Correio B

ENTREVISTA EXCLUSIVA

"O folclore não não vai se acabar com a globalização"

O Dia do Folclore Brasileiro, celebrado hoje, é uma data que nos convida a refletir sobre a importância de preservar e valorizar as tradições culturais que compõem a rica identidade nacional.

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Para dar voz a essa reflexão, o Correio B publica a seguir uma entrevista com a mestre Marlei Sigrist, figura icônica no campo do folclore em Mato Grosso do Sul e no Brasil, conduzida pela ensaísta Ana Maria Bernardelli, que integra a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL

Para começarmos, poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional, destacando os principais marcos que a levaram até a sua posição atual? Ao longo de sua carreira, quais foram os desafios mais significativos que você enfrentou? 

Eu posso contar a partir da convivência que tive, enquanto estudava na faculdade, com uma professora apaixonada pelo folclore, a exemplo, também, do que ela viveu e conviveu com o mestre maior Mário de Andrade. O despertar para os estudos do folclore nasceu naquele momento e se prorrogou até hoje.

Durante minha vida, tive que fazer algumas opções momentâneas para atuar em áreas paralelas, mas o folclore permeou todas elas. Quando fui admitida como professora na UFMS [Universidade Federal de Mato Grosso do Sul], tive de deixar as escolas de Ensino Fundamental/Médio para abraçar a carreira do magistério superior.

Foi, então, que um colega me perguntou o que eu pretendia fazer na universidade, além de dar aulas. Respondi que gostaria de propor projetos de pesquisa sobre o folclore em Mato Grosso do Sul, pois dispúnhamos de pouco material teórico sobre o tema.

Em uma resposta quase debochada, ele me disse que não encontraria nada por aqui, porque folclore não acontecia em MS. Então, esse foi um dos primeiros desafios que me propus a desvendar e encontrei muito material, o que mais tarde se transformariam em livros.

Ainda há muito material intacto a se pesquisar, venho formando pessoas que, timidamente, vão trazendo os resultados.

Ao mesmo tempo, nas últimas quatro décadas, também venho atuando em outras frentes, como folkcomunicação, literatura e, principalmente educação, criando, escrevendo e publicando, mantendo 
o folclore como o ponto principal das discussões.

Quais foram as realizações mais significativas em sua carreira no campo do folclore? Existe algum projeto ou pesquisa de que você se orgulha particularmente?

Creio que todas as realizações foram e são significativas, não gosto de fazer trabalho pela metade. Mas o conjunto de todas elas é mais importante para mim, porque significa que abri um caminho, antes inexistente, em Mato Grosso do Sul, o caminho da organização desse imenso universo chamado folclore.

Claro que em uma vida não conseguiremos entrar em todos os meandros da área, porém, algumas se mostraram mais favoráveis. Por exemplo, paralelamente às pesquisas, fui dando a conhecer os achados de então de maneira mais lúdica, mais palatável, como foi o caso de criar grupos de danças folclóricas que se apresentavam em eventos e nas cidades do interior de MS.

As apresentações sempre tiveram cunho pedagógico, porque o público era informado sobre as danças, as músicas e os ritmos, as regiões onde acontecem, e alguns elementos da história permeavam nossas falas e as roupas dos dançarinos. Às vezes, até exposições de imagens como fotografias eram informações que agregavam valor e reflexão.

Como você vê o papel da educação na preservação e na disseminação do folclore? Em sua experiência, qual é a importância de incluir o folclore no currículo escolar?

A educação tem o papel de difundir a valorização do folclore como fator importante na formação de cidadãos conscientes e culturalmente informados sobre as gerações que lhes precederam e a responsabilidade que eles têm em atualizar, no presente, o que será reprocessado no futuro.

Ao incorporar o estudo do folclore nos currículos escolares, os educadores têm a oportunidade de conectar os alunos com suas raízes culturais, despertando neles o orgulho e o respeito pela sua herança.

