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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino

"A Água na Caixa está aí para provar que se nós conseguimos inovar no mercado de água mineral, você pode inovar em qualquer mercado."

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Empreender é, antes de tudo, acreditar que é possível fazer diferente. É enxergar oportunidades onde muitos veem desafios, transformar ideias em atitudes e compreender que o sucesso de uma marca também pode ser medido pelo impacto positivo que ela deixa no mundo. Foi movida por essa visão que Fabiana Tchalian construiu sua trajetória no empreendedorismo e conquistou um lugar de destaque no cenário brasileiro, unindo inovação, propósito e sustentabilidade.

Com experiência em grandes empresas internacionais, como Procter & Gamble e Amazon, Fabiana percorreu os caminhos do marketing, dos negócios e do relacionamento com o consumidor antes de dar vida, em 2016, a um projeto que mudaria sua história profissional. Ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien, fundou a ÁGUA NA CAIXA®, uma iniciativa que nasceu com a proposta de repensar um hábito tão essencial quanto beber água. Em 2021, a marca lançou o que apresenta como a primeira água mineral carbono neutro do Brasil, apostando em uma embalagem reutilizável, 88% renovável e 100% reciclável.

Mais do que criar uma alternativa para o consumo de água mineral fora de casa, Fabiana abraçou o desafio de mostrar que escolhas cotidianas podem abrir caminhos para um futuro mais consciente. Sua jornada revela a força de uma mulher que transformou visão de negócios em um movimento de mudança, provando que inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas. Afinal, grandes transformações nem sempre começam com gestos grandiosos: às vezes, nascem de uma ideia, da coragem de acreditar nela e da disposição de fazer diferente todos os dias.

Nesta entrevista exclusiva ao Correio B+, Fabiana Tchalian fala sobre empreendedorismo, os desafios de construir uma marca com propósito, a importância da sustentabilidade nos negócios, família, escolhas, e a trajetória por trás da ÁGUA NA CAIXA®. Uma conversa sobre coragem, visão de futuro e a possibilidade de transformar o mercado — e a relação das pessoas com o planeta — a partir de escolhas que fazem a diferença.

A empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Fabiana, antes da empresária e CEO, quem é a mulher por trás dessa trajetória? Quais experiências de vida e pessoas foram fundamentais para formar a profissional e empreendedora que você é hoje?
FT -
 Antes de empresária e co-CEO, eu sou filha, eu sou irmã, eu sou neta, esposa e mãe. Eu sou tudo isso, antes do meu cargo. E em todas essas funções, eu vejo que existe um prazer muito grande em ser um bom exemplo, inspirar as pessoas. Inspirar as pessoas a serem boas filhas, boas irmãs, boas mães, boas empreendedoras e, principalmente, mostrar que é possível fazer tudo isso junto.

Não quer dizer que tudo isso vai acontecer perfeitamente ao mesmo tempo, mas que se esse for o seu sonho, você não deve desistir: Ah, eu sou mãe, então não vou conseguir empreender; ah, eu sou empreendedora, não vou conseguir casar agora'... Ou seja, é possível. Não é uma conta fácil, mas essa sou eu por trás dessa trajetória. Uma pessoa que adora ser um bom exemplo e que busca constantemente isso. Com muitas falhas ainda, mas sempre buscando ser um bom exemplo. É algo que eu aprendi em casa.

CE - Você construiu uma carreira em grandes empresas, como Procter & Gamble e Amazon. Em que momento percebeu que queria deixar o mundo corporativo para construir o seu próprio negócio? O que despertou esse desejo?
FT -
 Eu lembro que eu já estava há uns seis anos na P&G, eu namorava meu marido já na época, e eu, que sempre fui uma pessoa muito entusiasmada, cheia de coisas para contar, adorava compartilhar novidades sobre os meus projetos, sobre as questões da empresa, inovações, ativações e propagandas... De repente eu me peguei desanimada.

E eu até falei assim: 'Ah, acho que é um período, tal'. Voltei, me concentrei, e aí eu enxerguei: 'Não, não é temporário'. Ainda eu tentei mudar de empresa, eu fui para a Amazon e aí, depois de um tempo, realmente não era uma questão da empresa, porque eu mudei de empresa; era uma questão minha.

