Impulsionado pela poupança, o crédito imobiliário continua em alta, contrariando previsões. A aplicação mais popular do país arrecadou mais de R$ 5 bilhões no mês passado. Foi o melhor resultado de setembro desde 1994. Isso porque é o dinheiro da poupança que alimenta o crédito imobiliário. Há dois anos, os financiamentos de imóveis cresciam cerca de 40%, enquanto a poupança, só 3%. Esse desequilíbrio levou as instituições financeiras a apostar que, agora, já no começo do ano que vem, faltariam recursos para o crédito imobiliário. O cenário mudou, e a realidade é que está sobrando fôlego.
De janeiro a setembro, o crédito imobiliário no Brasil chegou a R$ 79 bilhões, 35% a mais que no ano passado. Com esse dinheiro, quase 390 mil imóveis foram financiados no Brasil, 16,5% a mais do que no ano passado. Para quem pensa em financiar um imóvel nos próximos anos, o presidente da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário diz que dinheiro nos bancos para emprestar não vai faltar. “A nossa expectativa é que o credito imobiliário continue crescendo, lógico que a gente quer que ele cresça a taxas de 15% a 20% ao ano. É uma taxa que não traz impacto ao preço dos imóveis”, defende Octavio de Larizzi Junior, presidente da Abecip.
O consultor imobiliário acredita que o pleno emprego e a renda das famílias em alta devem continuar levando as pessoas a comprar a casa própria. Bom negócio também para os bancos. “Dificilmente a inadimplência chega a 2%. Você deixa de pagar seu carro, sua máquina de lavar, mas dificilmente você deixa de pagar o seu imóvel”, analisa Celso Amaral, consultor do mercado imobiliário.