O principal índice de ações da Bolsa brasileira fechou hoje em alta, estimulado pela reação positiva ao discurso da presidente do banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, e com perspectiva de adoção de estímulos pelo governo chinês.
O Ibovespa subiu 1,30% no dia, a 50.414 pontos. Com este desempenho, o índice acumulou forte ganho de 7,05% em março, marcando seu melhor desempenho mensal desde janeiro de 2012, quando subiu 11,13%. Foi também o primeiro mês desde outubro do ano passado que o índice fechou no azul.
"O mês foi bastante influenciado pelo cenário político. O mercado criou perspectivas de que a presidente Dilma Rousseff terá mais dificuldade para se reeleger em outubro, o que beneficiou os papéis de estatais", diz Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.
A percepção, segundo o analista, é de que um possível novo governo pudesse utilizar menos as estatais como instrumento político. "Por exemplo, deixando a Petrobras ajustar os preços dos combustíveis, mesmo que isso traga pressão inflacionária ao país", acrescenta.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, o alívio da Bovespa em março é pontual, e a pressão deve voltar nos próximos meses. "Não houve mudança nos fundamentos econômicos, que continuam deteriorados. O que pode ter ajudado na retomada vista neste mês foi o fato de os preços estarem muito baixos após semanas de queda", diz Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho.
A fala da presidente do Fed (BC americano), Janet Yellen, deu fôlego aos mercados hoje. A executiva disse que o compromisso "extraordinário" do banco central dos Estados Unidos em impulsionar a economia, especialmente o mercado de trabalho, ainda será necessário por algum tempo.
Yellen defendeu de maneira forte as políticas do Fed de taxas de juros baixas e contínuas compras de títulos, dizendo que ainda há uma "considerável" ociosidade na economia e no mercado de trabalho.
Um aumento nos juros dos EUA, segundo especialistas, causaria uma fuga de investidores dos emergentes, como o Brasil. Isso porque os títulos americanos, considerados de baixíssimo risco, são remunerados por essa taxa. Atualmente a taxa básica de juros americana está em seu menor patamar histórico, entre 0% e 0,25% ao ano.
As ações mais negociadas da mineradora Vale avançaram 1,94% nesta segunda-feira, impulsionadas pela perspectiva de que a China adotará medidas de estímulo em breve, o que fez os preços do minério de ferro dispararem no mercado à vista asiático.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil e o maior comprador internacional do minério produzido pela companhia brasileira.
Câmbio
No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve leve desvalorização de 0,19% sobre o real, cotado a R$ 2,258 na venda. No mês, houve queda de 3,26%.
Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 0,44% hoje, a R$ 2,269. Em março, porém, houve desvalorização de 3,24%.
O Banco Central deu continuidade nesta segunda-feira ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através de um leilão de swaps cambiais (operação que equivale à uma venda futura de dólares) que movimentou US$ 198,5 milhões.
A estratégia de intervenções do BC no câmbio tem levantado dúvidas em operadores. O mais recente ponto de interrogação veio porque a autoridade monetária não rolou integralmente os swaps cambiais que vencem amanhã.
Restaram cerca de 55.000 contratos a serem rolados, do lote equivalente a US$ 10,148 bilhões. Foi a segunda vez que isso aconteceu desde que teve início o programa de intervenções diárias, em agosto do ano passado. A última rolagem parcial foi a do lote de novembro do ano passado, quando o dólar era negociado abaixo de R$ 2,20.
Para operadores, a rolagem integral dos contratos reduziria a pressão sobre o câmbio, diminuindo ainda mais o valor da moeda americana. A avaliação é de que o BC está confortável com o dólar entre R$ 2,25 e R$ 2,30, por isso teria rolado apenas parcialmente o lote de swaps que vencem amanhã.