O desempenho do crédito abaixo do esperado nos cinco primeiros meses do ano levou o Banco Central a reduzir sua previsão para o crescimento desse mercado em 2014.
Em março, a instituição divulgou uma previsão de expansão do crédito de 13% para o ano.
Agora, a nova estimativa é de 12%.
A revisão se deve, principalmente, ao desempenho das instituições privadas nacionais. O crédito nesses bancos cresceu 5% nos últimos 12 meses e deve fechar o ano com expansão de 7%, segundo o BC.
A estimativa anterior era de aumento de 10%, o que representava recuperação em relação aos 6,6% vistos em 2013.
O crédito total cresceu 15% no ano passado, mas desacelerou nos cinco primeiro meses de 2014, período que fechou com expansão de 12,7% em 12 meses.
Para os bancos públicos, foi mantida expectativa de crescimento da carteira de 17%. Nessas instituições, o crédito já desacelerou de uma taxa de 23% no fim do ano passado para 19,4%.
Para os privados estrangeiros, a previsão do BC passou de 8% para 9%, mesma taxa verificada no final do ano passado e nos 12 meses encerrados em maio deste ano.
"Os dados observados até o momento nos levaram a fazer esse ajuste [nas projeções]", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.
Segundo ele, a desaceleração do crédito é uma tendência verificada há alguns anos e é um movimento necessário para garantir a sustentabilidade desse crescimento. O crédito passou de 23% para 56% do PIB desde 2003, segundo o BC, e chegou a crescer a taxa de 30% em 2008.
Perguntado se o crédito era o fator responsável pelo baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), Maciel afirmou que esse indicador ainda tem expansão superior à da economia brasileira e é "fator relevante para a viabilidade do crescimento econômico".
A desaceleração do crédito se deu em um momento de alta da taxa básica de juros (Selic), que passou de 7,25% para 11% ao ano entre abril de 2013 e abril de 2014.
Essa elevação atingiu principalmente os empréstimos com taxas definidas livremente no mercado. A previsão do BC de expansão do crédito livre em 2014 passou de 10% para 7%.
Para os empréstimos direcionados, subiu de 17% para 19%, principalmente devido ao desempenho do crédito imobiliário.