Além disso, vai ajudar a promover a tolerância e a compreensão intercultural, à medida que os alunos entram em contato com as tradições de outros grupos e aprendem a valorizar a diversidade cultural.

Essa prática não é apenas uma ferramenta pedagógica, mas também um meio de enriquecer o imaginário dos estudantes e de fortalecer o tecido social, cultivando um senso de pertencimento e de identidade coletiva.

O que você tem a dizer sobre suas principais contribuições para a formação de profissionais da educação na área de folclore? Poderia compartilhar experiências ou resultados de iniciativas que você liderou ou participou focadas na capacitação de educadores?

Penso que a publicação dos livros que tenho realizado, principalmente o que considero como carro-chefe, “Chão Batido”, que trata do folclore em MS; seguido de “Pantanal: Sinfonia de sabores e cores”, editado pelo Senac Nacional e que evidencia os hábitos alimentares do povo pantaneiro; e de “Mestres do Sagrado”, que entra no aspecto histórico e cultural na manutenção da Festa do Divino da família Malaquias – [todas essas obras] ferramentas para os educadores começarem a pensar o folclore na sala de aula.

Depois, tem as publicações de incontáveis artigos que disponibilizo para pesquisas, palestras, cursos e oficinas, realizados especialmente para professores a convite das secretarias de Educação ou das universidades.

Todos os anos, por meio da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore [CSMFL], são realizadas atividades abertas para as escolas, os professores e a comunidade em geral.

Outra ação também importante – e que continua sendo – foi a formação de grupos de danças folclóricas como o Sarandi Pantaneiro, levado ao ECO-92 [II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento] e aos festivais folclóricos na Bolívia e no Nordeste brasileiro.

Depois, a criação do Grupo Camalote, que já completou maioridade, 21 anos, se apresentando em vários estados brasileiros e montando diversos espetáculos, todos abertos às escolas – as quais sempre lotaram as casas de espetáculo.

Oportunidades de aprendizado sobre a história e a cultura regionais.[Ainda], grupos mirins de danças em várias escolas da rede pública de ensino, oportunidade de estudar mais o nosso folclore e estender esse conhecimento às famílias dos alunos.

E por fim, a Semana do Folclore, que chamamos de Estação Folclore de Agosto, que oferece cursos, oficinas, palestras, brincadeiras, contação de histórias do folclore, etc. – como está acontecendo nesta semana.

O que você considera essencial para a formação de uma nova geração de estudiosos e educadores comprometidos com a valorização do folclore?

É essencial que eles tenham muita sede de saber, que se disponham a ler muito, não somente livros, mas principalmente artigos acadêmicos em vários formatos, tendências e discussões sob diferentes ângulos e interfaces com diferentes áreas do conhecimento. Hoje, a maior produção teórica está nas revistas acadêmicas especializadas.

O estudo do folclore é muito abrangente e perpassa primeiramente pela própria teoria que dá embasamento para alçar outros voos ligados ao campo das religiões, da estética, da literatura, da psicologia, do imaginário, da botânica, da comunicação, da história, da sociedade em todas as suas manifestações culturais.

O folclore está lá, e são necessários olhos e expertise para trazê-lo à tona e estudá-lo. Se não, o olhar só recai sobre os mitos do saci, da mula sem cabeça, das crendices, e termina aí, sem discutir os meandros por onde passa, desde a criação do mito até as razões pelas quais sobrevive na contemporaneidade.

Como você definiria folclore em um contexto contemporâneo? A partir das suas pesquisas e experiências, como o conceito de folclore evoluiu ao longo dos anos, especialmente em um país tão diversificado quanto o Brasil?

O folclore, como todo aspecto cultural, é dinâmico, vai mudando e se atualizando conforme as necessidades dos grupos sociais. Entretanto, as expressões do folclore, que sobrevivem no meio social, carregam consigo a raiz de suas origens, muitas vezes com nova roupagem, porque atualizar é preciso.

