Correio B

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Fábio de Luca destaque na TV, no streming e na internet

"O limite do humor, pra mim, é o limite do bom senso, e fazer novela tem sido, cada dia, um presente diferente".

Continue lendo...

O ator Fábio de Luca está estreando nas novelas em dose dupla. Ele está em “Êta Mundo Melhor”, na TV Globo, onde interpreta Sabiá, o detetive contratado para encontrar o filho de Candinho (Sergio Guizé, e em “Dona Beja”, recém-lançada na Max, onde vive o Coronel Tenório Madeira. Em paralelo, ele pode ser visto em participação especial na primeira temporada da série de sucesso “Pablo e Luisão”, no Globoplay, e no reality de humor “LOL: Se Rir, Já Era”, na Prime Video. Atualmente, o artista está gravando a nova temporada do humorístico “Volte sempre”, do Multishow.

Com 45 anos de idade e 27 de carreira, Fábio ganhou projeção na internet em 2014 ao integrar o elenco do canal Parafernalha, onde também atuou como roteirista. Em 2018, consolidou seu nome no humor nacional ao entrar para o elenco do “Porta dos Fundos”, onde permanece até hoje.

Em seu currículo estão ainda trabalhos no cinema, como "Juntos e Enrolados", "Ninguém é de Ninguém", "Vidas Partidas" e "Te Prego Lá Fora". No streaming, atuou em “Eleita” (Prime Video), no premiado “Se Beber, Não Ceie” (Emmy Internacional de Comédia, 2019), “LOL: Se Rir, Já Era” (2025), entre outros. Na TV, participou de produções como “Tô de Graça”, “Filhos da Pátria”, “Sob Pressão” e “B.O.”. No teatro, já atuou em diversos espetáculos cômicos e fez sua estreia no drama com a peça “Sedes”, em 2023.

Desde 2015, Fábio de Luca também comanda o canal “Amigos da Luz”, em que mistura espiritismo e humor. Ele ainda prepara uma oficina de interpretação e criação de personagem de comédia, prevista para o segundo semestre, no Espaço Cultural Amigos da Luz, no Rio.

O ator é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala de carreira, trabalhos e estreias.

O ator Fábio de Luca é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Vinicius Mochizuki - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fabio de Luca está estreando nas novelas em Êta Mundo Melhor, na Globo. Como tem sido essa primeira experiência ao longo desses meses?
FL -
 Tem sido, cada dia, um presente diferente. Além de ser algo que eu sempre quis, tive a sorte de fazer isso com uma equipe maravilhosa: desde o elenco à equipe técnica, todo mundo muito querido, que me recebeu de uma maneira muito acolhedora.

Eu, que venho de vivências em grupos bem menores, como o Porta dos Fundos e o Amigos da Luz, gelei quando me vi no meio daquele mundo sem fim. As dimensões de uma produção de novela da Globo são enormes... toda aquela estrutura fantástica que às vezes até intimida um pouco. Mas o ambiente sempre foi muito leve, graças à direção e aos colegas de cena. Enfim, é um presente a cada dia.

CE - Pode considerar essa oportunidade um divisor de águas da sua carreira?
FL - 
Ah, sim. Eu comecei fazendo teatro infantil nas escolas da Baixada Fluminense. Nossa, o que eu já apresentei de peça em CIEP, escolinha, escolona... tendo que trocar de roupa em banheiro, se apresentar em pátios de concreto puro, um calor de fritar ovo no chão.

Como pátio de escola geralmente é aberto, a gente tinha que se esgoelar pra ser ouvido e prender a atenção das crianças. E o público mais exigente que tem é o infantil: se eles não estão gostando, lascou, dispersam mesmo.

Comecei assim, e fui indo... teatro e mais teatro, depois YouTube. E graças a Deus, a Exu, e com muita sorte também, encontrando bons caminhos e bons parceiros, por aqui cheguei. Como diz o samba: "Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho..."