Ou seja, “dentro de mim”, um desânimo estava querendo me dizer que era tempo de colocar a minha energia em um novo projeto, na minha ideia da ÁGUA NA CAIXA®️, que já existia na época, mas que era hora de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

O que me fez perceber foi eu deixar de ser como eu sempre fui: animada, entusiasmada, cheia de energia. Quando eu vi que eu já não estava mais conseguindo ser esse entusiasmo todo dentro do mercado corporativo, eu senti que era o momento de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

CE -  Em 2016, você e Rodrigo Gedankien decidiram empreender e fundaram a ÁGUA NA CAIXA®️. De onde surgiu a ideia e o que fez você acreditar que aquele projeto poderia realmente se transformar em uma empresa?
FT -
 Em 2016 eu tive essa ideia em uma viagem para os Estados Unidos, na cidade de Salt Lake City, no estado de Utah. Fui tomar um café da manhã com o meu irmão, que hoje também trabalha com a gente na ÁGUA NA CAIXA®️. E lá eu tive, pela primeira vez, a oportunidade de ver uma água na caixa. Peguei uma água na caixa na mão e foi assim, instantânea a ideia, a possibilidade de fazer isso no Brasil.

Porque logo de cara, achei o produto muito bonito. Eu acho que esse aspecto de estética, de belo, de bonito, uma coisa assim de você olhar e falar: 'Cara, isso aqui dá vontade... não dá vontade de jogar fora, dá dó de jogar fora'.

Então esse aspecto do design foi o que realmente me chamou mais atenção e que me deu convicção de falar assim: 'Cara, não tem uma água tão bonita assim no Brasil'.

E o ser humano gosta muito de coisa nova, de coisa bonita, descolada. Vivemos indo atrás de coisas que nos representem, produtos que nos representem. Através da beleza do produto, você se sente representado. A gente está o tempo todo comprando isso através de tênis, roupa, carro... Hoje em dia as pessoas estão indo em cafeterias tomar cafés, milk-shakes, sorvetes...

O tempo todo procurando no produto, na experiência, no serviço, algo que te represente em inovação, em ser algo bonito, descolado. Então, logo que eu vi a caixinha pela primeira vez em 2016, eu já tive essa certeza de que daria certo.

CE - Empreender como mulher ainda traz desafios particulares? Você já sentiu que precisou provar mais sua capacidade ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher?
FT -
 Na minha experiência, eu não precisei me provar mais — a minha capacidade — ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher.

Nisso eu tive muita sorte de ter investidores que são pais, avôs... Eu tive muita sorte de ter pessoas por perto que entendem e compreendem esse espaço da mulher empreendedora que também é casada e quer ter filhos. Então eu nunca tive desafios em relação a isso.

Mas eu tive, sim, um desafio enorme porque a gente lançou a ÁGUA NA CAIXA®️ em 2021; a Sofia, minha primeira filha, nasceu em 2020, o José em 2022 e a Bianca em 2024. Foi um desafio enorme que eu nem imaginava: empreender na ÁGUA NA CAIXA®️ e empreender no maior “empreendimento da minha vida”, que é criar a minha família. Acho que o grande desafio foi fazer os dois juntos!

CE - A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir consumo, praticidade e sustentabilidade. Como transformar uma preocupação ambiental em um produto que também conquiste emocionalmente o consumidor?
FT -
 A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir inovação, experiência e sustentabilidade. E o que conseguimos fazer até hoje é transformar sustentabilidade — que hoje é um tema que muitas vezes existe um preconceito de ser algo chato, boring, o caro que não é descolado — no nosso grande desafio: transformar algo sustentável em algo também muito bonito, muito atraente, muito desejado, descolado... Esse não só foi, como é o grande desafio da ÁGUA NA CAIXA®️. Usar do aspecto de design, de estética, de inovação e de experiência para tornar um produto sustentável e desejado também.

