeza controlada, elegância editorial e uma feminilidade que dialoga com contenção, não com excesso. Em uma era dominada por maximalismos e estímulos visuais incessantes, há algo simbólico na retomada de uma estética pautada pela precisão.

Mais do que revisitar o passado, o projeto indica uma possível revalorização da coerência estética. Audrey nunca foi sobre abundância, foi sobre constância. Seus códigos eram reconhecíveis porque eram repetidos com intenção. A assinatura visual não era um acidente; era construção.

O filme sobre os bastidores de Breakfast at Tiffany’s também reabre uma discussão fundamental: como o cinema fabrica permanência? A moda, quando capturada pela câmera, deixa de ser efêmera e passa a habitar o território da memória cultural. Algumas imagens sobrevivem porque possuem coerência interna suficiente para atravessar décadas.

Talvez a questão central não seja se Lily Collins pode “ser” Audrey, a pergunta mais interessante é: o que significa, hoje, desejar a volta de Audrey? O que buscamos quando revisitamos um ícone de elegância em tempos de aceleração estética?

Entre Costuras & CuLTURA, aprendemos que estilo não é sobre novidade constante, mas sobre direção clara. Audrey consolidou um repertório visual que resistiu ao tempo porque era consistente. Se Lily Collins conseguirá reinterpretar esse legado, veremos.

Mas uma coisa é certa: não se trata apenas de vestir um figurino. Trata-se de sustentar um mito.

Vou deixar aqui cinco dicas para te ajudar a construir sua própria assinatura de estilo:

• Defina três códigos visuais fixos (cores, silhueta, acessório ou textura) e mantenha os como eixo da sua imagem.

• Repita com intenção. Reconhecimento nasce da constância, não da variação aleatória.

• Edite antes de comprar. Cada nova peça deve fortalecer seu repertório, não fragmentá-lo.

• Estabeleça uma silhueta-base. Proporção consistente cria identidade.

• Pense a longo prazo. Estilo não é impacto momentâneo, é permanência.

Imagem não é improviso.

É construção!

Gabriela Rosa é consultora de imagem e estilo - Foto: Divulgação

 

Correio B+

Coluna Desatando Nós: Ser mulher: cada fase um nó

A Dra. em psicologia Vanessa Abdo, fala sobre se reorganizar e o julgamento constante

28/02/2026 18h00

Coluna Desatando Nós: Ser mulher: cada fase um nó

Coluna Desatando Nós: Ser mulher: cada fase um nó Foto: Divulgação

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A vida da mulher é marcada por fases que não são apenas biológicas — são profundamente emocionais e sociais. Da primeira menstruação à menopausa, passando pela gestação e pelo pós-parto, o corpo muda, a identidade se reorganiza e, quase sempre, surge um elemento constante: o julgamento.

A primeira menstruação, que poderia ser vivida como um marco de amadurecimento e cuidado, muitas vezes chega acompanhada de vergonha, silêncio e desinformação. Meninas aprendem cedo a esconder o corpo, a sentir constrangimento por processos naturais e a lidar com expectativas que ainda nem conseguem compreender.

Na gravidez, o julgamento muda de forma, mas não de intensidade. A mulher passa a ser observada em suas escolhas, no corpo que transforma, na forma como vive a gestação e até na maneira como sente. Há palpites sobre parto, amamentação, trabalho, vínculo e comportamento. A experiência que deveria ser singular torna-se, frequentemente, um território de cobranças externas.

O pós-parto talvez seja um dos períodos mais vulneráveis e, paradoxalmente, mais romantizados. Espera-se felicidade constante, gratidão plena e adaptação imediata. Pouco se fala sobre ambivalência, exaustão, solidão e luto pela identidade anterior. Quando essas emoções aparecem, muitas mulheres se sentem inadequadas, como se estivessem falhando em um roteiro que nunca escreveram.

