Despertar a vocação e incentivar o trabalho no campo poderia ser descrito como o principal lema da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo. A tarefa começa desde o primeiro ano e é concluída só no final do Ensino Médio, quando os alunos são lançados direto para o mercado de trabalho, já qualificados como técnico em agropecuária. A reportagem está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.
“Já fiz algumas entrevistas de emprego e tenho propostas para trabalhar – em fazendas e empresas. É uma grande conquista poder já sair daqui com emprego bom, no ramo que quero”, avalia Valdir de Souza Menezes, de 18 anos. O colega de turma, Gabriel Nogueira Avalo, de 18 anos, também já está se preparando para ir trabalhar em uma lavoura no interior e considera que “sem a qualificação eu não conseguiria emprego agora”.
Mas além da preocupação em oferecer a opção do estudante já sair da escola qualificado e empregado, a grade curricular de sete aulas diárias, com ensino integral, têm o objetivo de preparar o jovem para ingressar na universidade. Os alunos conquistaram novamente, em 2012, o terceiro lugar no Enem entre o ranking das escolas agrícolas do país. A mesma colocação foi conquistada entre as escolas públicas de MS e o segundo lugar entre os estabelecimentos públicos de Campo Grande.
Para quem faz parte da conquista, o sentimento agora é de gratidão pela ensino “puxado” e foco na futura carreira. “Nós aprendemos aqui também a ter disciplina e tivemos uma rotina de estudos que outras escolas públicas não oferecem”, frisa Handrya Carla Santos, de 17 anos, que quer cursar Veterinária e aguarda junto com outros colegas de turma os resultados do Enem 2013 para disputa de uma das vagas da UFMS.
Ela conta que já gostava da área, mas foi durante as aulas práticas na agroescola que teve certeza sobre a futura profissão. “Vou poder melhorar como profissional e ter mais conhecimento para o trabalho”, justifica a escolha pela graduação.
Até para quem resolveu optar por uma área em geral bem distante do meio rural, a Engenharia da Computação, a avaliação é de que o estudo na agroescola foi fundamental para seguir na carreira universitária. “Eu quis vir para cá, primeiro, por conta do ensino de qualidade”, afirma José Ivan Vieira, de 17 anos.
Ele ainda vê alternativas para usar o conhecimento no aprimoramento de técnicas do campo. “Quem disse que eu não posso trabalhar para o campo também? A gente aprende aqui a importância da tecnologia e eu, quem sabe, vou poder ajudar a desenvolver novas tecnologias e equipamentos para ajudar no trabalho”, planeja.
Melhora
É um horizonte que se abre para os jovens que cresceram na área rural; oportunidade de seguirem na profissão que aprenderam com os pais, mas com salário e condições de trabalho melhores, além de levar inovações para o agronegócio.
“Eu sempre gostei de mexer com o campo, como meu pai, mas eu vou poder ter um estudo melhor, não vou ficar trabalhando tanto na parte da mão de obra, vou poder levar inovação para o campo, novas técnicas”, projeta o futuro acadêmico de Veterinária, João Victor Alves, de 17 anos. Ele cresceu ajudando a família que trabalha na administração de uma fazenda.
Tímido, mas com olhos de esperança, ele conta que a expectativa é de também aumentar a renda familiar com o curso superior e um dia comprar sua própria fazenda. “Acredito que se eu me dedicar posso conseguir me destacar, juntar dinheiro e comprar minha área”, espera.
Orgulhoso com o ingresso dos egressos no mercado de trabalho e os futuros universitários, o diretor reforça que a preocupação principal da escola é com o conhecimento, mas sempre aliado ao campo. ”Nosso objetivo é incentivar, mostrar as perspectivas de trabalho no campo. Mostrar para esse aluno que cresceu com os pais trabalhando em fazenda que ele pode continuar na área, mas crescer, ter mais possibilidades de trabalho”, destaca.
Ele chama a atenção para a necessidade que o mercado da área tem hoje de encontrar profissionais qualificados. “A tecnologia entrou no campo e o profissional tem que estar preparado. A experiência conta muito, mas a formação vai fazer a diferença em um processo de inseminação, melhora de produção, por exemplo”, frisa.