Economia

ENTREVISTA TRONCOSO

‘Não lembro de ter tido algum cliente que tenha me passado para trás’

Troncoso é um dos pioneiros em comercializar secos e molhados na Capital

Redação

11/12/2016 - 04h00

Aos 85 anos, o comerciante Antônio Simão Abrão, mais conhecido como Troncoso, acumula história de vida ligada ao armazém da família - que serviu por décadas famílias locais e pantaneiras - e a sua vocação de atuar em vários setores da cidade.

Mesmo sem ser ferrenho saudosista, nesta entrevista ao Correio do Estado relembra dos bons tempos do comércio na Capital, das centenas de amigos que fez - e continua fazendo - e enfatiza a importância de até hoje ver o espaço do antigo armazém frequentado assiduamente por personalidades. 

CORREIO PERGUNTA - O senhor é um dos pioneiros em Campo Grande na comercialização de produtos secos e molhados por atacado, num armazém conhecido como Troncoso, que durante anos abasteceu comerciantes e famílias. Como tudo começou?

ANTÔNIO SIMÃO ABRÃO -  Eu nasci em 1931 aqui nesta casa (Rua 7 de Setembro esquina com 14 de Julho, ao lado do Armazém Troncoso), que meus pais já tinham comprado, em 1926 ou 28, eu acho. Eu, meu irmão e mais três irmãs morávamos aqui com eles.  Quando eu tinha três anos meu pai morreu assassinado, depois de tentar apaziguar uma briga familiar e minha mãe, que nesta época já tinha o armazém, conseguiu levar a coisa em frente.

E já se chamava Armazém Troncoso na época?

Não, isso foi uma brincadeira comigo feita pelos amigos. Havia uma família que tinha uma exportadora que chamava Troncoso e Hermanos e eu fiquei muito amigo do Jaime, o mais novo.  E  o João Troncoso, que foi diretor do Metrô do Rio de Janeiro, começou a me chamar de Troncoso também.  Eu fiquei muito amigo da família e este João me disse que, se eu não me importasse, deixasse correr solto que o povo esqueceria deste meu apelido dado por eles. Mas isso não aconteceu, continue sendo o Troncoso. 

E como se chamava o armazém herdado de seus pais?

Não tinha nome, era o armazém da Rafaela (nome da mãe). Mas depois dos anos 60, 70, por aí, o nome Troncoso ficou e até hoje eu aceito me chamar como tal. Porque nos tempos de colégio eu era conhecido como Abrão (sou de família de sírios). 

E para quem este armazém vendia, primordialmente?

Nós éramos atacadistas de secos e molhados  e vendíamos principalmente para famílias do Pantanal, que passavam por aqui e levavam os produtos. Éramos grande fornecedor para esta região, tanto que os pantaneiros todos ficaram meus amigos. Começou com sr. Augusto Figueiredo, que trouxe os outros e passaram a ter o armazém como ponto de encontro.  Eles compravam muitos produtos no latão, e o que eu não tinha eles faziam uma relação e eu comprava fora para poder abastecê-los.  Nestes latões eles colocavam tudo: arroz, feijão, café, mate... E quando havia algum produto que eles queriam mas não era do meu ramo, eu comprava.  Eu era um bom comprador de uma firma lá em Arapiraca, chegava uma caminhonete cheia de fumo só para eu vender.

E seu irmão o ajudava na lida aqui no armazém?

Meu irmão era o Fauzer, médico, que foi diretor do Hospital do Câncer em São Paulo, foi professor na faculdade. Mas na época em que éramos moços, só um podia estudar, os dois não dava, um de nós tinha que trabalhar. E como achava que ele, meu irmão, era muito mais competente que eu, deixei que  fosse para São Paulo. Ele fez Faculdade de Medicina, que naquela época eram apenas 60 vagas na Escola Paulista, e passou. E eu fiquei aqui, trabalhando no armazém. Eu o ajudava até que ele começou a trabalhar. Muito competente, ele dava aula na faculdade e era o diretor do Hospital do Câncer. Eu comecei a trabalhar mesmo, aqui, com 27, 28 anos. Minha mãe faleceu em 1985 e até lá aguentou esta marimba sozinha, firme. E minha irmã mais velha ajudou minha mãe também quando morou aqui.

E como é que o pessoal do Pantanal chegava aqui para comprar? Vinha a cavalo?

Que nada, todos já estavam motorizados, tinham caminhonete, caminhão, não peguei a época do latão no cavalo, não. Cavalo, para mim, só quando eu mexi com cavalo de corrida (risos). 
 
O que mudou em sua vida como comerciante na Campo Grande depois da divisão do Estado? 

Não mudou muito, não. Eu fechei o armazém em 1997. Mas tive outros comércios além deste armazém: uma torrefação de café, uma máquina de arroz, posto de gasolina. E, com o advento dos supermercados eu, por preguiça ou negligência, não passei para esta fase do comércio de autoatendimento. Então, fui diminuindo a atividade e comprei fazenda. E passei a ser dono de fazenda e não fazendeiro, porque fazendeiro é aquele que vive na fazenda e isso eu não sou. Mas investi o que tinha aqui em Campo Grande, porque  nunca saí desta cidade, a vida inteira eu gostei muito daqui, não saio desta cidade por nada. Mas preciso contar uma coisa: quando eu estava um pouco mais velho, com 44 anos, fiz vestibular para Direito. Na verdade, fiz um desafio para mim mesmo, isso sim. Imagine, 25 anos depois de ter concluído o ensino médio, me formei em Direito. Mas nunca trabalhei nem um dia como advogado.  

*Leia toda a entrevista, feita por Cristina Medeiros, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

Loterias

Resultado da Lotofácil de hoje, concurso 3822, quinta-feira (05/11)

A Lotofácil é uma das loterias mais populares no Brasil, com sorteios realizados seis vezes por semana, de segunda a sábado; veja números sorteados.

05/11/2026 20h05

Volantes da Lotofácil, uma das modalidades de loteria administradas pela Caixa Econômica Federal.

Volantes da Lotofácil, uma das modalidades de loteria administradas pela Caixa Econômica Federal. (Foto: Divulgação/Caixa)

Continue Lendo...

Loterias

Resultado da Lotomania de ontem, concurso 2995, quarta-feira (04/11): veja o rateio

A Lotomania tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

05/11/2026 08h38

Confira o rateio da Lotomania

Confira o rateio da Lotomania Foto: Divulgação

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).