Quem precisa calcular custos de produção e estipular um lucro a ser atingido deve ficar de olho na cotação do dólar - e a medida vale não só para quem exporta. Quando insumos importados passam a fazer parte da lista de compras de produtores, o câmbio exige atenção especial, já que mesmo pequenas variações na moeda são capazes de causar alterações significativas na formação do preço que chega ao consumidor.
Grande importador de fertilizantes, o setor de grãos vê o preço da safra mudar acompanhando a cotação da moeda. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, altas repentinas - ainda que para exportadores - são ruins. Os produtores de cereais, que dependem de insumos de outros países para manter as plantações livre de pragas, ficam sujeitos ao prejuízo quando a moeda americana sobe muito e o preço da safra já foi estipulado. "Quando o produto já foi vendido e está compromissado, a valorização do dólar pode significar aumento do preço do produto", diz. A alteração no valor se dá porque, nesse caso, assim como na maioria dos setores que dependem de importados, o produto é vendido com base em um custo de produção, que acaba aumentando quando a cotação dispara.
A indústria de máquinas também acompanha o câmbio com frequência. Segundo o economista e professor da BBS Business School Ricardo Torres, o setor é grande comprador da China. "Os produtores, principalmente os do polo sul, adquirem componentes e máquinas. Com a alta do dólar, eles têm o benefício de exportar com base em um valor de moeda mais alto. Mas, por outro lado, antes disso, a importação de componentes vai acabar encarecendo o produto", diz.