CE - Em 2021, a empresa lançou a primeira e única água mineral carbono neutro do Brasil. Qual foi o momento mais desafiador dessa jornada e aquele em que você pensou: “agora conseguimos”?
FT -
 Acho que toda empresa nova deve passar por esse desafio que a ÁGUA NA CAIXA®️ passou, que me fez pensar: 'será que agora vamos conseguir?', que eu acho que é o aspecto de caixa. Ou seja, você como uma empresa nova, uma marca nova, precisa investir muito. Por outro lado, eu e o Rodrigo sempre fomos muito pé no chão em relação a isso.

E teve momentos em que a falamos: 'Cara, a gente precisa investir mais, mas a gente quer também proteger o nosso caixa, a gente não quer gastar mais do que a gente pode', mas tinham oportunidades na mesa que exigiam investimento...

São todas essas dúvidas que naturalmente irão aparecer na mesa do empreendedor e que trouxeram esse sentimento de: 'será que a gente vai conseguir agora?'. E nós conseguimos, e, estamos conseguindo! Acho que é uma questão de ter esses dois lados bem balanceados: investir e o guardar.

Eu e o Rodrigo na ÁGUA NA CAIXA®️ temos muito essa composição, que é fundamental para um negócio de sucesso. Ou, se é um empreendedor único, dentro dele precisa ter esses dois lados: um corajoso de investir, de empreender, de dar um passo sem você ter todas as páginas do livro preenchidas, mas também precisa do outro lado alguém muito pé no chão, muito responsável, muito prudente, sempre querendo minimizar os riscos da empresa. E é essa composição que eu e o Rodrigo fizemos para trazer a ÁGUA NA CAIXA®️ até o dia de hoje.

A empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Qual foi o maior erro ou aprendizado da sua trajetória como empreendedora? Existe alguma decisão difícil que, olhando hoje, acabou sendo essencial para o crescimento da empresa?
FT -
 Eu acho que o maior erro — mas que é muito difícil você chamar de erro —, é muitas vezes pelo medo de errar... Olha que interessante: pelo medo de errar, você acaba demorando para tomar decisões importantes para a empresa. Com o passar do tempo, essa demora causada pelo medo de errar se torna um erro que a gente gostaria de não ter errado.

Mas é uma equação muito complexa, muito difícil. Eu acho que a tomada de decisão rápida é o maior acerto de uma empresa. Eu gosto de falar sempre no positivo, não gosto de falar do negativo, do erro, do não. E qual foi o maior acerto que tivemos na ÁGUA NA CAIXA®️? Foi sempre que conseguimos tomar decisões importantes, conscientes e rápidas.

CE - Você está à frente de uma empresa, mas também de uma marca que carrega um propósito. Como conciliar liderança, resultados, inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores que deram origem ao negócio?
FT -
 Essa pergunta é muito boa, é sobre como conciliar e como alcançar altos níveis de liderança, altos níveis de resultados positivos, de inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores do negócio. Minha resposta é muito simples: se eu quero ir rápido, eu vou sozinha; se eu quero ir longe, eu preciso ir junto.

A única forma de eu conseguir manter o meu negócio com altos níveis de inovação, com uma boa liderança, com uma boa gestão, é só pedindo ajuda. E aqui, pedindo ajuda é: para o fundo que investiu na ÁGUA NA CAIXA®️, para os investidores que investiram na ÁGUA NA CAIXA®️, para os funcionários da ÁGUA NA CAIXA®️, para a minha rede de apoio,  — porque sem ela eu também não consigo dar o meu melhor para a ÁGUA NA CAIXA®️ — para os meus amigos que têm experiências de empreendedorismo e que podem colaborar comigo, para pessoas que trabalharam comigo na P&G ou na Amazon e que podem me ajudar nessa jornada...

Então, a única forma que eu acredito que pode dar certo nessa jornada empreendedora de segurar vários pratinhos lá em cima é só pedindo e contando com a ajuda da sua rede — você pode chamar de networking, amigos, família, funcionários e tudo mais. Só pedindo ajuda.

