Correio B

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz e escritora Ana Jeckel

"Sinto que, cada vez mais, as novas gerações estão sentindo falta de uma vida que não viveram, de um tempo em que não eram nascidos. Uma nostalgia da vida analógica, fora das telas"

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Ana Jeckel é um novo fenômeno da literatura juvenil. Com 25 anos, seu sexto livro “Kiwi e os Garotos Perdidos”, lançado em junho, já ficou em primeiro lugar em algumas categorias de mais vendidos da Amazon e já foi para sua segunda tiragem.

E, durante a Feira do Livro de São Paulo, conquistou o 3º lugar dos mais procurados de todo o catálogo da Editora Rocco. Inclusive, no mesmo evento, a gaúcha foi a segunda autora mais vendida, ficando atrás apenas de Clarice Lispector.

Agora, Ana Jeckel vai participar de vários eventos na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro. A escritora estará no estande da Rocco nos dias 5 (às 13h) e dia 13 (às 14h) fazendo tarde de autógrafos de “Kiwi e os Garotos perdidos”.

O livro conta a história de Nalu, um rapaz que se muda para Ilhabela e junta seu grupo de amigos de infância para ir atrás de um tesouro pirata escondido na ilha. Voltada para o público adolescente, a obra aborda temas como amizade, luto e a dificuldade de crescer.

Também na Bienal, em setembro, Ana Jeckel vai participar de uma mesa do estande da Skeelo no dia 8 (às 16h) e estará no estande da Editora Flyve para o lançamento de “Nadia Keane 5: A Maldição de Olho-Rubro”.

O livro conta sobre Dimitri, um garoto que é resgatado sem memórias por um navio pirata. Entre os temas abordados estão liberdade, aventura e pertencimento, além de descobertas pessoais e a busca de seus sonhos. A obra faz parte da coletânea “Nadia Keane”, que já vendeu mais de 15.000 cópias.

Com 8 anos de carreira artística, Ana Jeckel também é atriz e já participou da série “Tudo Igual… SQN”, do Disney+ , e da série “Juacas”, do Disney Channel. No Youtube, protagonizou a websérie “May@“, que lhe rendeu indicações a prêmios na Itália (vencendo como Melhor Atriz do Digital Midia Festa em 2022), na Asia e no Brasil. Seu último trabalho atuando foi no filme “Talismã”.

Ana Jeckel ainda é cantora e compositora e já lançou algumas músicas. Seus clipes podem ser vistos no seu Instagram e no Youtube. Já as canções estão disponíveis em seu canal no Spotify.

Ana é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana e em entrevista ao Caderno ela fala sobre sua carreira, literatura e Bienal do Livro.

Ana Jeckel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Márcia Molina - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Ana Jeckel está vivendo um momento profissional de muito sucesso. Seus livros estão nos mais vendidos da Amazon e entre os mais vendidos do catálogo da Editora Rocco. Como recebe essas notícias com apenas 25 anos de idade? E como elas impactam na sua carreira de apenas 8 anos?
AJ -
 Estou muito feliz de poder acompanhar números tão bons na minha primeira publicação com uma Editora Tradicional. Muitos que me conheceram agora diriam que é "sorte de principiante", talvez ignorando toda a minha carga que veio antes disso.

Foram 8 anos até hoje de aprendizados na publicação independente, muita luta e esforço para ganhar espaço no mercado editorial, então é extremamente gratificante perceber que essa dedicação ao longo dos anos está dando resultado.

Sinto que é só o primeiro passo, o começo de uma nova fase. 8 anos de carreira... quer dizer, ainda sou um bebê! Tenho muitos livros ainda para escrever para me consolidar como uma grande autora nacional e isso é muito estimulante para mim. 

CE - Recentemente, você foi a segunda autora mais vendida na Feira do Livro, de SP, só ficando atrás de Clarice Lispector. Qual a sensação de estar já estar entre os nomes mais procurados da literatura brasileira? 
AJ -
 É surreal! Fui descobrir só muitos dias depois e fiquei chocada. Estamos falando de Clarice Lispector, a autora mais vendida da Editora Rocco, então ficar ao lado dela é uma honra sem tamanho.

É muito bom poder ver que finalmente, com meu novo livro "Kiwi e os Garotos Perdidos" indo para as grandes livrarias e eventos, o meu nome passou a um peso diferente. As pessoas estão apenas começando a ouvir falar de Ana Jeckel... mas quero aproveitar o momento para conquistar cada vez mais esse espaço.