Mas se elas estão aí presentes, é porque exercem uma função importante para as pessoas que as mantêm vivas. Então, o folclore é cultura viva – embora seja criado em um passado pelo povo, independentemente de classe social, etc. – e está presente na vida das pessoas, ou de forma mais contundente, ou simbolicamente, ou então na memória dos que se dizem distantes desse modo cultural, pronto a ser redescoberto e reavivado lá na frente.

A evolução dos estudos do folclore vem acompanhando as mudanças de paradigmas e tendências que a erudição estabelece ao longo dos tempos. Só o nome, por exemplo, já sofreu mudanças de acordo com as tendências de estudos que vêm acompanhando os grupos sociais.

É folclore porque esse foi o termo encontrado por seu criador, que se interessou em organizar os estudos, passando a ser aceito à terminologia “cultura popular” sugerida pela Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], pois nem todos os países conceituam a primeira palavra criada para defini-lo, principalmente países orientais, até chegar aos dias de hoje em que denominamos como patrimônio imaterial.

Estamos falando da mesma coisa, com olhares diferenciados e com enunciações que privilegiam ora alguns grupos, ora outros. E assim encontramos muitos outros conceitos e características do folclore atualizados na contemporaneidade.

Qual é o papel das novas tecnologias na preservação ou na transformação das tradições folclóricas? Como o folclore pode ser preservado em meio à crescente globalização e à digitalização das culturas?

As tecnologias ajudam muito as novas gerações a conhecerem o folclore de todas as partes habitáveis deste planeta, cada qual com suas identidades marcantes e prontas a mostrarem ao mundo o que têm de melhor em termos de tradição.

Para as comunidades que mantêm bem vivas as suas expressões, as tecnologias paulatinamente se transformam em ferramentas que melhoram suas condições de vida, de luta pela preservação e até de construção de seus fazeres e expressões folclóricas.

Podem fazer convites para a festa tradicional pelas redes [sociais], postar suas performances, criar seus próprios sites, possibilitando reuniões virtuais para decidirem os próximos passos na melhoria daquela expressão folclórica, enfim, são mil maneiras descobertas para participar do mundo globalizado.

Até velas virtuais por intenção aos mortos ou aos santos ou às novenas algumas comunidades vêm fazendo de maneira virtual, principalmente durante e após a pandemia [de Covid-19].

Por outro lado, ainda não abrem mão do encontro presencial, porque são nesses momentos que se fortalecem os laços de afeto, de fé, de compadrio, de reconhecimento enquanto grupo social.

As pessoas me perguntam se com a globalização o folclore vai acabar. Digo sempre que não, apesar do nivelamento cultural que a globalização proporciona e o massacre da indústria cultural sobre outras culturas, como observamos com culturas étnicas, de grupos específicos, cultura folclórica, por exemplo.

A cultura, por ser dinâmica, se adapta sempre que necessário, e no campo do folclore as pesquisas têm nos mostrado que ela está se fortalecendo, pois cada povo deseja mostrar o seu diferencial, não quer ser igual ao outro, tem orgulho de suas tradições e as estimula. Por se verem na telinha, os grupos fazem suas autocríticas, melhoram sua estética para apresentações artísticas, melhoram o vocabulário, etc.

O sincretismo cultural é uma característica marcante do folclore brasileiro. Qual a sua avaliação acerca da interação entre as tradições populares e as influências externas na construção da identidade cultural do Brasil?
 

Com certeza, os grupos migratórios carregam consigo suas culturas, e ao se estabeleceram em um determinado lugar de outra cultura, elas passam a interagir entre si. 

Com o tempo, podemos perceber que desse contato alguns elementos de ambas as culturas se fundiram, formando uma outra diferenciada. Claro que esse processo pode acontecer naturalmente ou impositivamente, gerando resistências. Não vou entrar nesse mérito agora, porque isso envolve vários tipos de relações.

