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PARANÁ

Passeio em trem de luxo
é viagem no tempo

Passeio em trem de luxo
é viagem no tempo

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Muito comuns na Europa, as viagens de trem no Brasil são cada vez mais raras. Porém, quem opta por este tipo de passeio se depara com paisagens deslumbrantes, além do gostinho de saber como era este tipo de transporte em séculos passados. Um destes passeios de trem, que está entre os principais do País, apesar da quase inexistente malha ferroviária, é o que faz a rota Curitiba-Morretes, no Paraná – há alguns anos, chegava até Paranaguá.

Segundo passeio mais procurado no estado, perdendo apenas para as Cataratas do Iguaçu, a viagem de trem para Morretes é um daqueles programas imperdíveis. São pouco mais de três horas de passeio por uma das ferrovias mais antigas do País, cortando túneis, pontes e descendo a Serra do Mar, que, com tranquilidade, revela seu desenho e apresenta as belezas da maior reserva de Mata Atlântica contínua de todo o território nacional.

O trem sai de Curitiba e é operado pela Serra Verde Express. Os vagões têm boa estrutura e oferecem os serviços básicos, como banheiro e distribuição de um lanche simples. Durante todo o tempo, um guia dá informações históricas de cada lugar, com fatos interessantes que envolvem a ferrovia.

No trajeto, estão 13 túneis e o mais longo deles tem 500 metros. Há ainda algumas pontes, sendo a mais impressionante a que fica sobre o Rio São João. Esse viaduto tem 112 metros de comprimento e um vão principal que chega a 55 metros de altura. Importado da Bélgica, ele se destaca em meio à vegetação que cobre toda a Serra.

Para fazer o trajeto, há opções diferenciadas de vagões – classe turística simples, vagão camarote e o imperial; o outro é a litorina (como aquela que, anos atrás, ia até Corumbá). Na classe turística, a mais simples (a partir de R$ 125, só ida), há banco estofado e lanche simples; tanto o  vagão camarote quanto o imperial saem a R$ 235 por pessoa (só ida), com bebidas à vontade e minicafé da manhã. O camarote oferece cabines para até 4 pessoas. Já no carro imperial o passageiro se sentirá como nos vagões-restaurantes da década de 1930.

A litorina é o primeiro trem de luxo do Brasil e o único do mundo com sistema automotriz. São três opções de carros, todos com ar-condicionado: o Foz do Iguaçu segue o estilo neoclássico e é inspirada na fauna e na flora da Mata Atlântica; o Copacabana, também neoclássica, resgata elementos que remetem ao calçadão da Cidade Maravilhosa; o Curitiba tem decoração mais moderna, com símbolos que fazem referência à capital paranaense (R$ 265). Crianças pagam preço diferenciado. 

EM MORRETES

Quem viaja no trem que sai da Rodoferroviária de Curitiba conhecerá Morretes, uma das cidades mais charmosas do litoral paranaense. Dona de casarões bem preservados e onde é servido o famoso barreado, a cidade tem aquele clima gostoso de interior: o Rio Nhundiaquara corre lentamente enquanto alguns moradores veem o tempo passar sentados nos bancos das praças.

Vivendo basicamente da agricultura e do turismo, Morretes tem um atrativo a mais: quem vai de carro para lá passa por uma das estradas mais lindas do País. Antigo caminho dos índios que desciam a serra para pescar no litoral e depois subiam, na época do pinhão, a Estrada Graciosa corta a Serra do Mar em um zigue-zague majestoso por 33 quilômetros.

Na cidadezinha, a Ponte Velha é um dos cartões-postais. Mas há também as construções do centrinho, o Hotel Nhundiaquara – que hospedou Dom Pedro II quando esteve por lá – e a Igreja Matriz, todas no melhor estilo colonial para nos levar de volta ao passado.

Para quem estiver com tempo, dá para aproveitar o Santuário Nhundiaquara com suas piscinas naturais, cachoeiras e trilhas. Esse parque, com 400 hectares de extensão, tem uma ótima infraestrutura para receber turistas.

Nessa região, também está o Parque Estadual Pico do Marumbi. Ele tem 64 quilômetros quadrados e suas terras se estendem pelos municípios de Morretes, Piraquara e Quatro Barras. Muitos turistas vão até lá para escalar o pico que dá nome ao parque. Com 1.547 metros de altura, ele proporciona muita adrenalina nas escaladas e em muitas outras modalidades, com diferentes graus de dificuldade.

Em Morretes, tudo lembra banana. O principal prato da cidade – o barreado – é servido com a fruta. Os doces da sobremesa têm banana. Na chegada da estação, as barraquinhas vendem banana frita em saquinhos. Até a cachaça tem cheiro e gosto de banana. 