CE - Em breve, você vai a Bienal do Livro, em SP. Como é para um autor poder participar de um evento tão grandioso? E qual a importância de estar frente a frente com seu público autografando suas obras?
AJ - 
A Bienal do Livro é um evento totalmente diferente de todos os outros, então sempre é muito gratificante poder participar. Leitores de todos os cantos do Brasil viajam horas, às vezes dias, para poder me encontrar por alguns minutos e autografar seus livros, e isso não tem preço para mim.

Cada história me emociona. É poder estar de frente com tudo aquilo que sempre se desejou. O processo de escrita de um livro sempre é muito solitário... e quando ficamos sabendo que um título que escrevemos está vendendo bem, milhares de cópias, não conseguimos ter a dimensão do que significam esses números até estarmos de frente com milhares de rostos.

Milhares de jovens que vem me abraçar, chorando, me presenteando com desenhos e artesanatos feitos por eles, simplesmente para me agradecer por ter mudado a vida deles com o meu livro. É nessa hora que sei que o que eu faço é mágico. E é esse sentimento que guardo no peito todos os dias.

CE - Onde busca inspiração para escrever suas obras? Como faz suas pesquisas?
AJ -
 As inspirações surgem como os carros passam na rua. Nunca se espera quando vão surgir de uma curva, mas às vezes te atingem em cheio, quando você menos espera.

Quando estou no banho ou prestes a dormir, me vêm diálogos completos na cabeça ou uma ideia totalmente nova para um livro novo e eu preciso mantê-la viva na minha mente até conseguir escrevê-la no papel para não esquecer.

Gosto muito de viajar também, abrir os meus horizontes para novos mundos, novas percepções, culturas e paisagens nunca antes vistas por mim. Não há melhor inspiração do que abrir os olhos e simplesmente observar o mundo ao nosso redor. E claro, leio muitos livros, estudo, ouço músicas, assisto a filmes. Repertório é tão importante quanto. 

CE - E como surgiu seu interesse por escrever? Como escolheu se dedicar aos livros para o público jovem?
AJ -
Sempre gostei muito de escrever, desde que sou criança. Sempre foi a minha melhor ferramenta de comunicação e eu amo contar histórias e inventar personagens e universos desde que posso me lembrar como gente. O amor pelo público jovem vem pela minha própria experiência como leitora.

Ainda consigo lembrar da sensação mágica de abrir um livro de fantasia e aventura quando eu tinha doze anos de idade. A pré-adolescência e a adolescência são fases complicadas, muitas vezes solitárias, e o que eu mais prezo é que os meus livros possam ser, acima de tudo, um refúgio para esses jovens.

Que meus personagens se tornem amigos deles e que eles possam sorrir quando estão lendo. Gosto de escrever aquilo que eu gostaria de ter lido aos treze anos de idade. 

Ana Jeckel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Márcia Molina - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como é escrever para um público cada vez mais conectado?  Qual o segredo para despertar o interesse dos jovens pela literatura?
AJ -
 A gente se engana quando acha que o jovem não gosta de ler. Sinto que, cada vez mais, as novas gerações estão sentindo falta de uma vida que não viveram, de um tempo em que não eram nascidos. Uma nostalgia da vida analógica, fora das telas.

De histórias que conectem de verdade. Claro que a teoria e a prática são muito diferentes, porque preciso usar dos artifícios atuais para vender o meu livro que vende essa nostalgia.

Utilizo muito das redes sociais para a minha divulgação e foco muito nas referências que eu tenho em comum com o meu livro, como por exemplo, "Piratas do Caribe" e a série de livros de "Percy Jackson e os Olimpianos".

Então eu vendo a ideia de que, se eles gostam dessas coisas, provavelmente também gostarão do meu livro. E claro, eu vendo a ideia do pertencimento. Em um mundo tão "conectado", mas tão solitário que vivemos hoje em dia, tudo o que queremos é pertencer a um lugar, uma tribo, um grupo de amigos que gostem das mesmas coisas que nós.

Já perdi as contas de quantos jovens se tornaram melhores amigos por conta dos meus livros, em eventos presenciais e até em grupos on-line. Isso é sensacional!

CE - Temos visto cada vez mais livros sendo transformados em produções do audiovisual. O que você pensa sobre isso? Sonha em ver suas obras na TV e no cinema?
AJ - 
Meu grande sonho! Como sou atriz de profissão antes mesmo de ser escritora, na hora de escrever uma história, uma cena ou um diálogo, eu penso em audiovisual.