O Brasil recebeu muitos povos diferentes, em meio a outros diferentes, que já existiam antes da colonização. Formou um rico caldeirão cultural, haja vista a diversidade cultural que exibe de norte a sul, de leste a oeste. Nós, aqui em Mato Grosso do Sul, fazemos fronteira com dois países e nos influenciamos mutuamente no campo da cultura. Esse processo de interação ocorreu na Europa, na Ásia, na África, há milênios e ainda não cessou.

Às vezes, as pessoas querem o impossível, a cultura pura de um lugar. Ela não existe. Desde que os humanos formaram seus grupos ainda nas cavernas, sempre migraram e puseram em contato culturas distintas.

O resultado mais imediato podemos observar na língua e seus sotaques, na culinária, na religiosidade, na organização de festas populares e seus personagens, nas histórias contadas atravessando gerações, nas formas de construção e nas técnicas artesanais. São muitos indícios que nos alertam para posterior pesquisa.
 

O folclore pode contribuir para o fortalecimento da identidade e da coesão social em comunidades marginalizadas? Você poderia compartilhar algum exemplo em que o folclore teve um impacto significativo no desenvolvimento comunitário?

O folclore é uma grande válvula de escape para comunidades marginalizadas. Entenda-se aqui que não é marginal, mas comunidades que estão à margem da cultura local, sem condições de usufruir, por vários motivos, de todas as vantagens que a sociedade oferece. Então, elas criam seus mecanismos de escape e recriam condições que lhe favoreçam.

De imediato, eu me lembro de três comunidades afrodescendentes mineiras que encontraram, no seu saber e fazer cotidianos, elementos para inseri-los dentro do que chamamos hoje de economia criativa.

Uma delas é a Comunidade dos Arturos, com suas festas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. Eles têm oficinas de confecção de tambores e outras oficinas e vendem seus produtos. Outra comunidade é da família Alcântara, formada pela grande família e pelos agregados que investiram na música, principalmente afro, apresentando-se enquanto coral em eventos importantes.

E a outra comunidade é das pequenas cidades do Vale do Jequitinhonha, que é a região mais pobre de Minas. Tem cânticos belíssimos de lavadeiras, de pescadores, de fazedores de coisas, cujo repertório o amigo Frei Chico descobriu quando chegou, ainda moço, naquela região.

Ele coletou os cantos, formou o coral, gravou as músicas, e eles cantam até hoje em eventos. Além disso, os artesanatos superelaborados também vêm daquelas comunidades, como a figura da noiva, tão cobiçada pelos turistas.

Em sua opinião, qual é o papel das políticas públicas na preservação e na valorização do folclore? Quais são as principais lacunas e oportunidades nesse campo no Brasil?

As políticas públicas desempenham um papel fundamental na preservação da cultura em geral. No campo do folclore, elas atuam como instrumentos essenciais para garantir que as tradições – desde a língua até as expressões artísticas e os patrimônios – possam ser protegidas. 

Sem elas, é sempre mais difícil para os grupos mantenedores do folclore, quando se trata, por exemplo, de grupos artísticos, embora esse saber possa ser recuperado mais à frente por uma nova geração.

O risco de desaparecer é mais provável sem políticas públicas que lhes deem sustentação. Com elas, criam-se proteção ao patrimônio, marcos regulatórios com leis apropriadas de preservação, há o estímulo às ações de revitalização de importantes tradições, de museus, de pontos de cultura que abrigam comunidades de folclore, há a inclusão de conteúdos do folclore nos currículos escolares e o incentivo ao turismo cultural onde predominam grupos de folclore com suas apresentações artísticas, artesanais, religiosas, etc.

Com isso, as leis ajudam a criar oportunidades de vendas dos produtos culturais, beneficiando comunidades 
e grupos de folclore. Porém, essas mesmas políticas no Brasil ainda castigam os fazedores de cultura popular com o peso da burocracia na hora de apresentarem seus projetos, quando muitos desistem de fazê-lo.