VAGÃO DE LUXO

Um novo vagão ferroviário de luxo, com uma varanda panorâmica, será inaugurado na rota entre Curitiba e Morretes.

Produzido originalmente em 1954, o carro de passageiros, que será colocado em operação a partir de março, foi comprado em um leilão em Vitória (ES) e batizado de Barão do Serro Azul. Terá capacidade 
para transportar 32 passageiros.

O nome é uma homenagem a Ildefonso Pereira Correia (1849-1894), maior produtor de erva-mate do mundo e que foi morto durante a Revolução Federalista na Ferrovia Paranaguá-Curitiba.

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Cinema B+: 10 filmes para assistir no Natal de 2025: entre novidades e clássicos eternos

Sugestões da nossa colunista de cinema para o fim de ano que equilibram conforto, repetição afetiva e algumas boas surpresas do streaming

20/12/2025 14h30

Cinema B+: 10 filmes para assistir no Natal de 2025: entre novidades e clássicos eternos

Cinema B+: 10 filmes para assistir no Natal de 2025: entre novidades e clássicos eternos Foto: Divulgação Prime Vídeo

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Há anos encerro o ano com dicas de filmes e séries para atravessar o fim de dezembro — e quem acompanha minhas colunas já sabe: Natal, para mim, é revisitar o que já amo. É ritual, repetição afetiva, memória acionada pela trilha sonora certa ou por uma história que já conhecemos de cor. Por isso, a lista tende a mudar pouco. Não é preguiça. É escolha.

Existe um mercado fonográfico e audiovisual inteiro dedicado ao Natal, que entrega, ano após ano, produtos descartáveis, previsíveis e — ainda assim — confortantes. Eles existem para preencher o silêncio entre uma refeição e outra, para acompanhar casas cheias, para oferecer finais felizes sem exigir atenção plena. Em 2025, esse mercado deixa algo ainda mais claro: o Natal virou um ativo estratégico — e estrelas ajudam a sustentá-lo.

De blockbusters de ação a comédias familiares e retratos mais irônicos do cansaço emocional, as produções do ano revelam diferentes formas de explorar a mesma data. E, como toda boa tradição de fim de ano, a lista também abre espaço para um clássico que, mesmo não sendo natalino, atravessa gerações como parte indissociável desse período

Operação Natal Amazon Prime Video
Aqui, o Natal é tratado como evento global, literalmente. Operação Natal aposta em ação, fantasia e ritmo de blockbuster para transformar o dia 25 de dezembro em cenário de missão impossível. Tudo é grande, barulhento e deliberadamente exagerado.

É o exemplo mais claro do Natal-espetáculo. O filme existe como veículo de estrela para Dwayne Johnson, que transforma a data em entretenimento de alta octanagem, longe de qualquer delicadeza afetiva.

Um Natal Surreal Amazon Prime Video
Neste filme, o Natal deixa de ser acolhimento para virar ponto de ruptura. Michelle Pfeiffer interpreta uma mulher que decide simplesmente desaparecer da própria celebração depois de anos sendo invisível dentro da dinâmica familiar. O gesto desencadeia situações absurdas, desconfortáveis e reveladoras.

A presença de Pfeiffer requalifica o projeto. Não é um Natal infantilizado, mas um retrato irônico do cansaço emocional, da maternidade esvaziada e da pressão simbólica que a data carrega.

A Batalha de Natal Amazon Prime Video
O Natal volta ao território da comédia familiar clássica. Eddie Murphy vive um pai obcecado por vencer uma disputa natalina em seu bairro e transforma a celebração em um caos crescente de exageros, erros e humor físico. Murphy opera no registro que domina há décadas. É o Natal como bagunça coletiva, desenhado para virar tradição doméstica e ser revisto ano após ano.

My Secret Santa Netflix
Uma mãe solteira em dificuldades aceita trabalhar disfarçada de Papai Noel em um resort de luxo durante o Natal. O plano se complica quando sentimentos reais entram em cena. O filme cumpre com precisão a cartilha da comédia romântica natalina, com química funcional e uma premissa simpática o bastante para sustentar o conforto esperado do gênero.

Cinema B+: 10 filmes para assistir no Natal de 2025: entre novidades e clássicos eternosMy Secret Santa Netflix - Divulgação

Man vs Baby Netflix
É para os fãs de Mr. Bean, apesar de não ser “ele”. Rowan Atkinson volta como Mr. Bingley, um adulto despreparado precisa sobreviver a um bebê imprevisível em plena temporada de festas. O que poderia ser um Natal tranquilo vira uma sucessão de pequenos desastres.
Funciona quando assume o humor físico e o exagero, ideal como filme de fundo para casas cheias.