Eu imagino a movimentação dos personagens como se fossem atores e escrevo os capítulos em formato de roteiro antes de passar para prosa. Então, sinto que é uma questão de tempo para que as minhas histórias, que nascem para a televisão e o cinema, mas são destinadas a se tornarem livros primeiro, conquistem outras mídias. 

CE - Você também é atriz, cantora e compositora. Pensa em voltar a fazer trabalhos nessas áreas? Pensa, inclusive, em escrever algo para você mesma atuar? 
AJ - 
Sinceramente, nunca amei tanto uma arte como amo a escrita. Meus olhos brilham de uma maneira que não brilhavam na atuação ou na música antes.

Mas não quero deixar essas partes de mim de lado, muito pelo contrário. Quando estou escrevendo, estou atuando também. Estou me colocando no papel de cada personagem para imaginar como ele está agindo em cena. E sobre a música, eu componho para os meus livros.

Alguns deles têm letras escritas e cantadas pelos personagens nas páginas e eu até ensino os meus leitores a cantar também! É muito legal. 

Atualmente não penso em escrever algo somente para que eu possa atuar, mas nunca se sabe. Gosto da ideia, uma vez que sou uma super fã de Phoebe Waller-Bridge e da série Fleabag, que nasceu justamente assim. 

CE - Quais seus sonhos profissionais? Já tem ideias para novos livros?
AJ - 
Meus grandes sonhos profissionais são ver os meus livros se tornando obras audiovisuais e poder publicá-los em outros países também. Quero que as minhas histórias conquistem o mundo. Tenho leitores de e-books no Japão!

Quero que eles possam ter os meus livros físicos em mãos também. Tenho muitos potenciais leitores em Portugal e nos Estados Unidos também. Se algum dia eu puder ver as minhas histórias traduzidas por aí, vou me sentir verdadeiramente realizada.

Sobre ideias para novos livros... eu tenho dezenas! A dificuldade é escolher qual será a próxima que eu vou escrever, porque todas são tão interessantes que eu tenho vontade de escrevê-las todas de uma vez. 

CE - E o que Ana Jeckel gosta de ler?
AJ - 
Gosto de ler um pouco de tudo, mas sou uma grande fã de suspense e mistério, nascida no mesmo dia que a nossa rainha Agatha Christie. Um gênero que, sinceramente, acho que nunca serei boa o suficiente para escrever. Amo ler os clássicos também.

Meus livros favoritos são "Peter Pan e Wendy" de J. M. Barrie, "Capitães de Areia" de Jorge Amado,  "O Código da Vinci" de Dan Brown e "The Outsiders: Vidas Sem Rumo" de S. E. Hinton. Pode-se dizer que sou louca por histórias de jovens desajustados tentando encontrar seu lugar no mundo.

Atualmente estou lendo "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott e, para citar alguns autores contemporâneos, sou uma grande fã de Rebecca Kuang, Donna Tartt, Maggie Stiefvater, V. E. Schwab e Holly Jackson. Todas são escritoras incríveis em quem eu me inspiro muito.

Mas talvez a minha maior inspiração seja Rick Riordan, o escritor que moldou a minha juventude com seus livros de adolescentes lutando contra monstros mitológicos e mergulhando em aventuras épicas

 

 

Artes Cênicas

"A menina e o Fim" traz três sessões gratuitas e terá bonecos gigantes em cena

Espetáculo apresentado hoje, amanhã e na sexta-feira, sempre às 20h, aborda perdas vividas na infância e o poder que há na arte como "possibilidade de existência"

14/10/2026 09h00

Segundo a criadora,

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos Foto: Marcelo Henrique

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Durante três dias de apresentação, o campo-grandense poderá acompanhar, entre hoje e sexta-feira, sempre às 20h, na sede do Grupo Casa, que fica no Bairro Amambaí, um espetáculo que traz mensagens profundas que passam por cenários de fugas, perseguições e perdas, em um verdadeiro grito de resgate à infância que envolve até mesmo bonecos gigantes em cena.

Escrito e dirigido por Ligia Tristão Prieto, sobre o texto, que tem uma década de existência, ela diz que sabia desde 2017 que “A Menina e o Fim” não sairia do papel à época.

“Tenho alguns textos que, quando eu escrevi de forma individual, no meu computador, sozinha, escrevendo esse texto, eu sabia que, ao escrevê-lo, eu não ia conseguir executar ele naquele momento, porque eu, enquanto diretora cênica, ainda precisava percorrer um caminho”, afirma Ligia. 