Para nós, aqui em Campo Grande, há 22 anos venho apresentando um projeto consistente aos maiores políticos, que até o momento nada fizeram para concretizar a cedência de um espaço físico para instalação de um centro cultural, a Estação Folclore. 

Ali prevemos funcionar biblioteca específica para atender alunos das escolas, cursos para professores, escola de danças folclóricas da nossa região – como já acontece em vários países – e um pequeno espaço de exposições temporárias de objetos do folclore, como se tem nos museus.

É o projeto que ainda precisa ser acolhido pelo município, pelas empresas, mas que ele se concretize com um espaço físico decente. Um espaço como esse é uma grande vitrine cultural para o município e para o Estado.

Como você imagina o futuro do folclore brasileiro? Quais tendências você acredita que moldarão a pesquisa e a prática do folclore nas próximas décadas?

Como já falei anteriormente, as tendências para pesquisas são ditadas muito mais pelas academias e universidades, porque os pesquisadores estão vinculados à ela. Como diz Zygmunt Bauman, estamos vivendo a era da sociedade líquida, e as tendências das nossas vivências, dos estudos, estão conectadas a essa ideia.

Existem inúmeras possibilidades de pesquisa, incluindo vieses diferentes e, às vezes, divergentes, em se tratando da área das humanidades. Cada pesquisador terá de achar o seu melhor caminho para chegar a um argumento final.

Na prática, o folclore estará presente no futuro com uma nova roupagem que a geração do momento resolveu revesti-lo, como tem sido ao longo dos séculos.

Que este 22 de agosto nos lembre da riqueza cultural que possuímos e da importância de celebrá-la, não apenas como uma homenagem, mas como um compromisso com a continuidade e o fortalecimento da identidade brasileira. Professora Marlei Sigrist, agradeço profundamente sua disponibilidade e as valiosas informações que compartilhou conosco. 

Suas experiências e percepções certamente enriquecerão nossa compreensão sobre o tema folclore. Foi um prazer conversar com você e espero que possamos ter outros momentos tão ricos no futuro. Muito obrigada!

(Ana Maria Bernardelli)

Cinema Correio B+

O que esperar do Emmy na noite de segunda-feira

Com favoritos definidos e prêmios já entregues, o Emmy ainda pode surpreender na noite de segunda-feira

12/09/2026 14h30

Com favoritos definidos e prêmios já entregues, o Emmy ainda pode surpreender na noite de segunda-feira

Com favoritos definidos e prêmios já entregues, o Emmy ainda pode surpreender na noite de segunda-feira Foto: Divulgação

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O Emmy será entregue na noite de segunda-feira, 14 de setembro, mas a premiação já começou. No último fim de semana, mais de cem categorias foram anunciadas na etapa antecipada da festa, antes conhecida como Creative Arts Emmy.

O resultado ajuda a medir a temperatura da votação e confirmou duas forças que chegam muito bem à cerimônia principal: The Pitt, entre os dramas, e Widow’s Bay, nas comédias.

Widow’s Bay saiu na frente com oito prêmios, incluindo fotografia, direção de arte e atriz convidada para Betty Gilpin. The Pitt conquistou quatro, enquanto Pluribus e DTF St. Louis também começaram a noite principal com algum fôlego.

Entre os resultados mais emocionantes, Rob Reiner recebeu postumamente o prêmio de Ator Convidado em Série de Comédia por The Bear, sob aplausos de pé. Ernest Harden Jr. venceu como Ator Convidado em Drama por The Pitt, enquanto David Harbour e Linda Cardellini ganharam como coadjuvantes de minissérie por DTF St. Louis.

Essas duas últimas categorias normalmente fariam parte da transmissão principal, mas foram retiradas da cerimônia deste ano. Para tentar manter o Emmy próximo das três horas de duração, a Academia antecipou cinco prêmios, entre eles os de ator e atriz coadjuvantes em minissérie.

