Pela primeira vez, em 10 anos, o setor empresarial de Mato Grosso do Sul, que vinha em franca expansão desde 2000, apresentou retração no número de novas empresas e aumento da extinção de negócios abertos. De acordo com dados da Junta Comercial do Estado (Jucems), entre janeiro e novembro de 2010, houve queda de 6,07% no volume de abertura de empresas e, aumento de 32,98% na extinção de já existentes.
No período, foram feitos 6.850 novos registros no Cadastro Nacional de Pessoal Jurídica (CNPJ) em MS, enquanto que, entre janeiro e novembro de 2009, o montante atingiu 7.293 registros. Já os números de extinção (fechamento) de empresas, são bem mais alarmantes. Nos primeiros 11 meses de 2009 foram 1.258, enquanto que, neste ano, já chegam 1.673 – 18% mais que todo o ano de 2009, quando foram contabilizadas pela Jucems, a extinção de 1.417 empresas no Estado.
Segundo o técnico em orientação empresarial do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas empresas de Mato Grosso do Sul (Sebrae-MS), Julio Cesar da Silva, os dados revelam a falta de preparo dos que querem empreender aqui. “Podemos dizer que em quase todos esses casos, o fechamento ocorre por conta de problemas no controle financeiro, reflexo da má administração que ocorre pela falta de qualificação do empreendedor”, explica.
Muitos dos micro e pequenos empresários, de acordo com Silva, não entendem o que é o controle financeiro, não fazem a análise de informações de gastos e investimentos, entram em financiamentos e acabam em dívidas que se tornam verdadeiras bolas de neve. “Quando a situação chega a este ponto, geralmente nos primeiros dois anos ou antes da empresa completar cinco anos de vida, eles já pensam em fechar as portas e resolver a situação. Daí encontram outro problema: é preciso regularizar tudo para conseguir o fechamento”, conta.
Barato que sai caro
A falta de controle financeiro deixa passar detalhes mínimos que, mais tarde podem sair muito caros para o empreendedor, segundo o técnico. Um exemplo é a somatória de gastos diários, detalhes como energia elétrica, água, cópias, alimentação e outros que parecem pequenos que, sem controle, representam em média R$ 40 por dia e que, em dois anos, somados, chegam a totalizar R$ 20 mil – valor geralmente usado como capital inicial na abertura de uma micro ou pequena empresa.
Situações como essa poderiam ser evitadas com uma qualificação de gestão simples e gratuita, associada a um controle administrativo do empresário de, no máximo, duas horas por dia. “Vemos que as empresas que procuram a qualificação, geralmente, já tem alguma dificuldade, raramente vêm antes de abrir o negócio, a menos que seja para se orientar sobre como abrir, não administrar”, diz o técnico.
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