“A Menina e o Fim” nasce inspirado em relatos documentados sobre a fuga das irmãs Lispector da Ucrânia para o Brasil, ainda em 1922, por causa da Guerra Civil Russa, tentando escapar dos ataques violentos, batizados com o termo russo pogrom, que visavam massacrar, subjugar e expulsar a população judia do território. Entre as inspirações para o espetáculo estão textos como “No Exílio”, de Elisa Lispector, bem como a poesia sul-mato-grossense de Emmanuel Marinho, autor de “Margem de Papel”.

Ao Correio do Estado, Ligia destacou os pilares fundamentais que tornaram a execução deste espetáculo não somente possível atualmente, como também urgente para os dias contemporâneos. 

Segundo a criadora, “A Menina e o Fim” exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos, o que, ela afirma, precisa ser feito de forma muito delicada. 

BONECOS GIGANTES

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Nessa montagem, o público acompanha a jornada de fuga de Maria, que é interpretada por Kiohara, após a personagem perder seu lar e até mesmo seus familiares. Os bonecos gigantes surgem justamente para dar vida ao universo fantasioso e imaginário que servirá também de sustentação para a menina.

“A Maria vem e prova que é possível, sim, esses dois mundos coexistirem, que podemos ver o mundo com cor sem perder a noção da realidade”, cita Kiohara.

Ligia Prieto lembra que à época que o texto nasceu não havia, de fato, parceiros e pessoas profissionais suficientes para enfrentar a batalha de trazer o espetáculo à vida.

“Eu precisava lidar com a criação de bonecos gigantes, com uma trilha autoral muito específica, com uma iluminação autoral muito delicada. Essa estrutura toda... Olhava ao meu redor e pensava quem eram os profissionais que poderiam alcançar esse lugar também de criação. Precisava de artistas resistentes, inspirados, que pudessem se entregar de fato à criação do projeto”, diz.

Ela faz questão de frisar a criatividade de todas as partes, o que exigiu da mente por trás da obra toda uma trajetória a ser percorrida tanto como pessoa quanto como artista.

Ligia ressalta que as políticas públicas de incentivo à arte e à cultura que existiram nos últimos quatro anos foram o fator predominante para que essa e outros de seus textos para teatro e cinema pudessem ser colocados em cena, já que a execução de “A Menina e o Fim” foi viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) do Ministério da Cultura (Minc).

“Acho muito importante dizer que consigo também executar esse projeto hoje, e não há quase 10 anos, porque nos últimos quatro anos eu tive políticas públicas para a cultura e para a arte. Porque quando eu chego na montagem, na criação coletiva, aí eu estou falando de um grupo de pessoas. Esse projeto tem 26 artistas envolvidos, que precisam ser pagos, dedicar o trabalho deles a um projeto específico e mergulhar fundo na criação, na delicadeza desse espetáculo”.

Nesse quesito, as cabeças de papietagem dos personagens do primeiro ato são trabalhos de Sarah Caires e Said Danilo, enquanto Rafael Mareco assina a execução das cabeças gigantes que aparecem no segundo ato.

“O maior desafio aqui é construir grandes bonecos que sejam leves, expressivos e componham a cena de forma conjunta”, avalia Mareco, sobre a criação dos elementos cênicos.

Como comentou Ligia, a trilha sonora de “A Menina e o Fim” tem direção musical assinada por Sofia Maciel, que a executará ao vivo durante os três dias de apresentação, ao lado do maestro Eduardo Martinelli.
Renomado maestro, Martinelli lembra que tem certo costume de fazer trilhas sonoras, com trabalhos em documentários, curta-metragens e demais produções, mas afirmou ao Correio B que a execução ao vivo é muito diferente. 

“Porque a gente tem uma sensação de, além de criar a música, estar atuando. E sempre existem as nuances do fazer ao vivo, isso é uma coisa que diferencia muito de quando fazemos uma criação musical, gravamos e encaixamos em uma cena de filme ou o que quer que seja”, diz.

Martinelli também rememora a experiência que teve em um monólogo como ator, em São Paulo, há cerca de duas décadas, reforçando que a experiência com Sofia está lhe trazendo muitas sensações boas. Algo distinto do que está acostumado a viver, o maestro classifica a atual vivência como muito rica. 