A decisão gerou críticas porque justamente essas categorias costumam reunir intérpretes conhecidos, capazes de produzir alguns dos discursos mais memoráveis da noite. Encurtar a festa faz sentido, mas retirar artistas importantes do palco televisionado não parece necessariamente a melhor solução.

Entre os dramas, The Pitt chega como o nome a ser vencido. A série lidera o ano com 25 indicações e pode conquistar o segundo Emmy consecutivo de Melhor Drama. Noah Wyle também é novamente o favorito como Melhor Ator, embora Gary Oldman continue sendo uma ameaça permanente por Slow Horses.

A série britânica conquistou sua terceira indicação consecutiva na categoria principal e hoje já não pode mais ser tratada como uma produção de nicho, mas ainda enfrenta a força política e emocional de The Pitt.

Na disputa de Melhor Atriz Dramática, Rhea Seehorn pode finalmente transformar o enorme respeito da indústria em vitória por Pluribus.

Depois de atravessar os anos de Better Call Saul sem receber o prêmio que merecia, ela chega com uma personagem que depende menos de transformação física e mais daquela atuação contida, precisa e aparentemente simples que o Emmy tantas vezes demora a reconhecer.

Com favoritos definidos e prêmios já entregues, o Emmy ainda pode surpreender na noite de segunda-feiraCom favoritos definidos e prêmios já entregues, o Emmy ainda pode surpreender na noite de segunda-feira - Divulgação

A categoria de comédia é menos previsível. Hacks chega à despedida com Jean Smart favorita a vencer como Melhor Atriz pela quinta vez consecutiva, o que significaria ganhar por todas as temporadas da série. É difícil imaginar uma despedida mais perfeita, especialmente porque Deborah Vance e Jean Smart se tornaram praticamente inseparáveis aos olhos do público.

Para Melhor Comédia, porém, Widow’s Bay aparece como a grande ameaça. A série já demonstrou força nas categorias técnicas e pode repetir o tipo de varrida que transformou The Studio no fenômeno do Emmy anterior.

Matthew Rhys também chega fortalecido por Widow’s Bay, uma das séries do momento, enquanto Harrison Ford tenta conquistar seu primeiro Emmy por Shrinking. Aos 84 anos, ele se tornaria o vencedor mais velho da categoria de Ator Coadjuvante em Comédia.

É uma daquelas narrativas irresistíveis para qualquer premiação: um astro que não precisa mais provar nada, mas que ainda não tem aquela estatueta específica na prateleira.

O problema é que, depois de algumas temporadas marcadas por vitórias em bloco, o Emmy corre novamente o risco de apenas confirmar escolhas já anunciadas.

Prêmios envolvem qualidade, mas também campanha, política, timing e a necessidade de criar uma narrativa. Arte não compete de maneira objetiva, embora passemos horas fingindo que sim.

Com Mariska Hargitay no comando da apresentação, a cerimônia deve misturar previsibilidade, despedidas e homenagens. Minha aposta continua sendo The Pitt no drama, Jean Smart como a grande estrela da comédia e Widow’s Bay capaz de produzir a surpresa da noite.

Se os favoritos vencerem, o Emmy será uma confirmação. Se a votação se dividir, talvez tenhamos finalmente uma festa em que mais de uma série possa celebrar.

CULINÁRIA

Entenda as diferenças entre gelato e sorvete e veja receitas

Entenda as diferenças e veja receitas para combinar com a sobremesa; modo de preparo, temperatura, quantidade de gordura e até a presença de ar interferem na textura e na percepção dos sabores

12/09/2026 09h00

As principais diferenças entre o gelato e o sorvete estão na proporção dos ingredientes, quantidade de ar incorporada e, consequentemente, intensidade no sabor

As principais diferenças entre o gelato e o sorvete estão na proporção dos ingredientes, quantidade de ar incorporada e, consequentemente, intensidade no sabor Pexels

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Na hora de escolher uma sobremesa gelada, é comum colocar gelato e sorvete na mesma categoria. Afinal, ambos são cremosos, doces e consumidos frios.

