Dica da Semana: “It’s a Sin”
O original da HBO Max fala sobre os impactos da epidemia de Aids na juventude britânica dos anos 1980
Nos anos de 1980, o mundo foi assolado pelo surgimento da Aids, uma doença causada pelo vírus HIV, que é transmitido quando os fluídos de uma pessoa contaminada entram no organismo da outra – seja por relações sexuais, compartilhamento de objetos cortantes ou transfusão de sangue contaminado. Ou seja, o HIV não é transmitido por meio de interações como apertar as mãos, beijar ou dividir alimentos. Porém, tais informações não eram conhecidas quando a doença surgiu e, por conta das primeiras vítimas serem membros da comunidade LGBTQIA+ (em especial homens gays), logo ela assumiu um caráter pejorativo e discriminatório que ultrapassou o campo da Medicina.
Com isso em mente, ao começar a minissérie “It’s a Sin” – que conta com 5 episódios e foi lançada como original da HBO Max em fevereiro de 2021 – o espectador já tem uma ideia de que os próximos capítulos não serão tão felizes quanto o que esperam os protagonistas. Isso porque a história se passa nos anos 1980 e acompanha um grupo de jovens da comunidade LGBTQIA+ que se muda para Londres em busca de realizar seus sonhos e poder viver sua sexualidade com menos restrições do que em suas cidades natal. Além disso, os jovens irão formar uma verdadeira rede de apoio, que será fundamental para todos os envolvidos.
Apesar da série abordar um tema bastante pesado, ela irá fazê-lo sem deixar de lado outros aspectos da vida dos protagonistas, o que resulta em momentos engraçados e emocionantes. Ao mesmo tempo, também dá bastante ênfase ao aspecto de luta e resistência da comunidade, trazendo para a narrativa as ações do movimento em combate a Aids da época, em um momento onde as autoridades políticas não davam a devida atenção ao problema por acreditarem que atingia somente a comunidade LGBTQIA+. Além de possuir uma história muito rica e interessante, “It’s a Sin” possui personagens carismáticos e humanizados. Nem sempre se irá concordar com tudo que eles fazem, mas ajudam a dar vida a uma produção arrebatadora.
Link para o trailer de “It’s a Sin”.
Graça além da comédia
“Being The Ricardos”, o novo filme da Amazon Prime Video, fala sobre “I Love Lucy”, um dos mais famosos sitcoms da história da TV americana
Nos anos de 1950, a televisão era uma grande novidade e, por mais que os rádios ainda fossem muito influentes no entretenimento e na comunicação informativa, esse novo jeito audiovisual de se comunicar vinha ganhando cada vez mais espaço. É nesse contexto que começam os sitcoms, programas de humor gravados com uma plateia ao vivo e que são um grande sucesso até hoje. Dentre eles, um dos mais influentes e bem-sucedidos de sua época foi o show “I Love Lucy”, que abordava a vida doméstica de um casal. Além do seu humor contagiante, o sitcom foi revolucionário pois iniciou uma tendência dos próprios atores assinarem como produtores, tamanha fama que receberam.
Por conta da influência cultural que “I Love Lucy” causou na sociedade americana – com aspectos dentro e fora do mundo da série –, tal narrativa foi usada de base para a criação do filme “Being The Ricardos”, da Amazon Prime Video. A produção original, que estreia dia 21 na plataforma, irá abordar a vida do casal de atores que deu vida aos protagonistas da série, que eram casados na vida real. O filme irá abordar polêmicas e conflitos que aconteceram dentro do casamento – com um caso extraconjugal por parte do marido que se tornou público – e fora dele, destacando a situação bizarra em que Lucy foi taxada por fanático de direita omo membro do Partido Comunista.
“Being The Ricardos” mostra as dificuldades enfrentadas por Lucy em se afirmar enquanto comediante feminina, ao mesmo tempo em que tenta manter seu casamento já desgastado e ter uma gravidez tranquila, tudo isso aos olhos do público. Apesar do filme se apoiar bastante na performance dos protagonistas (interpretados pelos atores premiados Nicole Kidman e Javier Barden), a forma como a narrativa é contada se mostra bastante interessante e não convencional, uma vez que se escolheu contar a problemática de forma não cronológica, quase que de trás para frente.
Link para o trailer de “Being The Ricardos”.
Direto do espaço
Elenco de peso compõe sátira climática da Netflix
Apesar do assunto já rondar os debates internacionais há anos, as mudanças climáticas provocadas pela ação do homem se tornam uma pauta cada vez mais urgente à medida que as novas gerações alertam para gravidade do tema. Neste ano, os países se reuniram na COP-26 com o intuito de debater e propor soluções para as mudanças climáticas. Porém, apesar da abrangência do tema, poucas são as releituras do mesmo para o cinema – mas este não é o caso de “Não Olhe para Cima”, longa original da Netflix que estreia dia 24 de dezembro na plataforma.
O filme acompanha a descoberta de dois excêntricos astrônomos que a vida na Terra será extinta em aproximadamente seis meses com a colisão de um cometa de proporções inimagináveis. Nesse contexto, Leonardo DiCaprio interpreta o doutor Ransall Mindy, um homem viciado em remédios para tratamento da ansiedade e com fobia social, e Jennifer Lawrence vive Kate Dibiasky, uma estudante prodígio de pós-graduação, com o hábito de ser extremamente direta em sua fala. A dupla realiza a descoberta juntos, em meio aos estudos conduzidos pelo Dr. Ransall na universidade em que trabalha, e logo decidem comunicar à Casa Branca para que algo seja feito.
No entanto, a presidente Janie Orlean (Maryl Streep) está mais preocupada em garantir sua vitória nas próximas eleições legislativas do que endereçar o cenário apocalíptico apresentado pelos dois cientistas. Afinal, isso não só tiraria seu foco da disputa eleitoral como também seria um péssimo marketing. Assim, a recomendação da Casa Branca para Dr. Ransall e Kate foi, simplesmente, não fazerem nada. Indignada, a dupla decide se comunicar diretamente com a população através da televisão. Porém, eles logo percebem que, em meio a uma sociedade cada vez mais imediatista, seis meses parece muito distante para provocar uma mudança de hábito.
Link para o trailer de “Não Olhe para Cima”.
Ulysses Serra
Roberta Maia Broder


