O dólar iniciou junho em queda, com expectativa pela entrada de recursos no país por causa de uma emissão externa de bônus pela Petrobras, o que amenizou a cautela com o menor ritmo de intervenções do Banco Central no câmbio.
A moeda americana à vista, referência para o mercado financeiro, fechou esta segunda-feira (1º) praticamente estável, com ligeira queda de 0,03% sobre o real, cotado em R$ 3,179 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,40%, para R$ 3,174.
A Petrobras lançou nesta segunda US$ 2,5 bilhões em bônus de 100 anos, na primeira investida da estatal nos mercados internacionais desde o estouro da Operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga desvios de dinheiro na companhia.
"É um volume grande, com potencial para influenciar a cotação, sim", disse Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho. "Também houve a divulgação da balança comercial, que registrou superavit de US$ 2,761 bilhões em maio, ajudando a aliviar a pressão no mercado cambial", completou.
Segundo João Pedro Brügger, analista da Leme Investimentos, o mercado vai monitorar essa semana a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). "Os juros devem subir 0,5 ponto percentual e o mercado vai ficar atento a sinalizações sobre o fim do ciclo de aperto monetário ou não", afirmou.
Com a Selic (taxa básica de juros nacional) maior, aumenta também a expectativa de entrada de recursos no país, com estrangeiros em busca dos maiores retornos. Atualmente os juros estão em 13,25% ao ano.
A avaliação dos analistas ouvidos pela reportagem é que o fluxo pode continuar positivo até que o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) comece a elevar os juros naquele país, o que deve acontecer em setembro ou dezembro. Por isso, dados sobre a atividade econômica americana estiveram no radar do mercado nesta segunda-feira (1º).