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TELEVISÃO

Retorno denso de Arieta Corrêa

Na pele da complexa Leila, atriz celebra reencontro com as novelas em “Amor de Mãe”
10/02/2020 20:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Alguns personagens têm o dom de ressuscitar a carreira de seus intérpretes. É assim que Arieta Corrêa se sente em relação à possessiva Leila de “Amor de Mãe”. Afinal, é a primeira novela que a atriz participa na íntegra desde “O Rei do Gado”, de 1996. Na trama de Benedito Ruy Barbosa, Arieta viveu a doce Chiquita, empregada do Senador Caxias, papel de Carlos Vereza. Com o fim da novela rural, resolveu investir alto no teatro e deixou a televisão em segundo plano. “Eu tinha 17 anos e, apesar de a personagem ter dado muito certo, precisava estudar e me sentir mais segura como atriz. Revi a trama há pouco tempo e senti saudade real das novelas. Pouco tempo depois, chegou o chamado para viver a Leila”, conta a atriz de 42 anos. O convite veio a partir do diretor José Luiz Villamarim, que conheceu nos bastidores de “O Rei do Gado”. “Eu fiquei muito feliz com a lembrança. Ele me dirigiu em diversas cenas difíceis e me deu muita força. A tevê é um lugar de reencontros. Não estava esperando, aconteceu e agora é aproveitar a oportunidade e esse encontro com o público”, garante.

Na trama de Manuela Dias, Leila acorda de um coma que durou oito anos e vê sua vida virada do avesso: perdeu o crescimento da filha e seu marido, Magno, de Juliano Cazarré, está em um relacionamento com a própria enfermeira do hospital onde esteve internada. “Leila não mede esforços para ter sua família de volta. Ela se recusa a perder tanto, mas acaba agindo de forma errada e sem um pingo de amor próprio”, conta. Em vez de visitar hospitais e conversar com pessoas que conseguiram sair do coma, Arieta resolveu percorrer por caminhos mais introspectivos para chegar às emoções do papel. Recentemente, ela perdeu um de seus maiores amigos, o renomado diretor teatral Antunes Filho. A rotina no hospital ao lado do amigo acabou marcando a atriz de forma muito profunda e ajudou nas referências para a personagem. “Foi um momento muito ruim da minha vida. Estive com Antunes até os últimos ares de respiração. Fiquei nesse universo de UTI com ele. Perder um amigo é sempre terrível e, quando o convite chegou, eu ainda estava digerindo aquela experiência. Coloquei essa angústia na Leila”, explica.

Emagrecer foi uma das grandes preocupações de Arieta para retratar a situação da personagem. Para a atriz, estar com a aparência mais debilitada era importante para que Leila passasse verdade ao público. “Emagreci cinco quilos. Villamarim me viu e ficou espantado. Aos poucos, fui recuperando. Foi tudo de acordo com o desenho da personagem”, detalha. A expressão vocal e corporal também esteve no foco de Arieta. Depois de muito ler depoimentos de pessoas que regressaram do coma, ela decidiu fazer de Leila uma mulher que está reaprendendo a falar e se mover. As limitações da personagem foram evidenciadas pelo uso constante de uma cadeira de rodas. “Mesmo que a novela tenha um formato mais corrido. Acho que o processo da Leila foi feito de forma muito realista. Está certo que, depois de um tempo, ela acabou utilizando suas limitações para o mal”, destaca a atriz, que a todo momento tenta não taxar a personagem como uma das possíveis vilãs da trama. “Acho que Leila é mais inconsequente mesmo”, analisa.

Natural de Botucatu, interior de São Paulo, Arieta é formada em Artes Cênicas pelo Centro de Pesquisa Teatral. A estreia na tevê foi com um pequeno papel em “Explode Coração”, de 1995. Em seguida, se destacou em “O Rei do Gado”, exibida um ano depois. Por conta de compromissos nos palcos, passou a aparecer no vídeo de forma esporádica e sempre em produções mais curtas, como as séries “Labirinto”, “Casos e Acasos” e “Tudo Novo de Novo”. “Era uma forma de matar a saudade dos estúdios sem me comprometer muito”, avalia, entre risos. Inicialmente, a ideia de Arieta era se mudar durante alguns meses para o Rio de Janeiro para se dedicar de forma integral ao papel em “Amor de Mãe”. Entretanto, para não atrapalhar a rotina e a educação de Gael, seu filho de dez anos de idade, ela vem se dividindo como pode e vive na ponte-aérea entre a capital carioca e a cidade de São Paulo. “É cansativo, mas vale a pena. A personagem cresceu bastante e ainda vai aprontar muita coisa”, avisa

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!