A taxa média de juros nas operações de crédito para os consumidores atingiu a menor taxa dos últimos 18 anos. O percentual registrado em dezembro foi de 5,44% ao mês. Para as empresas, os empréstimos também ficaram em patamar mais baixo, mas desde 1999. As instituições financeiras cobraram, no último mês de 2012, 3,07% ao mês pelo dinheiro.
As informações são da Pesquisa de Juros da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que foi publicada ontem. O levantamento teve início em 1995.
Na avaliação da equipe econômica da entidade, o resultado reflete a competição entre as instituições financeiras pelos consumidores, uma leve retração na inadimplência e a expectativa de decréscimo no índice de atraso dos pagamentos.
Para as famílias, são pesquisadas seis modalidades de empréstimos. Três delas tiveram maior contribuição para o resultado, pois além de caírem, também atingiram os menores patamares da série histórica.
São elas: juros do comércio, que passaram de 4,3% ao mês, em novembro, para 4,06% em dezembro; empréstimo pessoal nos bancos, que passou, na mesma comparação, de 3,14% ao mês para 2,93%; e os empréstimos pessoais das financeiras, cujo custo médio passou de 7,42% para 6,96%.
O cheque especial caiu de 7,92% ao mês para 7,82%, decréscimo de 1,26% que colocou a linha no menor percentual desde outubro, quando estava em 7,75%.
Os financiamentos de veículos por meio de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) dos bancos ficaram 7,32% mais barato. Passaram de 1,64% ao mês para 1,52% e também atingiram a menor marca desde outubro, quando o registro era de 1,49%.
Por outro lado, o rotativo do cartão de crédito não apresentou variação na relação entre dezembro e novembro e ficou com preço médio mensal de 9,37%, que já era o menor patamar desde 1995.
Para as empresas, as quedas foram de 1,61% ao mês a 1,41%, no capital de giro, de 2,39% para 2,22%, no caso do desconto de duplicata, e de 5,87% a 5,57% na conta garantida.
PREVISÕES
A equipe econômica da Anefac acredita que a continuidade da competição dos bancos pelos clientes e a perspectiva de melhora da economia são pilares que sustentarão novas reduções nas taxas de juros nos próximos meses.
Por outro lado, o professor de Economia da Fundação Santo André Volney Gouveia afirma ser cético quanto à expectativa de mais diminuições nas taxas de juros aos consumidores.
Para ele, os bancos públicos, que iniciaram as reduções de algumas linhas em abril, não dão conta de toda a demanda de crédito. Desta maneira, os privados continuarão atuando e, por já terem diminuído as taxas, não o farão mais. Desta maneira, cabe aos clientes forçarem novas reduções, deixando de tomar dinheiro emprestado. "Enquanto os consumidores continuarem contratando crédito e se endividando, os bancos manterão os juros", disse.
Professor de Economia da Universidade Metodista de São Paulo, David Dantas opinou que muitas famílias aproveitaram o momento de reduções das taxas, no ano passado, para trocarem suas dívidas por outras mais baratas. E este é um dos motivos que devem segurar os juros atuais. "A minha expectativa para esse ano, no primeiro trimestre, é da não continuidade desse processo de queda nos juros."
Antecipação do 13º salário é oportunidade para troca de dívida
Uma das opções que os consumidores têm para se livrar dos débitos financeiros mais caros, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, em atraso, é a antecipação do 13º salário.
"Trocar uma dívida mais cara é a única opção interessante para o funcionário que vai receber o 13º e pode antecipá-lo no banco", disse o professor de Economia da Fundação Santo André Volney Gouveia. Para ele, esse tipo de empréstimo não deve ser utilizado se não for para troca ou emergência,
Em 2012, o Banco do Brasil liberou 1,7 milhão de antecipações do 13º, estabilidade frente a 2011. Essas operações somaram R$ 1,58 bilhão, alta de 7,2% sobre o ano anterior. A instituição pública, atualmente, oferece a linha por taxa de juros iniciais de 2,28% ao mês e financia até 80% do benefício. No Santander, é possível emprestar 100% do 13º por juros entre 1,99% a 3,29%. O HSBC ainda não lançou este tipo de produto. Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Bradesco não responderam.