Carlos Henrique Braga
Os alimentos continuam escalada de preços em Campo Grande por conta de escassez causada pela estiagem e da valorização dos grãos na bolsa (commodities). No mês passado, o valor da cesta básica registrou aumento de 1,57% na cidade, contra 0,88% de agosto, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, de Planejamento, de Ciência e de Tecnologia (Semac). Somente o litro do óleo de soja, vendido a até R$ 2,48, ficou 18% mais caro nas prateleiras em setembro, reflexo do aumento de 12,5% na saca de grãos, que passou de R$ 36 para R$ 40,50.
Além do óleo, consumidores pagaram 8,99% a mais pela carne. O filé mignon, corte nobre, é encontrado a R$ 22,97, acumulando alta de 29,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando custava R$ 17,67. Pão e macarrão, mais caros por causa da quebra da safra de trigo na Rússia, estão 3,41% e 3,27% mais salgados, respectivamente. O quilo do pãozinho francês custa até R$ 5,04 nas padarias da cidade. Também tiveram alta o arroz (3,06%) e a margarina (2,86), entre outros.
A tendência é de preços ainda mais altos até o fim do ano, quando as festas fazem a demanda por alimentos disparar. O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), medido pela Universidade Anhanguera-Uniderp, que será anunciado na próxima terça-feira, trará o dobro da inflação do mês anterior (0,16%), segundo o pesquisador Celso de Souza. “Podemos esperar índice bem maior em setembro e vai continuar subindo”, diz. Quedas são aguardadas apenas em fevereiro, mês de contenção de gastos e freio no consumo.
A estiagem prolongada, causada pelo fenômeno climático La Niña, que esfria as águas do Oceano Pacífico, provocou alta atípica na carne. Nesta entressafra, cortes bovinos acumulam expansão superior a 20% e devem seguir subindo. O pesquisador da Uniderp acredita que a arroba tem fôlego para sair dos R$ 89 e atingir R$ 100 nos próximos meses. O número é mágico para pecuaristas e assustador para frigoríficos e consumidores, que não vão hesitar em mudar para o frango.
Grupos
A cesta básica individual, com 15 itens, custou R$ 216,76, o que representa 42,5% do salário mínimo (R$ 510). Nos últimos 12 meses, a alta é de 4,1%. A familiar custou R$ 983,07. Dos seus 44 produtos, para atender a uma família de cinco pessoas, 25 ficaram mais caros.
O grupo de higiene pessoal, composto por cinco itens, registrou variação positiva de 1,24%. O setor de limpeza doméstica apresentou alta de 0,13%, diferente do mês de agosto, quando assinalou queda de 1,53%.
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