O Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu o mercado e anunciou a elevação da taxa básica de juro em 25 pontos-base, levando a Selic a 12,00% ao ano. A maioria dos analistas esperava uma alta de 50 pb - mas a projeção não era unânime.
Assim como não houve unanimidade nas expectativas, as reações à decisão também são divergentes. Para o Barclays, o anúncio traz consigo o risco de que as expectativas futuras de inflação continuem deterioradas. Já para o Bradesco, a autoridade monetária está dando sinais de seu empenho para conter a pressão inflacionária.
O comunicado do Comitê indicou que outros aumentos na taxa de juro virão, considerando um ritmo ainda incerto da atividade doméstica e o agravamento econômico internacional. Além disso, a autoridade monetária deixou evidente sua busca mais gradual para a convergência da inflação à trajetória de metas.
Na leitura de Marcelo Salomon e Jimena Zuniga, analistas do Barclays, a decisão do Banco Central em adotar uma postura mais moderada coloca em risco sua missão de trabalhar com expectativas. Segundo a dupla, desde que a nova administração do BC assumiu, as expectativas seguem em um caminho de deterioração.
Esse clima de incerteza se agravou porque a eficiência e a efetividade das medidas macroprudenciais adotadas para conter o avanço do crédito e do consumo privado não são conhecidas.
Soma-se a isso a convivência do Governo com um câmbio mais apreciado - o que também seria uma tentativa do BC de controlar a inflação. Segundo os analistas do Barclays, apesar de o efeito câmbio conseguir ofuscar parte dessas pressões, ele não é uma garantia, já que ainda há o risco de que a alta da inflação continue. A expectativa do banco é que o dólar encerre 2011 cotado a R$ 1,55.
No geral, o uso de vários instrumentos para combater a inflação, combinando uma política monetária mais moderada com a adoção de medidas macroprudenciais, pode levar mais tempo para surtir o efeito desejado, analisa o Barclays. Além disso, mesmo com uma decisão menos altista, o BC corre o risco de precisar adotar uma postura mais severa no futuro, dependendo de como a situação evoluir.
"Estamos mais preocupados com a possibilidade de que as expectativas se deteriorem no curto prazo", avalia a dupla.