CE - Que conselho você daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho de empreender, mas ainda sente medo de dar o primeiro passo? O que você gostaria de ter ouvido quando começou?
FT -
 Essa pergunta é superdifícil de responder, que conselho daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho, porque foram muitos aspectos que juntos me deram condições de conseguir seguir o meu sonho de empreender. Mas eu vou focar naquele que dependeu só de mim.

Primeiro: não desistir. Porque se você tem um sonho de empreender, não desista. E o segundo é: faça tudo, faça tudo da melhor maneira possível, dê o seu melhor! Não faça pela metade, não faça uma conversa com meia energia, não assine um contrato que está 'meio bom'... Tente fazer, dê o seu máximo para fazer tudo da melhor maneira possível.

E não se compare! Ou seja: 'Ah, porque o fulano de tal está fazendo outra coisa que é melhor que o meu'. Não se compare. Você está fazendo o seu máximo, então segue em frente.

Resumindo: não desista e dê o seu melhor em todos os pequenos aspectos desse trabalho, desse empreendimento, dessa relação. Em conversas importantíssimas com grandes empresas ou em conversas simples com fornecedores, com pessoas com quem você se encontra, com clientes com quem você tem relacionamento: dê o seu melhor! Esse é o conselho que eu daria.

A empresária Fabiana Tchalian - Divulgação

CE - Como é conciliar vida pessoal e profissional? E como elas te inspiram?
FT -
 Conciliar a vida pessoal e profissional é um grande mestrado em gestão. Essa é a minha conclusão. Uma mãe de três filhos que também está empreendendo e tem um negócio bem-sucedido, ela tem um mestrado e pós-doutorado em gestão, pode ter certeza absoluta. Ela talvez pode não ter a expertise financeira muito específica, mas que ela consegue resolver qualquer problema que aparecer na frente dela, disso você pode ter certeza absoluta.

Minha frase aqui é: conciliar a vida pessoal e profissional tem sido um mestrado e um pós-doutorado em gestão. Gestão de pessoas, gestão de recursos, gestão de inteligência emocional...  Tem sido uma grande formação em gestão e isso me deixa muito feliz, porque eu tenho certeza absoluta que a ÁGUA NA CAIXA®️ é só o meu primeiro negócio, eu vou fazer muitos outros...

CE - Para terminar, olhando para tudo o que já construiu, qual é o seu grande sonho daqui para frente — para a ÁGUA NA CAIXA®️, para o empreendedorismo feminino e para a Fabiana como mulher?
FT -
O meu sonho daqui para frente é: primeiro, que meus filhos sintam orgulho de mim da mesma, da maneira como eu sinto orgulho da minha mãe, da minha avó. E eu sei que a minha mãe também sente orgulho da mãe dela. Isso é primordial para mim!

Que eu e meu marido sigamos muito felizes nesse nosso sonho de empreender dentro da nossa família! E que eu, como empreendedora, me torne investidora. Eu não vejo a hora de investir em outros empreendedores e empreendedoras, em outras ideias, e que eu possa colaborar como mentora, como conselheira — coisa que eu já comecei a fazer — para outras ideias que também me apaixonam.

E que, junto com tudo isso, eu também possa dar vazão a outras ideias que eu também já tenho e que estou guardando para o momento certo para poder me dedicar mais a esses novos negócios.

Fabiana ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien - Divulgação

 

Saúde Correio B+

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Hábito frequentemente associado à ansiedade pode causar danos permanentes ao esmalte dentário, sobrecarregar a mandíbula e aumentar o risco de infecções por bactérias presentes sob as unhas

10/10/2026 15h00

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas Foto: Divulgação

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Muito além de uma simples mania, roer unhas pode provocar danos permanentes à saúde bucal. O hábito, conhecido clinicamente como onicofagia, favorece o desgaste irreversível do esmalte dentário, pode alterar a mordida, sobrecarregar a articulação da mandíbula e aumentar a exposição da boca a bactérias presentes sob as unhas.

Frequentemente associado à ansiedade e a outros comportamentos repetitivos relacionados ao estresse emocional, o problema pode surgir em qualquer idade e, muitas vezes, evoluir de forma silenciosa. Como os danos costumam aparecer gradualmente, é comum que só sejam percebidos quando a estrutura dos dentes já foi comprometida.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Jose Daniela Delgado, especialista em GBT (Guided Biofilm Therapy) da EMS e especialista em Estomatologia e Odontologia Legal e Forense, a onicofagia não deve ser encarada apenas como um hábito estético.

