Máquinas pesadas da China ganham espaço no mercado sul-mato-grossense, antes dominado pelos tradicionais fabricantes europeus e norte-americanos. Os preços até 67% mais baixos aumentaram a fatia em Campo Grande para até 30% em loja especializada. O dólar em queda deixa as importadas ainda mais irresistíveis. Compare: a escavadeira da XCMG sai por R$ 310 mil, em Campo Grande, já o modelo da japonesa Komatsu custa até R$ 520 mil.
Isso impressiona os clientes, que não torcem tanto o nariz para as pás-carregadeiras e retroescavadeiras asiáticas como no passado. Além de mais em conta, elas desenvolveram a tecnologia e ganharam vendedores empenhados em desfazer o preconceito de que o "made in China" é sempre inferior. Assim, a todo-poderosa China chegou ao posto de segunda fornecedora de máquinas ao Brasil, atrás apenas - e por enquanto - dos Estados Unidos.
Segundo a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que reage como pode à invasão chinesa, a fatia de mercado deles no País aumentou de 2,1%, em 2004, para 12,3%, em estimativa deste ano. Na contramão, a parte dos Estados Unidos despencou de 32,4% para 24,2%. Alemanha e Japão também diminuíram suas participações, enquanto as emergentes Índia e Coreia do Sul ganharam clientes.
O empresário Claudio Soler, que trouxe as primeiras máquinas para a Capital em 2006, espera que as chinesas representem 30% das vendas de sua loja em 2011. Neste ano, a participação ficará entre 15% e 20%. A mais vendida da Serpema, especializada em importadas, ainda são as coreanas da Hyundai, que também roubam consumidores das ocidentais, como Volvo e Caterpillar.
A invasão repete-se na revendedora da marca Doosan, mais uma entre centenas de opções. O dono da loja, Olivio Mello Cavalcanti, já vende 30% de produtos chineses; quando começou, em 2008, eles representavam 13%.
Mão de obra barata
Soler acredita que a dominação dos chineses está só no começo. Para ele, a explicação para os preços mais baixos está na forma quase escravagista com que a potência asiática trata seus funcionários. "Eles oferecem um prato de comida e mais US$ 100 por mês e lotam os galpões de gente, todas de pé no chão", descreve o empresário.
Eles são muitos e estão em busca de trabalho: 529,9 milhões de pessoas vivem nas cidades chinesas, segundo o Banco Mundial. Por isso, o baixo custo final dos produtos produzidos no país, de retroescavadeiras a bugigangas eletrônicas. "Não dá para concorrer com eles", admite o empresário de Campo Grande.