CE - Aliás, você levou 27 anos pra fazer uma novela, tendo já muito sucesso na internet e no Porta dos Fundos. O que notou de diferente ao atuar para a TV aberta?
FL -
 A primeira coisa diferente é o reconhecimento do público. É muito interessante ver como cada veículo atinge uma faixa etária e um grupo diferente de pessoas. Eu estava acostumado, há muitos anos, a ser abordado na rua por uma galera mais jovem, que curte YouTube e redes sociais.

Agora, quem tem me parado é a galera que encontro no sacolão, no mercado: pessoal já na melhor idade, com seus cabelos grisalhos, aquela turma do sofá maravilhosa que curte televisão. É um pessoal que quer parar para falar da novela, comentar a trama, é uma delícia. Mas tem também a própria maneira de trabalhar. No teatro é de um jeito, para gravar esquete no YouTube é outra pegada.

Na novela, o personagem tem muito mais desenvolvimento. Você não conhece todo o arcabouço dele logo de cara: isso vai se construindo à medida que a trama anda, por ser uma obra aberta. Então, sem dúvida, é uma forma de trabalhar que exige aptidões bem diferentes das que eu já tinha desenvolvido nos outros trabalhos.

CE - Você ainda pode ser visto em "Dona Beja", na Max, onde seu personagem se envolve com o da Grazi Massafera e faz até cenas de nudez. Como foi fazer essa sequência? Houve alguma preparação?
FL - 
Houve, graças a Deus! Porque eu estava apavorado. Quando recebi o convite, imagina: cena pelado com ninguém menos que Grazi Massafera. Essa deusa, esse orixá encarnado, essa Oxum maravilhosa, linda... Meu filho, minha filha, ou seja quem for: eu estava apavorado.

Só que chegando lá, só tinha profissional incrível, a preparadora de elenco, a diretora de intimidade... Essa trabalha exclusivamente na preparação de cenas desse tipo. Como "Dona Beja" tem muitas cenas de nudez pela própria história, essa pessoa tem uma função primordial.

Antes de trabalharmos a cena, tivemos um momento com ela para entender nossos limites: até onde a gente conseguia ir... como construir aquela cena sem que fosse constrangedor para ninguém. O set todo fica muito compenetrado, só fica presente quem precisa estar.

E aí estava eu, peladinho. Algumas cenas peladinho... mas eu, pela minha anatomia, pelado não fico exatamente pelado, porque a barriga meio que cobre as coisas todas. Então, eu pelado não estou pelado! Só a buzanfa de fora mesmo, mas a buzanfa já é de domínio público. A Grazi foi uma fofa, foi tudo delicioso. Meus amigos héteros estão todos morrendo de inveja... fazer o quê, né? Os astros estão do meu lado.

CE - Em paralelo, você segue com seus personagens, como o Baba Laricoxê, no seu Instagram. Como é o retorno do público? Pensa em levá-lo para algum projeto além das redes sociais?
FL -
 O Baba Laricoxê surgiu de uma brincadeira com os amigos no réveillon de 2024 para 2025. Postei no meu Instagram e foi um sucesso que eu nunca imaginei: um pai de santo muito louco, com um filtro vagabundo do Snapchat, e rendeu esse sucesso todo.

Com certeza, agora que a correria da novela está começando a dar uma diluída, já que estamos na reta final, pretendo dedicar um tempo maior ao Baba. Quem sabe levá-lo para um espetáculo solo ou junto com outros personagens. O certo é que, este ano, quero chegar ao teatro com um espetáculo de humor trazendo alguns dos personagens que pude testar no Instagram.

O ator Fábio de Luca é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Vinicius Mochizuki - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você tem uma trajetória no humor na internet, tendo feito parte do extinto Parafernalha e ainda segue no Porta dos Fundos. Como o trabalho na internet impactou sua carreira?
FL -
 A internet foi um turbo. Até então, como ator, a gente tinha só o palco para mostrar o trabalho. E isso com muita dificuldade, ainda mais quando você é um artista da Baixada, da periferia, que não tem a facilidade de estar em produções dos grandes teatros da Zona Sul nem o networking necessário para ser considerado nessas escalações.