Apesar da aparência semelhante, porém, os dois produtos podem apresentar diferenças importantes na composição, no processo de fabricação e até na temperatura em que chegam à mesa. Essas características ajudam a explicar por que o gelato costuma ter textura mais densa e sabor mais concentrado.

A diferença começa ainda na receita. De acordo com o nutricionista André Facchin, da Gelato Borelli, o gelato tradicional costuma ser elaborado com uma proporção maior de leite e menor quantidade de creme de leite.

A composição pode resultar em um produto com menor teor de gordura do que alguns sorvetes convencionais.

“A principal diferença está na receita e na fabricação. De forma geral, o gelato tradicional é preparado com maior proporção de leite e menor quantidade de creme de leite, resultando em um teor de gordura inferior ao encontrado em muitos sorvetes convencionais. Além disso, durante a produção, incorpora menos ar à mistura, o que confere uma textura mais cremosa e consistente, além de realçar o sabor dos ingredientes”, explica.

Isso significa que a diferença não está simplesmente no nome dado à sobremesa. O processo pelo qual a mistura passa interfere diretamente na estrutura do produto.

Entre os pontos que ajudam a distinguir as duas preparações estão a quantidade de ar incorporada, a proporção de ingredientes utilizados, a temperatura de armazenamento e serviço e a escolha das matérias-primas.

MAIS OU MENOS AR

Um dos aspectos que passam despercebidos pelo consumidor é a quantidade de ar presente na sobremesa.

Durante a fabricação, a mistura pode incorporar ar, o que modifica volume, peso e textura. Nos sorvetes industrializados, essa incorporação tende a ser maior, enquanto o gelato artesanal apresenta uma estrutura mais densa.

Na prática, isso significa que uma porção de gelato pode parecer menor em volume quando comparada a uma porção de sorvete, mas, ainda assim, apresentar bastante intensidade de sabor. A estrutura menos aerada faz com que os ingredientes estejam mais concentrados na preparação.

“Essa menor incorporação faz com que o gelato apresente maior concentração de sabor e uma cremosidade característica, permitindo que os ingredientes sejam percebidos de forma mais intensa”, afirma Facchin.

A característica também ajuda a explicar uma das diferenças mais perceptíveis durante o consumo. Em vez de uma textura mais leve e aerada, o gelato apresenta consistência cremosa e compacta. A sensação na boca é resultado não apenas dos ingredientes, mas de todo o processo de produção.

Por isso, o sabor de uma fruta, do chocolate ou de outros ingredientes utilizados na receita pode aparecer de maneira mais evidente. Quanto maior a concentração de determinados componentes, maior tende a ser a percepção de suas características.

É importante, no entanto, não transformar essa diferença de fabricação em uma regra absoluta para todos os produtos disponíveis no mercado. Existem diversas formulações de sorvete e de gelato, e a composição varia conforme a receita, o fabricante e o método de produção.

VARIAÇÃO DE TEMPERATURA

Outro fator que interfere na percepção é a temperatura. Gelato e sorvete não são necessariamente servidos nas mesmas condições, e isso influencia diretamente a maneira como o paladar identifica sabores e aromas.

Em geral, o gelato é servido próximo de -15°C, enquanto muitos sorvetes são armazenados em temperaturas próximas de -20°C. Embora alguns graus possam parecer uma diferença pequena, a temperatura tem papel relevante na experiência sensorial.

“Quando um alimento está muito gelado, nossa percepção de aromas e sabores diminui. Como o gelato é servido em uma temperatura ligeiramente mais alta, ele favorece uma experiência sensorial mais rica, permitindo identificar melhor as características de cada ingrediente”, destaca o nutricionista.