“A onicofagia é um comportamento repetitivo frequentemente relacionado à ansiedade e que acontece de forma inconsciente. Não representa falta de controle ou fraqueza, mas uma maneira que algumas pessoas encontram para lidar com determinadas emoções. O problema é que, quando se torna frequente, pode causar consequências importantes para a saúde bucal”, explica.

Embora fatores como rotina acelerada, excesso de estímulos e estresse sejam frequentemente associados ao aumento da ansiedade, a especialista ressalta que não existe um único gatilho para esse comportamento.

“Cada pessoa manifesta a ansiedade de uma forma diferente. Assim como algumas comem compulsivamente, outras desenvolvem hábitos repetitivos, como roer as unhas. Por isso, é importante compreender a origem desse comportamento para tratá-lo adequadamente”.

Um dos principais riscos está no desgaste do esmalte dentário, camada responsável por proteger os dentes e que não possui capacidade natural de regeneração.

O atrito constante entre os dentes provocado pelo hábito acelera esse processo e pode comprometer permanentemente sua estrutura.

“Diferentemente da pele, o esmalte do dente não se regenera. Quando ele é perdido, não volta naturalmente. Dependendo da extensão do desgaste, o paciente pode precisar de restaurações, facetas ou coroas para recuperar a função e a estética dos dentes”, alerta.

Além do desgaste, a onicofagia pode favorecer pequenas fraturas dentárias, aumentar a sensibilidade e provocar alterações na mordida. O esforço repetitivo também sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, favorecendo dores, inflamações, estalos e alterações funcionais da mastigação, especialmente em pessoas que também apresentam bruxismo ou apertamento dental.

Outro risco pouco conhecido está relacionado à contaminação por microrganismos.

As unhas entram em contato diariamente com diferentes superfícies e acumulam biofilme bacteriano. Ao levá-las repetidamente à boca, esses microrganismos podem ser introduzidos na cavidade oral, aumentando o risco de infecções e desequilíbrios da microbiota bucal.

“As unhas acumulam bactérias presentes nas superfícies que tocamos ao longo do dia. Ao levá-las repetidamente à boca, aumentamos a exposição a microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal, favorecendo infecções e outros problemas de saúde”.

Além dos impactos físicos, a onicofagia é reconhecida pela comunidade médica como um comportamento repetitivo focado no corpo (Body-Focused Repetitive Behavior – BFRB). O transtorno está descrito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), da American Psychiatric Association, e integra o grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados. Revisões científicas também apontam associação entre o hábito e desgaste dentário, alterações na mordida, lesões gengivais, disfunções da ATM e maior exposição da cavidade oral a microrganismos potencialmente patogênicos. 

Para interromper o comportamento, a especialista destaca que simplesmente tentar parar de roer as unhas costuma não ser suficiente.

“Parar de roer as unhas sem tratar a causa costuma ser apenas uma solução temporária. É preciso identificar o gatilho emocional. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além de recursos odontológicos para proteger os dentes durante esse processo”.

Ela alerta ainda que muitas pessoas acabam substituindo a onicofagia por outros hábitos igualmente prejudiciais, como morder tampas de caneta, lápis ou outros objetos rígidos, o que pode intensificar o desgaste dentário.

Além do controle do comportamento, o acompanhamento odontológico periódico é fundamental para identificar precocemente sinais de desgaste e de acúmulo de biofilme. Nesse contexto, protocolos preventivos como o Guided Biofilm Therapy (GBT) permitem evidenciar o biofilme antes da remoção, tornando a limpeza profissional mais precisa e ajudando o paciente a compreender melhor sua condição e participar de forma mais ativa dos cuidados com a saúde bucal.

Para a Dra. Daniela, o principal alerta é não subestimar hábitos aparentemente inofensivos. “Quando um hábito começa a desgastar os dentes, alterar a mordida ou provocar dores na mandíbula, ele deixa de ser apenas uma mania e passa a ser uma questão de saúde. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores são as chances de evitar consequências permanentes”.

