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Cai número de domésticos que dormem no trabalho

Cai número de domésticos que dormem no trabalho

Redação

25/04/2014 - 00h00
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A mudança no perfil dos empregados domésticos -mais velhos e com filhos- fez o total desses trabalhadores que dormem no emprego despencar em duas décadas.

Segundo estudo da Fundação Seade, o percentual de domésticos que morava no trabalho, que era de 22,8% em 1992 -quase um de cada quatro-, caiu para 2,2% no ano passado na Grande São Paulo.

O estudo foi feito a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese (Departamento intersindical de estatísticas e estudos socioeconômicos).

Para o coordenador da equipe de análise da pesquisa, Alexandre Loloian, o desinteresse de jovens por esse tipo de emprego fez com que a idade média do doméstico aumentasse. Hoje, a maioria dos trabalhadores está na faixa dos 40 anos.

"Os jovens têm mais alternativas por causa do crescimento da economia e do setor de serviços. Esse trabalho foi deixado de lado porque não é reconhecido socialmente nem oferece perspectiva de crescimento profissional", afirma.

A pouca popularidade da ocupação fica clara no estudo. No ano passado, os domésticos correspondiam a 14% das pessoas empregadas na Grande São Paulo -no começo dos anos 1990, o percentual chegava aos 20%.

Para Loloian, outro fator que influencia a queda do número de domésticos que dormem no trabalho é o tamanho de apartamentos construídos a partir dos anos 1990.

Com a valorização imobiliária e o metro quadrado mais caro, os quartos de empregada foram sendo excluídos das plantas. "Edifícios novos não têm espaço para a doméstica", diz. 

Rendimento
O estudo também indica que, em 2013, o rendimento médio por hora para diaristas e mensalistas com carteira assinada na Grande São Paulo teve a maior alta em 17 anos.

No primeiro caso, o aumento foi de 10,5%, para R$ 7,55 por hora trabalhada. No segundo, a alta foi de 9,7%, para R$ 6,15.

Os rendimentos das mensalistas sem carteira tiveram alta de 3,8%.

De acordo com Loloian, o aumento é consequência das altas do salário mínimo e do maior reajuste feito pelo Estado de São Paulo entre 2012 e 2013 em comparação com outras regiões.

Além disso, a escassez desses trabalhadores no mercado teria aumentando o poder de negociação com os patrões.

"Agora, eles podem negociar um salário melhor. Mesmo assim, o segmento ainda é o mais mal pago entre todas as atividades. É o menos valorizado", diz o pesquisador.

No começo de 2013, as três faixas do mínimo paulista passaram a ser de R$ 755, R$ 765 e R$ 775. Neste ano, há apenas duas faixas: R$ 810, para trabalhadores como domésticos e motoboys, e R$ 820, para operadores de telemarketing e cobradores de ônibus, entre outros.
Em âmbito federal, o salário mínimo em 2013 era R$ 678. Neste ano o piso nacional é de R$ 724. 

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