Depois de quase três anos consecutivos de sucessiva euforia, com supervalorização de preços de imóveis, o mercado imobiliário de Campo Grande segue tendência nacional e passa por momento de acomodação, devendo fechar 2014 com redução de até 25% no movimento, segundo estimativa do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS).
Apesar de alarmante, a média está abaixo da projetada para o Brasil, em recente convenção nacional dos sindicatos do setor, que aponta para até 47% de queda, baseada em vários fatores; entre eles, o encolhimento da economia em 0,3%, conforme prévia divulgada mais recentemente. O efeito “Minha Casa, Minha Vida”, que oferece subsídio de até R$ 170 mil em habitação, é considerado o principal fator para “salvar” o setor da estagnação, mas não o único.
“O mercado imobiliário de Campo Grande é composto de vários segmentos. Para o público com poder de compra de imóveis na faixa até R$ 170 mil, justamente o limite atendido pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o mercado está aquecido. Além disso, o financiamento imobiliário está crescendo – o índice previsto para este ano é de 15%, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) –, vários empreendimentos iniciados há até três anos estão sendo entregues agora, e isso contribui para que o movimento do mercado imobiliário não caia”, analisa o presidente do Secovi-MS, Marcos Augusto Netto.
Na avaliação do dirigente do Secovi-MS, também contribui para esse relativo aquecimento uma espécie de deflação dos preços dos imóveis. “Primeiro, os preços não estão tão inflados como alguns anos atrás, e, para os que estavam, em decorrência de uma superoferta, faz-se uma promoção, um desconto, e isso agora é o normal no mercado”, comentou. Recentemente, uma construtora lançou mão de campanha com direito a outdoors espalhados pela cidade, para dar desconto de até R$ 60 mil nos imóveis em lançamento. “Isso mostra que o mercado está dinâmico”, ressaltou.
Reportagem, de Daniella Arruda, está na edição desta segunda-feira do jornal Correio do Estado.