O Conselho de Administração da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras responsável pela comercialização e distribuição de derivados do petróleo no país, decidiu em reunião nesta sexta-feira (21) exonerar do cargo o diretor financeiro Nestor Cuñat Cerveró.
Com a decisão, o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, passará a acumular interinamente as atividades do diretor financeiro. Nestor Cerveró é funcionário de carreira desde 1975. A Petrobras não divulgou qual será o destino dele na empresa.
Cerveró era o diretor da área internacional da Petrobras em 2006, quando a estatal comprou 50% da refinaria de Pasadena (EUA). A transação se tornou objeto de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) devido a suspeitas de superfaturamento.
No início da noite, a Petrobras divulgou um comunicado ao mercado:
"Mudança na Diretoria Executiva da Petrobras Distribuidora
Rio de Janeiro, 21 de março de 2014 – Petróleo Brasileiro S.A. – A Petrobras informa o Conselho de Administração da Petrobras Distribuidora, subsidiária da Petrobras que atua no mercado brasileiro de distribuição de combustíveis, aprovou hoje, 21/3/2014, a destituição do diretor financeiro da companhia, Nestor Cuñat Cerveró. O presidente da subsidiária, José Lima de Andrade Neto, acumulará interinamente as atividades dessa diretoria."
Nesta sexta, antes do anúncio da exoneração, Cerveró afirmou à GloboNews que somente irá se manifestar sobre o caso da compra da refinaria em duas semanas, depois que voltar de viagem de férias ao exterior.
A aquisição de 50% da refinaria de Pasadena pela Petrobras, por US$ 360 milhões, foi aprovada pelo conselho da estatal em fevereiro de 2006. Posteriormente, em razão de litígio com a sócia belga Astra Oil, a Petrobras foi obrigada a comprar os outros 50% da unidade. Ao final, o negócio custou à Petrobras US$ 1,18 bilhão. Em 2005, a Astra Oil tinha comprado a refinaria por US$ 42 milhões.
A presidente Dilma Rousseff afirmou na quarta-feira (19), por meio de nota à imprensa, que se baseou em um parecer "falho" quando votou favoravelmente à compra dos primeiros 50% da refinaria. À época, Dilma era ministra-chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
Segundo ela, o documento apresentado pela área internacional da estatal, então chefiada por Cerveró, omitia cláusulas que, "se conhecidas, seguramente não seriam aprovadas pelo conselho".
No Congresso Nacional, a oposição cobra explicações de Dilma e quer que a Petrobras seja investigada pela compra da refinaria, hoje considerada um negócio malsucedido. Na quinta-feira (20), o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho, chegou a afirmar que o governo "não teme" a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a compra.