A parcela do Fundo de Participação dos Estados (FPE) referente ao primeiro decêndio de arrecadação de janeiro deste ano foi repassada aos estados nesta sexta-feira (18) pelo Tesouro Nacional. De acordo com o órgão, os repasses do FPE vão continuar a ser feitos porque o dinheiro não pertence à União e, sim, aos estados.
Em fevereiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o artigo 2º da Lei Complementar 62/1989, que trata da distribuição do FPE e decidiu que essas regras só teriam efeitos até 31 de dezembro de 2012. Como o Congresso não aprovou nova lei complementar, a situação de repasse do fundo ficou indefinida.
Em comunicado oficial, o Tesouro afirmou que segue o Acórdão 3.135/2012 do Tribunal de Contas da União (TCU), que determina que o governo deve continuar pagando o repasse conforme as regras previstas na LC 62, até que nova lei seja aprovada.
No início deste ano, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse ser possível aprovar em fevereiro uma proposta de sua autoria para mudar os critérios de distribuição do FPE.
- O Tesouro deve continuar os repasses, pois a verba não é dele. A não ser que o STF intervenha, mas isso implicaria a perda imediata de R$ 50 bilhões nos cofres de todos os 26 estados e do Distrito Federal - comentou.
O substitutivo de Pinheiro mantém para 2013 um piso equivalente ao montante que cada estado recebeu em 2012. O excedente seria redistribuído em 85% para Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 15% para Sul e Sudeste. Dentro de cada região, a divisão se daria com base na população e na renda domiciliar per capita.
As oito propostas sobre o tema que tramitam em conjunto — sendo as principais os PLSs 192/2011 e 289/2011 - estão na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), onde o relator é Vital do Rêgo (PMDB-PB). Pinheiro, que deve ser relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ressalta que a proposta dele seria transitória para os próximos três anos, período em que nenhum estado teria perdas significativas.