“É uma sensação diferente a cada ensaio, a cada preparação. Já havia feito uma vez um monólogo do [Franz] Kafka [‘A Metamorfose’], mas faz muito tempo, já deve ter uns 20 anos ou mais, então, reviver essa experiência é muito interessante. E o mais rico e desafiador é tudo sendo executado ao vivo. Era sozinho, agora em dupla também torna a coisa diferente, a comunhão de fazer e executar. Para mim, por mais que tenha muita experiência com a música, porque só faço isso na vida [brinca], não deixa de ser uma sensação e uma situação nova”, complementa.

Como bem completa Sofia a respeito da trilha sonora, “A Menina e o Fim” emprega uma série de diversos instrumentos e sonoridades, que acompanham principalmente as mudanças vividas por Maria e ajudam a caracterizar propriamente cada personagem.

“Estamos usando instrumentos acústicos, percussões, sons produzidos pelo próprio corpo e pequenos motivos musicais que reaparecem em diferentes momentos. Na canção de Maria, por exemplo, temos um arranjo mais melancólico e introspectivo, que vai crescendo aos poucos. Já no encontro com o Rato, a proposta foi criar outra atmosfera, com uma sonoridade mais próxima do blues, trazendo humor, movimento e uma mudança na energia do espetáculo”, adianta. 

“A MENINA E O FIM”

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Sobre o espetáculo e sua mensagem, Ligia destaca que há uma necessidade urgente de se falar sobre infância, reforçando que esta etapa da vida é fortemente atravessada pelas escolhas tomadas na fase adulta. 

“Infelizmente ainda, no Brasil, a gente tem uma média de 64 crianças sendo abusadas por dia. Tivemos mais de um milhão de crianças ficando órfãs, perdendo parentes na pandemia. A gente ainda tem muitas sendo mortas na guerra. E como que a gente sustenta a imaginação de uma criança, a alegria e a construção sensível e poética da infância num país sem arte?”, questiona a diretora. 

Lançando luz sobre a importância da arte na infância, o espetáculo busca mostrar esse potencial da expressão artística como ferramenta para melhor elaborar as feridas, ressignificar situações e imaginar saídas para o que, muitas vezes, nas palavras da diretora, a gente entende ser o fim. 
“Enquanto escritora, poeta, era um texto que me atravessava, me atravessou muito”.

O espetáculo conta com produção de Zuri Oliveira e produção-executiva assinada por Jessica Santos, com Leonardo de Medeiros como assistente. A direção de arte e cenografia é feita por Rafael Mareco e assistência é de Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues. 

Maria encontra em sua jornada alguns personagens icônicos, como a boneca Buzuza, interpretada por Lethícia Rodrigues, o Rato, vivido por Tero Queiroz, a Borboleta, interpretada por Sofepoar Minott, e a avó em tamanho gigante, vivida por Zyan Nalrad (Anna Burton).

Os figurinos de “A Menina e o Fim” são assinados por Zyan Nalrad. No processo de montagem, o espetáculo contou com preparação de elenco de Lívia Lopes e preparação de equilíbrio de Bibi Gonçalves. A iluminação é de Anderson Lima.

O elenco é composto por: Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton). Alex Cavalheri assina a sonoplastia e a direção de som, enquanto Douglas Luiz aparece como diretor de palco. 

Por fim, Ligia revela ao Correio B um lado que há nas mensagens que tenta transmitir ao público, já que o cenário de fugas, perdas e perseguições se liga às realidades externas e internas do ser humano. Segundo Ligia, esse grupo de adultos, ao desenhar a trajetória dessa menina, foi percebendo as solidões que existem dentro de cada um. 

“Ao ver a história dessa menina que vai ficando sozinha, percebe a solidão que já causou em uma criança, a solidão dentro de si durante a infância, que nunca morre, essa perda constante que a gente sente, essa saudade que não sabe dar nome, que a gente sente dentro do peito. As perdas e o desejo de casa, de conforto, do amor, de amar e ser amado são sensações que atravessam toda a humanidade. Então, ali a gente torna esse espetáculo universal. É muito difícil fazer arte no País, ainda mais aqui em Mato Grosso do Sul. Então, quando a gente tem essa chance, parece que estamos vivendo um sonho”, conclui.

Com classificação livre, esse espetáculo, realizado na sede do Grupo Casa, terá interpretação em Língua brasileira de Sinais (Libras) feita pela Comunique Acessibilidade. A entrada é gratuita, mas é necessário reservar os ingressos na plataforma Sympla, em razão da capacidade do espaço.