Minha galera era a turma de artistas de Nova Iguaçu mesmo. E a internet surgiu como uma maneira de mostrar o trabalho para o grande público. Fui convidado para o Parafernalha como ator e roteirista, isso me deu visibilidade, e dali parti para outros canais, cheguei ao Porta dos Fundos. Foi escalando até eu chegar onde estou agora, que nem é lá essas coisas, mas é bem mais longe do que eu estava lá atrás. A internet revelou muita gente.

O Whindersson, imagina: quando é que um garçom do Piauí ia conseguir chegar onde ele chegou sem o YouTube e as redes sociais? Uma das maiores vantagens da internet é democratizar o acesso dos artistas ao grande público.

CE - E como enxerga os limites do humor hoje?
FL -
O limite do humor, pra mim, é o limite do bom senso. Quando deixa de ser engraçado para ser constrangedor, reforçar preconceito ou humilhar alguém, passou do ponto. O problema é que esse limiar é muito subjetivo: cada um enxerga essa fronteira num lugar diferente. Por isso existem as leis, e por isso o humor exige cada vez mais consciência de quem o faz.

Com equilíbrio, alguma inteligência emocional e resguardando a ironia e o aspecto transgressor do humor, não acho que o politicamente correto mate o humor, não. Acho que ele exige que o humor saia um pouco da superfície.

É muito mais fácil arrancar risada de alguém zoando uma característica física ou uma minoria do que construir uma situação realmente engraçada, com inteligência, que faça todo mundo rir sem deixar ninguém pra trás. Esse segundo caminho é mais difícil, e eu prefiro esse desafio. Humor bom nasce da observação, da identificação, da humanidade compartilhada. Não da exclusão.

CE - Hoje, vemos mais diversidade nas produções do audiovisual. Como você percebe essa abertura de espaço para artistas de todos os tipos de corpos?
FL -
 Existe mais espaço, sim. Mas ainda é pouco. Não dá pra fingir que não. Quando comecei, praticamente não se via gente gorda em papéis de destaque. Hoje já tem mais, mas ainda estamos longe do ideal. O olhar está mudando, e isso é real, mas é um processo lento porque boa parte de quem escala elencos ainda vem de uma geração que construiu seu pensamento numa realidade bem diferente.

Eu mesmo já ouvi comentários atravessados, já senti olhares que te medem mais pelo tamanho da calça do que pelo talento. Mas o que me move é saber que cada vez que um ator gordo, preto, gay ou qualquer combinação disso está numa posição de destaque na tela, ele está abrindo uma porta que antes estava fechada.

Não só pra ele, pra todo mundo que se enxerga nele. Isso tem um valor enorme. Estou otimista que as próximas gerações vão encontrar um cenário bem mais acolhedor.

CE - Fábio de Luca é muito conhecido por trabalhos no humor. Teme ficar estigmatizado? Pensa em fazer personagens de drama?
FL -
 Tenho vontade, sim, e já dei alguns passos nessa direção. No teatro, fiz "Sedes", do Wajdi Mouawad, mesmo autor de "Incêndios", onde interpretei Boon, um antropólogo forense carregado de traumas e complexidades. Foi um mergulho psicológico muito profundo, completamente diferente de tudo que eu estava acostumado a fazer na comédia.

Personagem denso, daqueles que te tiram da zona de conforto e te obrigam a lidar com silêncios e feridas emocionais pesadas. Adorei. Medo de estigma? Olha, eu sou um ator. O que eu posso controlar é a entrega do meu trabalho, dentro do que esperam de mim a cada projeto.

Não tenho poder sobre o resto, as oportunidades que virão, o mercado de trabalho. Então, o que vier, caio dentro! Até hoje tem pintado muito mais humor, mas seja o que for, o que não pode é parar de pintar!

CE - E quais os próximos trabalhos a caminho?
FL - 
Estou com o espetáculo da minha companhia, o "60 Minutos Para Morrer", uma comédia que mistura suspense e espiritualidade. Muito legal! E vamos fazer uma apresentação online desse espetáculo: qualquer pessoa, de qualquer lugar, vai poder assistir e interagir com a gente.