Na menopausa, o julgamento se manifesta por meio do apagamento. A mulher passa a lidar com mudanças físicas e emocionais enquanto a sociedade insiste em associar valor feminino à juventude e à produtividade estética. Sintomas são minimizados, dores são silenciadas e a maturidade, em vez de ser reconhecida como potência, muitas vezes é tratada como perda.

Em todas essas fases, o que mais impacta não são apenas as transformações do corpo, mas a pressão para vivê-las de maneira “correta”. Existe um ideal de mulher que atravessa gerações — equilibrada, disponível, feliz e resiliente — que desconsidera a complexidade de cada experiência.

Talvez o maior cuidado em saúde mental seja permitir que cada mulher viva suas fases com menos comparação e mais acolhimento. Sem roteiros rígidos, sem desempenho emocional e sem a necessidade de atender expectativas externas.

Ser mulher é atravessar ciclos. Bora desatar esses nós?

@Vanessaabdo7

Saúde Correio B+

Confira os alertas e impactos do uso excessivo de telas na infância

Especialista explica que exposição precoce e prolongada pode estar associada a atrasos no desenvolvimento, sintomas semelhantes ao autismo e prejuízos cognitivos

28/02/2026 15h00

Confira os alertas para impactos do uso excessivo de telas na infância

Confira os alertas para impactos do uso excessivo de telas na infância Foto: Divulgação

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A presença de dispositivos conectados à internet está intimamente presente na rotina das famílias, seja via televisores, computadores, tablets e, sobretudo, smartphones, que passaram a integrar o cotidiano de crianças e adolescentes em idades cada vez mais precoces.

Embora ofereçam recursos educacionais e de comunicação, os aparelhos também trazem riscos quando utilizados de forma excessiva.

O uso prolongado de telas, especialmente associado a conteúdos altamente estimulantes e redes sociais, pode contribuir para alterações no sono, dificuldades de atenção, quadros de hiperatividade, isolamento social, ansiedade e depressão infantil. Em situações mais graves, há registros de sintomas que se assemelham a transtornos do espectro autista.

De acordo com Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP, a exposição antes dos dois anos de idade é particularmente preocupante.

“É comum observarmos crianças bem pequenas em contato frequente com telas, o que não é recomendado. Trata-se de um período crítico para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional. A superexposição pode comprometer habilidades essenciais e gerar impactos a curto e longo prazo”, afirma.

De acordo com o guia sobre usos de dispositivos digitais para crianças e adolescentes divulgado pela OMS, é recomendado que uma criança com menos de 12 anos não tenha um aparelho celular ou tablet próprio, para que seja evitado o uso em excesso nas fases mais importantes do desenvolvimento cognitivo.

“A dopamina que é liberada pelas telas, principalmente em vídeos que proporcionam um grande estímulo em um curto tempo, pode causar um ciclo de dependência pelos aparelhos, a ponto de a condição ter sido considerada até como uma ‘demência digital’, devido a possível deterioração causada no sistema cognitivo destas crianças e adolescentes” complementa a psiquiatra.

As orientações gerais do guia recomendam que crianças de 2 a 5 anos não ultrapassem uma hora por dia em tempo de tela; até duas horas para a faixa etária entre 6 e 10 anos e por fim, três horas para o grupo entre 11 e 17 anos, todos com supervisão necessária feita pelos responsáveis, para que estas crianças e adolescentes possam ter uma vida social saudável e ativa fora das telas.

Para a psiquiatra do Hospital HSANP, a solução não está na proibição absoluta, mas no uso equilibrado e consciente. “A proibição total do uso de telas não é a solução, e sim, um uso que não seja excessivo, algo que também vale para os adultos. A tecnologia é parte integrante da vida contemporânea e o desafio é estabelecer limites claros e incentivar outras formas de interação e aprendizagem. Quando necessário, a avaliação especializada é fundamental para evitar que prejuízos emocionais e cognitivos se prolonguem ao longo da vida”, finaliza Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP. 

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