Apenas 13 produtores da Cooperativa de Orgânicos da Agricultura Familiar de Campo Grande (Organocoop) devem começar 2014 certificados por auditoria, devidamente reconhecida pelo Ministério da Agricultura, como acontecia nos anos anteriores. O restante, cerca de 70, está inciando uma organização para fazer o processo por outro sistema, com mais autonomia e menor custo, mas que não tem prazo para ser concluído.
A mudança no procedimento é mais um dos desafios que os produtores de orgânicos enfrentam. A produção resiste em meio aos problemas climáticos (frio, geada, chuva), falta de incentivo e investimento público, suporte técnico e clientela na Feira de Orgânicos, que acontece quarta-feira (Praça do Rádio Clube) e sábado (Prefeitura). A luta agora é ir em busca de mais autonomia, mesmo que isso custe alguns transtornos e demore.
“Nosso objetivo é melhorar nossa autogestão, criando essa organização, com grupos e equipes que vão se autofiscalizar. O Sebrae nos ajuda no começo, mas temos que andar com as próprias pernas depois”, diz o presidente da Organocoop, Osmar Schossler.
No próximo mês deverá ser protocolado no Ministério o processo de Controle Social na Venda Direta, que tem custo quase zero, segundo a Organocoop. Após a autorização, os produtores poderão continuar vendendo direto aos consumidores, por exemplo, nas feiras. O antigo certificado dos orgânicos venceu em agosto e só 13 vão continuar pelo mesmo sistema, feito com auditoria da Ecocert, e que permite até a exportação da produção.
Osmar explica que até o momento o produtor paga apenas cerca de R$ 100 anualmente e o Sebrae patrocina 80% do valor da auditoria feita por empresa – o que equivale a cerca de R$ 1,5 mil por família – mas nos próximos anos o montante terá que ser pago integralmente pela Cooperativa. “A grande maioria dos cooperados não tem esse dinheiro para dar. Aí resolvemos começar já esse ano a nos organizarmos, discutir em grupo, para depois chegar aos próximos estágios”, explica.
Nesse ano, os produtores ainda precisaram se adaptar a saída dos técnicos da Prefeitura que faziam o acompanhamento da lavoura e comercialização dos produtos. Os dados serviam de base para a auditoria de certificação, além de orientar os produtos sobre o correto manuseio da terra e incrementos.
A reportagem apurou que o desligamento prejudicou a produção, que só não ficou mais desamparada porque o Sebrae contratou cinco técnicos para cobrir o antigo trabalho. “Nós estamos buscando complementar as ações que a Prefeitura tinha. Temos uma equipe que está acompanhando esses produtores, dando assistência, para que eles não se percam no processo do cultivo orgânico, que ainda é novo e precisa de muitos cuidados detalhados, diários”, frisa o gerente de agronegócio do Sebrae, Marcus Rodrigo de Faria.
Sem capacitação, muitos produtores acabam abandonando a produção orgânica. Isso porque o cultivo exige amplo conhecimento técnico e muito cuidado no dia a dia para combater as pragas sem precisar utilizar produtos químicos, diz Marcus.