O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define nesta quarta-feira o rumo da taxa de juros básica da economia, a Selic. A taxa segue estável em 7,25% ao ano desde outubro de 2012. Segundo algumas projeções do mercado financeiro, o colegiado do BC deve manter a Selic no atual patamar, com grande probabilidade de seguir a mesma estratégia nas demais reuniões ao longo de 2013. Se isso ocorrer, e a taxa de juros permanecer inalterada, será a primeira vez na história desde a criação do Copom em junho de 1996, que os juros ficariam em um mesmo patamar por um período próximo a 12 meses.
Segundo analistas, as projeções recentes que apontam um crescimento não tão robusto em 2013 com a inflação voltando a ganhar força deve fazer com que a autoridade monetária mantenha inalterada a Selic. Nesse cenário, subir os juros para conter a inflação poderia afetar o ritmo de recuperação da economia.
Um relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que congrega os bancos privados, destaca que o recuo nas estimativas de crescimento do país neste ano até poderia autorizar novo corte na Selic, mas a expectativa de elevação da inflação, distanciando-se do centro da meta de 4,5%, “recomenda um comportamento cauteloso” da autoridade monetária.
A Febraban entende, portanto, que há pouco espaço para surpresas no âmbito da condução da política monetária neste início de ano. Por isso, a atenção dos analistas estará concentrada no comunicado que será liberado na noite desta quarta-feira com a decisão do colegiado do Banco Central, e, principalmente, para a ata da reunião do Copom, a ser
As projeções reunidas pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus, com cerca de cem bancos e consultorias econômicas, divulgada na segunda-feira, mostram que a maioria prevê estabilidade da taxa de juros em 2013.
Em relatório, o departamento de estudos econômico do Bradesco avalia que o Copom manterá a taxa de juros inalterada em 7,25% ao ano. “Depois da surpresa para baixo com o resultado do PIB do terceiro trimestre, os dados disponíveis para o quarto trimestre continuaram indicando para uma aceleração da retomada, ainda que em patamar moderado”, segundo o banco.
“A taxa básica de juros deve ficar em 7,25% no primeiro semestre. Para o segundo semestre, o Copom deve baixar a taxa para 7% se não houver sinais de crescimento. Caso a economia tenha se recuperado, pode-se esperar uma Selic constante em 7,25% por todo o ano”, segundo o economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, Cláudio Gonçalves.
Com a Selic estável, a valorização do real frente ao dólar pode ser uma das alternativas da equipe econômica para tentar domar a inflação.
Com uma queda na cotação da moeda americana as importações e alguns alimentos com preços balizados pelo dólar sofreriam menos variações de preços, contribuindo para manter a inflação em patamares mais aceitáveis pela equipe econômica.
Controle da inflação
O Copom utiliza a Selic como instrumento de controle da inflação por meio da moderação da oferta de crédito e, por consequência, do consumo.
Em um cenário de economia aquecida, a procura por bens e serviços cresce e há dificuldade para a indústria, o comércio e o setor de serviços suprirem as demandas dos consumidores na mesma intensidade do aumento da procura.
Como a demanda e a oferta não têm o mesmo ritmo, os preços acabam subindo, gerando inflação. Quando eleva a taxa básica da economia, o BC busca estimular a poupança interna e conter a expansão excessiva da demanda por bens e serviços.No sentido oposto, quando inicia um ciclo de cortes na taxa de juros a autoridade monetária sinaliza um maior estímulo para a expansão do consumo interno, como, por exemplo, para evitar impactos de uma recessão que possa ser gerada por efeitos da economia internacional ou pelo próprio ritmo da economia local.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) , a inflação oficial do País, ficou em 5,84% em 2012. Esse resultado superou a meta fixada pelo governo para este ano, que tem centro de 4,5% e limite superior de 6,5%.