A economia acendeu a turbina nos últimos anos e milhares de sul-mato-grossenses correram para a bolsa de valores em busca de maior rentabilidade. Em 2005, eles eram 529, hoje são 3.921, quantidade quase oito vezes maior (aumento de 641,2%). Os investidores locais na BM&FBovespa estão mais confiantes no desempenho econômico da região e do Brasil e são protagonistas da ampla campanha da bolsa e de corretoras para desmistificar o mercado de ações.
A participação é pequena, mas nunca foi tão expressiva. Só em outubro, as 3,8 mil contas ativas movimentaram R$ 250 milhões na bolsa de São Paulo. O valor correspondeu a 0,23% das operações do País no período (R$ 112,16 bilhões).
Por trás da evolução estão campanhas educacionais para inciantes. A mensagem delas é clara: você não precisa ser rico para investir aqui, isso não é um cassino, e também é lugar de pessoas sem tempo para passar o dia em frente ao computador acompanhando notícias de mercado.
Quem investe são, principalmente, homens entre 20 e 30 anos. Mas o maior volume de dinheiro sai dos bolsos dos maiores de 30, que têm renda mais polpuda. "Quem começa cedo já é experiente aos 30, e é isso que queremos", diz o operador da TBCS, Lorenço Indartte. A empresa gaúcha chegou a Campo Grande em 2008, trazida pela onda de indústrias. Em locais onde a presença de fábricas é maior, investimentos ganham corpo por conta dos melhores salários e nível de vida da população.
O valor inicial recomendado é de R$ 5 mil, para compensar os custos da operação, como a corretagem cobrada pelos operadores. O tempo médio para o retorno do investimento é de 5 anos. "Não vá para bolsa pensando em trocar de carro ou fazer a viagem dos sonhos, ação é investimento a longo prazo", recomenda o professor de educação financeira da BM&FBovespa, João Alberto Netto Filho.
Ganhos e riscos
A rentabilidade das ações costuma superar a da renda fixa, mas não há garantias. A carteira indicada pela representante da Gradual Corretora na Capital, Josi Pereira Santos, por exemplo, rendeu 106,45% nos últimos dois anos. "Na bolsa tem histórias tristes também, para você ter um bom desempenho tem que estar bem assessorado e ter uma estratégia definida", recomenda.
Seguir indicações dos operadores é opção da maioria dos iniciantes. Elas estão recheadas de empresas produtoras de commodities (mercadorias primárias), principalmente de minério, papel e celulose e petróleo. Além das fornecedoras de matérias-primas estão as dos segmentos de energia elétrica, varejo, bebidas e alimentos.
O setor de construção civil também tem chamado a atenção pelo crescimento, motivado pela alta demanda da habitação. O operador da Delfos Corretora, João Bismarck Rondon, chama de "fantástica" a valorização de 18% das ações da Brookfield Incorporadora desde janeiro, superior ao do índice Bovespa (4,5%), média das mais valorizadas.