Descontos de até 80% em artigos como roupas, cama, mesa e banho e calçados nas vitrines, mas poucos consumidores com sacolas nas mãos, aproveitando as promoções. Assim, em cenário de “paradeira”, o comércio de Campo Grande encerrou a última semana de junho e iniciou o primeiro semestre de 2015, ainda em ritmo de baixo crescimento de vendas. Como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, datas que tradicionalmente costumam ser o carro-chefe de vendas do ano, ficaram abaixo da expectativa, lojas recorreram à antecipação das liquidações de inverno para tentar salvar o movimento e atrair a clientela. A meta é chegar neste mês a 3% de crescimento das vendas sobre o mesmo período do ano anterior, mas o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL), Hermas Renan Rodrigues reconhece: será um desafio e tanto, diante do cenário de crise e retração do consumo, que desde o início do ano só faz “encolher” os resultados do comércio da Capital.
“O consumo continua bastante desfavorável e podemos relatar ao menos três itens — o crédito está mais caro; o mercado de trabalho vem sofrendo suas baixas e esse é um cenário que não vai ser modificado a curto prazo; e o índice de confiança do consumidor está baixo, principalmente pelo efeito psicológico do restante do País, uma vez que Mato Grosso do Sul ainda pode ser considerado um dos poucos Estados com índices de excelência — está aquecido pelo agronegócio e vai receber grandes investimentos até o fim do ano. Mas temos uma expectativa de que nossos números só não fecham melhores que no ano passado porque a inflação deve chegar a 9%; os juros continuarão altíssimos, o próprio endividamento do Centro-Oeste teve uma certa ascensão e tudo isso contribui para ‘segurar’ o endividamento do consumidor nos patamares de 2014”, analisa.
*A reportagem, de Daniella Arruda, está na edição de hoje do Jornal Correio do Estado.