O reflexo negativo do aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel agora em janeiro resultou na demissão de 20 funcionários de postos que ficam próximos a Campo Grande. Além disso, a comercialização do combustível caiu 39% nos primeiros 15 dias deste mês.
Esse cenário foi divulgado pelo Sindicato do Comércio de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro) na tarde desta sexta-feira (15). Em todo o Estado, são 99 postos funcionando nas rodovias e a estimativa que mais pessoas devem perder emprego por conta da queda no volume de comercialização.
O governo do Estado havia reduzido o ICMS de 17% para 12% durante o segundo semestre de 2015. A medida tinha o objetivo de aumentar o abastecimento do diesel por caminhoneiros que cortam MS, mas o resultado não foi dos melhores.
Independente do resultado, a Secretaria de Estado de Fazenda previa que o imposto retornasse ao patamar do primeiro semestre do ano passado neste janeiro, o que aconteceu.
“Voltamos ao patamar verificado antes da redução da alíquota do ICMS sobre o diesel, ou seja, retrocedemos. Por conta disso, os empresários que em seus postos haviam contratado entre 10 e 15 funcionários para atender o aumento da demanda, já começaram a promover demissões", garantiu o consultor técnico do Sinpetro, Edson Lazaroto.
Ele ressaltou que os caminhões deixaram de ser abastecidos nas rodovias estaduais ou a média de gasto diminuiu com relação ao ano passado. "Os caminhoneiros voltaram a abastecer na média de R$ 200,00 nos revendedores de Mato Grosso do Sul para terem combustível suficiente apenas para chegar a outros Estados e completar o abastecimento dos tanques das carretas”, explicou Lazaroto.
A área técnica do sindicato divulgou que nos primeiros 15 dias de janeiro, o tiquet médio de cada posto (que é o resultado da soma da venda diária dividida pelo número de caminhões abastecidos) caiu de R$ 366 para R$ 220.
“Na semana passada constatamos que determinado transportador teve que reter na base de Paulínia (SP), três das quatro carretas que deslocou para transportar o diesel ao nosso Estado. Os veículos foram liberados apenas após a redução do estoque do produto contido nos tanques das distribuidoras, mais uma dentre as várias situações que demonstram queda considerável no volume comercializado”, disse o consultor técnico.
DISCUSSÃO PARA MUDANÇA
O Sinpetro informou que aguarda uma audiência com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para a primeira quinzena de fevereiro com o objetivo de rever a alíquota.
Os argumentos a serem utilizados pela entidade é o risco de mais demissões e a perda nos negócios. A tentativa será rever com o governo a possibilidade de uma nova queda do ICMS sobre o diesel.
TAMANHO DO MERCADO
Mato Grosso do Sul tem 570 postos de combustíveis, desses 99 estão localizados nas rodovias federais e estaduais.
O preço do diesel tem reflexo principalmente no comércio de beira de estrada. "Para abastecer um caminhão leva-se mais tempo do que um carro. Por isso o posto precisa ter mais funcionários. Se os caminhões não param, os donos dos postos não devem continuar com os funcionários contratados. Mas temos a promessa de recontratação se houver mudança na alíquota", disse Lazaroto.