Economia

Alta taxa

Selic deixa poupança com juros maiores

Selic deixa poupança com juros maiores

Redação

19/04/2013 - 09h20
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Com o aumento da taxa básica de juros de 7,25% para 7,50%, anunciado pelo Banco Central na quarta-feira, a caderneta de poupança se tornou ainda mais vantajosa, indicam especialistas.

“A intenção do BC em elevar a taxa Selic foi justamente induzir o cidadão comum a se abster do consumo e optar pela poupança”, explica o economista Paulo Dantas da Costa, membro do Conselho Federal de Economia e representante do Corecon Bahia.

Esse foi o primeiro aumento da taxa Selic desde julho de 2011. O governo mantinha o juro básico em 7,25% desde agosto. Para pessoas que têm aplicações em renda fixa, a medida é positiva, uma vez que esses investimentos estão atreladas aos juros.

E para aqueles que aplicam na poupança, a notícia é ainda melhor, afinal, diferente dos CDBs pós-fixados, fundos DI e Tesouro Direto, ela não sofre incidência do Imposto de Renda (IR). Desde o ano passado, o rendimento da poupança pode variar conforme a Selic.

Nova poupança
Antes de maio de 2012, o rendimento da caderneta era fixado em 6,17% mais a Taxa Referencial (TR). As contas antigas continuam a seguir essa regra. As novas, contudo, rendem a TR mais 70% da Selic sempre que a taxa estiver em 8,5% ou menor. Assim, quanto maior o juro básico, mais alto o rendimento.

Segundo o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, o foco da decisão do governo federal foi permitir a diminuição da taxa Selic. “Com juros muito baixos, o rendimento da poupança iria distorcer em relação a outras aplicações”.

Paulo Dantas lembra, porém, que a mudança não deve ser expressiva. “Em aplicações de renda fixa (a elevação da Selic) é vantajosa, mas só um pouco, pois o aumento não foi grande”, diz. Já contabilizando a alta dos juros, a nova poupança só é vantajosa em relação aos CDBs pós-fixados e fundos DI se o investimento for de curto prazo (veja tabela ao lado).  

O professor da Trevisan ressalta que a vantagem do aumento dos juros só se concretizará se a inflação recuar. “Quanto maior a inflação, menor é o ganho real da pessoa que aplica na poupança”, diz.

E é justamente a inflação o principal alvo da decisão do BC em elevar a Selic. Na última semana, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, subiu 0,47% em março e chegou a 6,59% no acumulado dos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta do governo, de 6,5%.

Estratégia
O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera que o aumento de apenas 0,25 ponto nos juros foi estratégico. “Ele sinaliza para os agentes econômicos que o governo está comprometido com a inflação sem prejudicar o consumo. Dos males o menor. O Banco Central fez a propaganda dele e também não puniu ninguém”, opina. Segundo Braz, com esse sinal, os comerciantes tendem a reajustar o preço dos produtos em valor menor do que pretendiam, diminuindo a inflação.

O aumento da taxa resulta ainda em restrição de crédito, o que faz os consumidores pensarem duas vezes antes de comprar. Com a diminuição da demanda, os preços caem. “É importante controlar a inflação enquanto ela ainda está fácil de ser contida”, diz Braz.

O especialista Paulo Dantas ressalta que a alta do preço dos produtos é prejudicial principalmente para as classes C e D. “A inflação é muito perversa com as classes menos privilegiadas, principalmente considerando que ela atinge o preço dos alimentos”.

O economista da FGV considera que mais grave do que a inflação que incide sobre o setor alimentício é a que atinge o setor de serviços. “O problema maior não é o preço do tomate. É a inflação de serviços, é o que a pessoa paga em um consultório médico ou a um cabeleireiro. Esse aumento mostra que a inflação está se espalhando. Se isso acontecer, fica mais difícil controlá-la”.

Consumidor
Segundo Braz, em curto prazo, o consumidor comum não notará a diminuição da inflação prevista pelo BC. “Por enquanto, não existe impacto para o consumidor, só daqui a seis ou nove meses”, diz. A medida se soma a outras estratégias do governo federal para conter a inflação, como as reduções de impostos para setores como o automobilístico e a desoneração da folha de pagamento e do preço dos alimentos da cesta básica.

Para os especialistas, nenhuma dessas medidas substitui  o investimento do poder público e da iniciativa privada. “Reconheço que o aumento dos juros para baixar a inflação funciona, mas  o que a gente precisa mesmo é de investimentos”, diz Dantas.

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