Pra saber mais é só acessar o site amigosdaluz.com. Quem quiser participar vai se divertir muito e ainda ajudar na nossa campanha de manutenção dos trabalhos do Amigos da Luz

Gastronomia Correio B+

Tábuas de corte: conheça os principais tipos e como higienizá-los corretamente

Especialista orienta sobre cuidados essenciais com tábuas de madeira, plástico, vidro e bambu para garantir segurança alimentar na cozinha

22/02/2026 10h30

Tábuas de corte: conheça os principais tipos e como higienizá-los corretamente

Tábuas de corte: conheça os principais tipos e como higienizá-los corretamente Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Presentes na rotina da cozinha, as tábuas de corte são utensílios estratégicos para o preparo dos alimentos, mas também podem se tornar focos de contaminação quando não higienizadas de forma adequada. Cada material exige cuidados específicos para evitar a proliferação de bactérias e o risco de contaminação cruzada.

O B+ falou com Jéssica Benazzi, nutricionista do Divino Fogão, reforça a importância de escolher corretamente o tipo de tábua e adotar práticas eficientes de limpeza e conservação, alinhadas às boas práticas de segurança alimentar, confira:

Tábuas de madeira
Tradicionais e muito utilizadas no preparo de carnes e legumes, as tábuas de madeira demandam atenção redobrada, já que sua superfície porosa pode absorver líquidos e resíduos. A recomendação é lavá-las imediatamente após o uso, com água corrente e detergente neutro, utilizando uma escova para alcançar os sulcos. Para higienização mais profunda, pode-se aplicar uma solução de água com vinagre ou bicarbonato de sódio. É fundamental deixá-las secar completamente em local ventilado, evitando o acúmulo de umidade.

Tábuas de plástico
Práticas e amplamente utilizadas no dia a dia, as tábuas de plástico são menos porosas, porém tendem a acumular microfissuras com o uso contínuo. Devem ser lavadas com água quente e detergente neutro após cada utilização e, sempre que possível, higienizadas com solução clorada própria para alimentos. A substituição periódica é indicada quando houver muitos riscos ou desgaste visível.

Tábuas de corte: conheça os principais tipos e como higienizá-los corretamente                                                 Tábuas de corte: conheça os principais tipos e como higienizá-los corretamente - Divulgação

Tábuas de vidro
Embora sejam fáceis de limpar e não absorvam resíduos, as tábuas de vidro exigem cuidado especial no manuseio. A higienização pode ser feita com água, detergente e esponja macia, seguida de enxágue abundante. Apesar da praticidade, esse tipo de tábua não é o mais indicado para uso frequente, pois pode danificar facas e comprometer a eficiência no preparo.

Tábuas de bambu
Consideradas uma alternativa sustentável, as tábuas de bambu apresentam menor porosidade em comparação à madeira tradicional. A limpeza deve ser feita logo após o uso, com água e detergente neutro, evitando longos períodos de imersão. A secagem completa também é essencial para preservar a durabilidade e evitar a proliferação de microrganismos.

Para mitigar riscos, a orientação é utilizar tábuas diferentes para alimentos crus e prontos para consumo, reduzindo a possibilidade de contaminação cruzada. A manutenção adequada desses utensílios contribui diretamente para a qualidade dos ingredientes e para uma operação mais segura na cozinha, seja no ambiente doméstico ou profissional.

“Tábuas mal higienizadas podem acumular bactérias como Salmonella e E. coli, especialmente após o corte de carnes cruas. Esses microrganismos sobrevivem em superfícies contaminadas e representam riscos significativos à saúde. A escolha correta do material, aliada a uma rotina de limpeza eficiente e à substituição no momento adequado, é uma medida simples, mas estratégica, para garantir segurança alimentar e preservar a integridade das preparações”, reforça a especialista.

Saúde Correio B+

Seu medicamento vale o que custa? Saiba mais!

