Mesmo com número menor de dias úteis, outubro superou as expectativas de vendas do setor de revenda de veículos. O "segredo do sucesso", de acordo com os gerentes das revendedoras, em Campo Grande, é que os preços dos automóveis estão inferiores aos praticados no mesmo mês do ano passado, que tinha a vantagem da isenção ou redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Alguns dos fatores que contribuem para que os preços fiquem atraentes, são os juros mais baixos e prazos alongados.
"Estamos otimistas com as vendas e tudo sinaliza que teremos, bateremos recorde em relação a 2009", diz o gerente da Perkal, revendedora Chevrolet, Carlos Villa Maior. Para Villa, a estabilização da taxa Selic, a inadimplência baixa e o comprometimento não superior a 30% da renda do consumidor, reflete no aumento das vendas. Ainda em novembro, lembra Villa, "tem a parcela do 13º salário e as montadoras focaram exatamente esse momento. Para não comprometer o orçamento, que no fim do ano costuma ficar apertado, a primeira parcela do carro novo fica para fevereiro", diz. A revendedora está com o Celta duas portas a R$ 23.990. "Em março, mesmo com a isenção do IPI, o Celta custava R$ 26.360".
Para o gerente da Renascença, José Francisco Oliveira, "outubro vai repetir setembro, que começou lento por conta do feriado e depois disparou nas vendas, na segunda quinzena", destaca. "Em setembro do ano passado, cerca de 2.000 veículos foram comercializados em Campo Grande, e temos boa performance para outubro, mesmo considerando a redução do IPI do ano passado".
Oliveira destaca um fato que mostra, segundo ele, a "maturidade econômica do País. Em outros anos, o período de eleições tumultuava a economia, deixava todos inseguros e muitos corriam para sacar dinheiro nos bancos". Ele chama a atenção também para a posição brasileira do mercado automotivo. "Somos o 4º mercado mundial; desbancamos a Alemanha. Isso atrai os holofotes para o Brasil". Prova disso é a chegada de lojas de marcas de luxo, que encontraram mercado promissor entre os consumidores de Campo Grande.
O crescimento da demanda pela compra de um carro zero e a competição entre as marcas, ajuda a melhorar a qualidade do produto e fazer pressão para baixo nos preços desses bens duráveis. Oliveira cita como exemplo, os modelos Symbol, Mègane e Logan, que são parcelados com taxa zero, em prazos que variam de 12 a 24 meses, dependendo da entrada. O financiamento é de até 72 meses (seis anos), sem entrada.
Oportunidade
O gerente da Ford Auto Master, Fernando Oliveira, comemora o volume de vendas em outubro. "Este foi o segundo melhor mês da história da revendedora". Ele frisa que alguns modelos estão abaixo do valor que eram vendidos em 2006. Ele exemplifica com a Eco Sport, que passou de R$ 57.900, naquele ano, para R$ 54.900 neste mês. "Com entrada de 50%, o restante é parcelado em 24 vezes sem juros".
Fernando Oliveira chama a atenção para as ofertas, que são válidas apenas para outubro. Outro automóvel que apresenta redução significativa é o Ford Ka completo, que foi vendido por R$ 32 mil em 2008 e hoje custa R$ 29.990. O gerente acredita que a partir de novembro, a tendência é de ligeiro reajuste. Ele explica: "Devido ao aumento na procura pelo carro zero, a oferta diminui, agravada pelo fechamento das montadoras por conta das férias coletivas. Portanto, a hora de comprar é agora".