All I Need for Christmas Netflix
Uma musicista em crise profissional encontra, durante o Natal, a chance de reconexão pessoal e afetiva ao cruzar o caminho de alguém que parecia seu oposto. Produção que aposta no tom acolhedor e na ideia de recomeço como motores emocionais simples, mas eficazes.

A Merry Little Ex-Christmas Netflix
Alicia Silverstone e Oliver Hudson sustentam uma trama previsível, mas ainda assim, bem natalina. Ex-relacionamentos, ressentimentos antigos e um Natal que força reencontros. A tentativa de manter a civilidade rapidamente desmorona. Um filme que reconhece que o passado nunca está totalmente resolvido, especialmente em datas simbólicas.

Champagne Problems Netflix
Filme que anda liderando o Top 10 desde novembro, traz uma executiva americana viaja à França para fechar um grande negócio antes do Natal e se vê envolvida em dilemas profissionais e afetivos. Menos açucarado, aposta em melancolia leve e conflitos adultos, usando o Natal mais como pano de fundo do que como solução.

Jingle Bell Heist Netflix
Dois trabalhadores frustrados planejam um assalto na véspera de Natal, quando ninguém parece prestar atenção. Cheio de reviravoltas e troca o romance pelo formato de filme de golpe, oferecendo uma variação divertida dentro do gênero natalino.

A Noviça Rebelde Disney+
Não é um filme natalino, mas poucas obras ocupam um lugar tão fixo no imaginário do fim de ano. Em 2025, o musical completa 60 anos e segue atravessando gerações como ritual afetivo de dezembro. Música, família, infância e acolhimento fazem dele uma tradição que resiste ao tempo e às modas.

No fim, a lógica permanece: filmes de Natal não precisam ser memoráveis para serem importantes. Precisam estar ali — como trilha de fundo, como pausa emocional, como promessa silenciosa de que, por algumas horas, tudo vai acabar bem. Em 2025, isso já é mais do que suficiente. Feliz Natal!

"REI DO BOLERO"

Voz de 'Você é doida demais', Lindomar Castilho morre aos 85 anos

História de sucesso mudou após um dos feminicídios de maior repercussão no País, quando em 30 de março de 81 matou sua mulher, a também cantora Eliane de Grammont, com cinco tiros

20/12/2025 13h30

Lili De Grammont e seu pai, Lindomar, em foto compartilhada nas redes sociais.

Lili De Grammont e seu pai, Lindomar, em foto compartilhada nas redes sociais. Reprodução/Redes Sociais

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Conhecido como "Rei do Bolero", Lindomar Castilho morreu neste sábado, 20, aos 85 anos. A nota de falecimento foi postada pela filha do artista, a coreógrafa Lili De Grammont, em suas redes sociais.

A causa da morte não foi informada e o velório está marcado para esta tarde no Cemitério Santana, em Goiânia.

"Me despeço com a certeza de que essa vida é uma passagem e o tempo é curto para não sermos verdadeiramente felizes, e ser feliz é olhar pra dentro e aceitar nossa finitude e fazer de cada dia um pequeno milagre. Pai, descanse e que Deus te receba, com amor… E que a gente tenha a sorte de uma segunda chance", escreveu Lili.

Nascido em Rio Verde, Goiás, Lindomar foi um dos artistas mais populares dos anos 1970. Brega, romântico, exagerado. Um dos recordistas de vendas de discos no Brasil. Um de seus maiores sucessos, "Você é doida demais", foi tema de abertura do seriado Os Normais nos anos 2000.

Seu disco "Eu vou rifar meu coração", de 1973, lançado pela RCA, bateu 500 mil cópias vendidas.

Crime e castigo

A história de sucesso, porém, mudou após um dos feminicídios de maior repercussão no País. Em 30 de março de 1981, Lindomar matou a mulher, a também cantora Eliane de Grammont, com cinco tiros. Ela tinha 26 anos.

Os dois foram casados por dois anos, período em que a cantora se afastou temporariamente da carreira para cuidar da filha Lili. Depois de sustentar o relacionamento abusivo, Eliane pediu o divórcio.

Eliane foi morta pelo ex-marido no palco, durante uma apresentação na boate Belle Époque, em São Paulo. Ela cantava "João e Maria", de Chico Buarque, no momento em que foi alvejada

Lindomar foi preso em flagrante e condenado a 12 anos de prisão. Ele foi liberado da pena por ser réu primário e aguardou o julgamento em liberdade. O cantor cumpriu quase sete anos da pena em regime fechado e o restante em regime semi-aberto. Em 1996, já era um cidadão livre.

O caso tornou-se um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil, impulsionando o movimento feminista com o slogan "Quem ama não mata".

 

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