A Farmacoeconomia ajuda você a entender todo esse processo

21/02/2026 16h30

A Farmacoeconomia ajuda você a entender todo esse processo

A Farmacoeconomia ajuda você a entender todo esse processo Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Durante muito tempo, bastava comprovar que um medicamento funcionava. A eficácia clínica era o principal argumento para conquistar espaço em prateleiras, protocolos e prescrições. Essa época passou. Em um mercado que deve alcançar US$ 1,9 trilhão até 2027, segundo o relatório The Global Use of Medicines 2023: Outlook to 2027, impulsionado sobretudo por inovações e pela adoção de terapias mais caras como biológicos e biossimilares, a pergunta deixou de ser apenas “funciona?” e passou a ser “vale o que custa?”.

Segundo Rodrigo Ferreira é Head de Negócios B2B da Interplayers, hub de negócios da saúde e bem-estar, reconhecida por suas iniciativas disruptivas e tecnologia de ponta., gestores de farmácias, hospitais e operadoras precisam equilibrar inovação e sustentabilidade.

"Eles não compram apenas promessas terapêuticas, mas impacto real no orçamento e nos resultados do sistema. Um novo medicamento para hipertensão pode controlar a pressão arterial com excelência, mas se entrega resultados semelhantes aos já disponíveis por um preço muito mais alto, tende a ser preterido. O mesmo ocorre em áreas como diabetes, oncologia ou doenças raras. A decisão não é emocional, é econômica", explica.

É nesse ponto que a farmacoeconomia deixa de ser um conceito acadêmico e se torna uma ferramenta estratégica.

"Ela mede o valor de um tratamento não só pelo desfecho clínico, mas pela relação entre custo, benefício e impacto ao longo do tempo. Estudos de custo-efetividade, custo-benefício ou custo por uso ajudam a responder perguntas que realmente importam para quem paga a conta: esse produto reduz internações? Evita complicações? Diminui a necessidade de consultas ou terapias adicionais? Gera economia no médio e longo prazo?"

Sem esse tipo de evidência, as negociações ficam frágeis. Pagadores passam a enxergar somente o custo imediato.

"Farmácias não conseguem demonstrar retorno sobre investimento. Produtos inovadores correm o risco de serem rejeitados ou limitados, mesmo quando oferecem vantagens terapêuticas claras. A ausência de dados transforma diferenciais clínicos em discursos abstratos e, em um ambiente cada vez mais orientado por métricas, discursos não sustentam preços".

A farmacoeconomia muda o jogo porque transforma dados em narrativa de valor. Com informações sobre comportamento de prescrição, custos de tratamento, desfechos clínicos e projeções de demanda, é possível construir uma história objetiva sobre o impacto econômico de um produto. Em vez de dizer que ele é melhor, passa-se a demonstrar que ele reduz gastos do sistema, melhora a jornada do paciente e contribui para a sustentabilidade do negócio.

"Imagine um medicamento para diabetes com o custo superior aos concorrentes. Um estudo pode mostrar que, ao melhorar o controle glicêmico, ele reduz significativamente internações por complicações, amputações e atendimentos de emergência. O preço deixa de ser um número isolado e passa a ser parte de uma equação maior, que inclui economia futura e qualidade de vida. O mesmo vale para suplementos, terapias preventivas ou tratamentos de uso contínuo. Dados de pirâmide de prescrição, por exemplo, permitem demonstrar crescimento de demanda, adesão e potencial de escala, oferecendo previsibilidade ao mercado".

Em um cenário de crescimento global entre 3% e 6% ao ano, puxado por terapias cada vez mais complexas e onerosas, não haverá espaço para decisões baseadas em promessas clínicas. O mercado exige provas de valor econômico. Produtos que não conseguem demonstrar impacto financeiro positivo tendem a perder relevância, mesmo sendo eficazes.

"Farmacoeconomia, portanto, não é apenas uma área técnica, mas uma mudança de mentalidade. Ela obriga a indústria a pensar além do laboratório e a dialogar com a realidade de quem precisa equilibrar orçamento, acesso e resultado. Quem aprende a traduzir eficácia em valor constrói relações mais sólidas com pagadores, amplia suas chances de incorporação e sustenta preços de forma legítima", finaliza.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).