Serviço: 

Espetáculo: “A Menina e o Fim”
Data: de hoje até sexta-feira.
Horário: às 20h. 
Local: Grupo Casa – Rua Visconde de Taunay, nº 306, Bairro Amambaí, Campo Grande.
Entrada: gratuita.

Ficha técnica

  • Direção e Dramaturgia – Ligia Tristão Prieto
  • Produção Executiva – Jessica Santos
  • Produção Geral – Grupo Casa Produções
  • Produção – Zuri Oliveira
  • Assistente de Produção – Leonardo de Medeiros
  • Direção de Arte e Cenografia – Rafael Mareco
  • Assistência de Arte – Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues
  • Cabeças de Papietagem Personagens Ato I – Sarah Caires e Said Danilo
  • Cabeças Gigantes Personagens Ato II – Rafael Mareco
  • Figurino e Beleza – Zyan Nalrad
  • Direção Musical – Sofia Maciel
  • Composição Musical Autoral – Ligia Tristão Prieto, Sofia Maciel, José Maciel e Eduardo Martinelli
  • Trilha Sonora – Eduardo Martinelli e Sofia Maciel
  • Elenco – Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton)
  • Preparação de Elenco – Lívia Lopes
  • Preparação de Equilíbrio – Bibi Gonçalves
  • Contrarregragem – Jessica Santos e Rafael Mareco
  • Sonoplastia e Direção de Som – Alex Cavalheri
  • Iluminação – Anderson Lima
  • Direção de Palco – Douglas Luiz
  • Interpretação em Libras – Comunique Acessibilidade
  • Assessoria de Imprensa – Mariana Castelar e Tero Queiroz
  • Assessoria de Comunicação – Hevo Mídia – Mario Oshiro e Paula Chermont
  • Social Media – Marcelo Henrique
  • Design Gráfico e Animação – Sudório

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Diálogo

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (14)

14/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Paulo Coelho - Escritor brasileiro

"Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia”.

FELPUDA 

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior votação para o Senado na história de Mato Grosso do Sul. O resultado consolida o ex-governador como presidente estadual do PL e principal liderança do partido no Estado. A legenda elegeu os dois senadores, três dos oito deputados federais, nove dos 24 deputados estaduais, e passa a ter a maior bancada sul-mato-grossense tanto na Câmara quanto na Assembleia. Na política, quem é bem votado não só se torna o “cacique da aldeia”, como também passa a dar as cartas. 

Diálogo

Especial

Entre os dias 26 e 30 deste mês, acontecerá a Mega Semana da Mega Sena. Serão cinco sorteios consecutivos correspondentes aos concursos 3076, 3077, 3078, 3079 e 3080.  A modalidade, em caráter especial, terá sorteios de segunda a sexta-feira, substituindo o calendário regular de concursos.

Mais

Após o encerramento dos concursos especiais, a Mega-Sena retomará seu calendário regular de sorteios e fará a abertura das vendas paralelas da Mega da Virada 2026, prevista para novembro. O limite de horário permanece o mesmo adotado nos concursos regulares.

DiálogoDra. Luciana Darrot - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoValentina Herszage - Foto: Lu Prezia

Bênção!

Nos bastidores, já ferve a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de MS. Duas correntes disputam o segundo posto político mais cobiçado do Estado, e não é à toa: a Casa administra mais de meio bilhão de reais, quantia que boa parte dos 79 municípios de MS nem sonha em ter no caixa. Só que ninguém se elege presidente da Assembleia sem a bênção do governo. E é quando a queda de braço costuma terminar sempre do mesmo jeito: chapa de consenso.

Vilã

A inflação ganhou força após a deflação registrada em agosto, subindo para 0,82% em setembro, apontam dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estimulada pela disparada dos preços das contas de luz, a variação é a maior para o mês desde 2021. Em 12 meses ela atingiu 4,58%, estourando novamente o teto da meta de 4,5% do Conselho Monetário Nacional.

Encolheu

Nem mesmo com votação recorde de Camila Jara, o PT conseguiu eleger dois deputados federais. Os seus companheiros não contribuíram para alcançar o quociente eleitoral. A diferença da votação de Camila de quase 155 mil votos para o segundo mais votado do PT é bem grande. Esse companheiro na disputa para Câmara Federal é Elias Ishy. Ele obteve apenas 18.045 votos. Não conseguiu conquistar a cadeira de Vander Loubet, que desistiu da reeleição para concorrer ao Senado. Como se vê...

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Colaborou com Tatyane Gameiro

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