Isso acontece porque o frio intenso pode reduzir temporariamente a percepção do paladar e dos aromas. É por esse motivo que uma sobremesa retirada diretamente de um congelador muito frio pode parecer menos saborosa nos primeiros momentos.

À medida que a temperatura aumenta ligeiramente, os sabores tendem a se tornar mais perceptíveis.

No caso do gelato, a temperatura de serviço é pensada para preservar a consistência e, ao mesmo tempo, favorecer essa percepção. A sobremesa chega à colher suficientemente firme para manter sua estrutura, mas sem estar tão congelada a ponto de dificultar a identificação dos sabores.

Essa característica também muda a forma como a sobremesa pode ser apreciada. Em vez de simplesmente consumir algo gelado para refrescar, o gelato pode ser degustado observando textura, aroma e sabor de cada ingrediente.

DO POTE AO PRATO

Embora o gelato costume ser consumido sozinho, servido em copinho ou casquinha, ele também pode entrar em preparações mais elaboradas. A sobremesa gelada combina com frutas, bolos, biscoitos e outras receitas quentes ou em temperatura ambiente.

A combinação entre temperaturas diferentes, inclusive, pode criar uma experiência interessante. Um bolo recém-saído do forno servido com uma bola de gelato, por exemplo, coloca lado a lado a massa quente e a sobremesa fria.

O contraste também funciona com frutas assadas, tortas e algumas preparações com chocolate.

Nesse caso, a escolha do sabor do gelato pode transformar completamente o resultado. Sabores mais neutros, como baunilha ou creme, combinam com frutas e sobremesas de chocolate. Já opções com frutas podem equilibrar receitas mais doces e densas.

Para quem quer aproveitar o gelato em casa, algumas combinações simples podem transformar a sobremesa sem exigir técnicas complicadas.

As principais diferenças entre o gelato e o sorvete estão na proporção dos ingredientes, quantidade de ar incorporada e, consequentemente, intensidade no saborBrownie de chocolate com gelato de baunilha - Foto: Pexels

Brownie de chocolate com gelato de baunilha

Ingredientes:

  • 150 g de chocolate meio amargo;
  • 100 g de manteiga;
  • 3 ovos;
  • ¾ de xícara (chá) de açúcar;
  • ½ xícara (chá) de farinha de trigo;
  • 2 colheres (sopa) de cacau em pó;
  • 1 pitada de sal;
  • Gelato de baunilha para servir.

Modo de Preparo:

> Derreta o chocolate com a manteiga em banho-maria ou no micro-ondas, mexendo a cada 20 segundos para evitar que o chocolate queime. Em outro recipiente, misture os ovos e o açúcar. Acrescente o chocolate derretido com a manteiga e mexa até obter uma mistura uniforme.

Adicione a farinha, o cacau e o sal, misturando apenas até incorporar os ingredientes. Transfira a massa para uma forma pequena forrada com papel-manteiga e leve ao forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 20 minutos a 25 minutos.

O brownie deve ficar assado nas bordas e ainda úmido no centro. Espere alguns minutos antes de cortar e sirva uma fatia ainda morna com uma bola de gelato de baunilha.

As principais diferenças entre o gelato e o sorvete estão na proporção dos ingredientes, quantidade de ar incorporada e, consequentemente, intensidade no saborAffogato simples - Foto: Pexels

Affogato simples

Ingredientes:

  • 1 bola de gelato de baunilha ou creme;
  • 1 dose de café espresso quente.

Modo de Preparo:

> Coloque o gelato em uma xícara ou taça pequena. Prepare o café espresso e despeje imediatamente sobre a bola de gelato. Sirva em seguida.

A receita combina a temperatura do café com a do gelato e também contrapõe o amargor do café à doçura da sobremesa. Para variar, é possível utilizar gelato de chocolate, avelã ou caramelo.

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