Pet Correio B+

Mudanças na pele e nos pelos estão entre primeiros sinais de envelhecimento nos pets

Além do aparecimento da pelagem branca, ressecamento e sensibilidade podem aumentar; chegada da nova fase exige adaptação dos cuidados

10/10/2026 14h00

Mudanças na pele e nos pelos estão entre primeiros sinais de envelhecimento nos pets

Mudanças na pele e nos pelos estão entre primeiros sinais de envelhecimento nos pets Foto: Divulgação

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Não existe uma regra que determine a idade em que os pets são considerados idosos, uma vez que o envelhecimento depende de porte, genética e estilo de vida. As mudanças na pelagem costumam ser um dos sinais mais visíveis, porém, não se limitam ao aparecimento de fios brancos: a pele tende a ficar mais seca e fina, enquanto os pelos podem perder brilho, densidade e maciez.

As alterações ocorrem devido à renovação celular, que pode se tornar mais lenta, assim como a diminuição na produção da barreira lipídica e as mudanças no ciclo folicular. Além dos resultados visíveis, a pele pode ficar mais sensível e o crescimento dos pelos, mais lento.

“O pet idoso pode apresentar uma barreira cutânea mais delicada e uma capacidade de recuperação menor. Banhos excessivos, produtos muito detergentes, água muito quente e principalmente secagens muito quentes podem remover excessivamente a proteção lipídica natural e favorecer ressecamento, sensibilidade e desequilíbrio da microbiota cutânea”, explica a médica-veterinária Nathália Starek, CEO da Vidaá Care.

Portanto, é necessário adaptar a rotina de higiene para garantir a saúde e o bem-estar integral. A frequência de banhos depende de cada animal, visto que alguns podem precisar de protocolos terapêuticos mais frequentes, enquanto outros podem tomar banhos de imersão mais espaçados.

Nos intervalos, a rotina de skincare deve seguir de acordo com as características individuais, com limpeza a seco e aplicação de séruns específicos.

“O maior erro é continuar fazendo tudo exatamente como quando o animal era jovem, ou ir ao extremo oposto e deixar de cuidar da pele porque ele envelheceu. O ideal é adaptar o cuidado para uma rotina com menos estresse e mais conforto, com produtos adequados, movimentos delicados e respeito aos limites de cada pet”, orienta Nathália.

A médica-veterinária destaca que nem toda alteração na pele e nos pelos são causadas pelo avanço da idade. Queda excessiva, alopecia, coceira, descamação intensa, odor ou mudanças abruptas na pelagem podem sinalizar também questões metabólicas, nutricionais ou hormonais, e devem ser investigadas.

Saúde integral

Além dos cuidados tópicos, cuidar do animal idoso exige um olhar integral. Sinais sutis como hesitação ao subir em sofás, dificuldade para se levantar e falta de disposição para passeios costumam ser atribuídos à “coisas da idade”, mas podem indicar dor e problemas articulares, por exemplo. 

Já a insegurança em ambientes escuros, esbarrões, dificuldade para encontrar objetos ou hesitação diante de degraus podem significar questões na visão. “Mudanças de sono, apetite, consumo de água, peso, disposição, interação social e comportamento merecem atenção. Nem tudo é simplesmente velhice e muitas mudanças físicas e de comportamento são condições que precisam ser diagnosticadas e tratadas para dar mais qualidade de vida”, afirma Nathália.

Além disso, a alimentação se torna ainda mais importante para os pets idosos. Isso porque o metabolismo e, consequentemente, a necessidade energética mudam. Paralelamente, a manutenção da massa muscular e do peso requerem mais atenção à qualidade das proteínas e ao aporte adequado de gorduras, fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes.

“A alimentação não deve ser pensada apenas como ‘encher o potinho’. Ela faz parte do cuidado diário e influencia na saúde intestinal e metabólica, na imunidade, na pele e na pelagem. O melhor alimento e complemento alimentar não é o que tem mais ingredientes, mas aquele que atende à necessidade daquele animal”, assinala Nathália.

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