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COLUNA CRÔNICA

Para todo mundo ver

Com ótimas atuações, “Amor de Mãe” reapresenta porção atriz de Regina Casé para o grande público
10/03/2020 23:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Regina Casé desenvolveu uma sólida carreira como apresentadora ao longo dos últimos anos. Para boa parte do público mais jovem, a principal imagem dela no vídeo era ao lado de seus pares entrevistando e promovendo misturas em programas como o “Muvuca”, “Central da Periferia” e, em especial, o “Esquenta!”, que ficou no ar entre 2011 e 2017. Presença esporádica em séries, como a elogiada “Som e Fúria”, e filmes, como o premiado “Que Horas Ela Volta?”, o futuro de Regina parecia incerto na tevê, até que ela aceitou o convite para retornar às novelas em “Amor de Mãe”. Quase 20 anos depois da controversa “As Filhas da Mãe”, Regina mostra na pele da amorosa Lurdes não só seu poder de comunicação, mas a riqueza de sua atuação em revisitar o papel de uma humilde e batalhadora mulher nordestina, um tipo recorrente em sua trajetória como atriz, de forma diferente e totalmente naturalista. É nítido que o texto de Manuela Dias tem o realismo como base, mas na embocadura de Regina, os diálogos da novela levam o telespectador a uma viagem pelo Brasil profundo e maternal. Com digressões, pausas e caretas, Regina vai além da caricatura ao propor uma personagem de fácil identificação, mas complexa em seus dilemas.

É por isso que mesmo com o bom desempenho de Taís Araújo e Adriana Esteves, intérpretes de Vitória e Thelma, respectivamente, “Amor de Mãe” é toda de Regina. Seja por excesso de drama ou de enrolação, é para o núcleo de Lurdes que a novela retorna quando quer de fato segurar o público. Sem guardar segredos e a todo momento promovendo reviravoltas, Manuela deixou nas mãos de Regina um dos únicos elos da trama com os novelões mais tradicionais: o mistério sobre a identidade de Domênico, o filho da protagonista que foi vendido pelo próprio pai no início da história. O gancho da busca pelo filho perdido é batido e foi desenvolvido como uma espécie de “quem matou?” mais atualizado. Toda o apelo em torno dessa procura poderia se tornar uma grande e enfadonha confusão nas mãos de uma atriz com poucos recursos ou extremamente dependente do que está escrito. Inteligente, Regina segura as pontas soltas do roteiro e ainda reforça a humanidade de Lurdes a partir da linha tênue entre o desespero e a esperança que regem a personagem. Reforçam o brilho das sequências a direção segura de José Luiz Villamarim, a câmera manual de Walter Carvalho que aproxima o público da ação e a bela trilha sonora selecionada para a atual trama das nove.

Mesmo depois de algumas alterações artísticas para deixar “Amor de Mãe” menos requintada, a novela ainda exibe qualidade técnica pouco vista nas produções atuais, onde os primeiros capítulos ostentam estilo e orçamento e o resto da trama é desenvolvido em estúdio de forma desinteressante. Apesar das reviravoltas e ajustes no texto, a estética da trama permanece unificada e equilibrando gravações internas, externas e cidade cenográfica de maneira eficiente. Antes sem um vilão definido, agora a novela caminha para um melodrama mais tradicional. Além de Thelma, Álvaro, Leila e Penha, personagens de Irandhir Santos, Arieta Corrêa e Clarissa Pinheiro, surgem como principais algozes do enredo, em antagonistas carregados de justificativas e desempenhos que respeitam a boa escalação da trama. Próximo do capítulo 100 e já estacionando sua média em torno dos 30 pontos no Ibope, “Amor de Mãe” não será um sucesso arrebatador de público, mas mostra à Globo que audiência nem sempre é tudo.

 

Amor de Mãe” - de segunda a sábado, às 20h.

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.