Dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) consideram a baixa produtividade um dos principais entraves ao aumento da competitividade da economia brasileira.
Os representantes da entidade comentaram os resultados da pesquisa Competitividade Brasil, divulgada nesta quinta (19) e que mostra o país no penúltimo lugar em um ranking de 18 países. As informações são da Agência Brasil.
O Brasil superou apenas a Argentina em uma lista de países escolhidos por suas semelhanças com a economia brasileira, seja pelo nível de renda parecido ou por competirem com os mesmos produtos no mercado externo.
O país demonstrou o pior desempenho em custo e disponibilidade de capital. No entanto, para a CNI, os problemas para custear e achar mão de obra também merecem destaque. O Brasil ocupou o décimo primeiro lugar na avaliação desse quesito.
O gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, diz que a mão de obra mais cara está ligada também à baixa produtividade, ou seja, reduzida capacidade de produzir com eficiência.
"O problema é a baixa produtividade. Nesta edição da pesquisa, a gente ficou no vermelho em crescimento da força de trabalho [conceito associado às pessoas disponíveis com capacidade para serem empregadas] e isso nos fez cair várias posições", comentou.
Fonseca afirmou que o aumento da produtividade passa pela melhoria da educação. "Em termos de solução, vários fatores dificultam. A educação é um deles. A baixa qualidade da educação dificulta que os trabalhadores consigam absorver novas tecnologias, em um mundo em que a tecnologia muda muito rápido. Ou seja, o aprendizado tem que ser rápido e isso é difícil", declarou.
Curiosamente, a educação foi o quesito em que o Brasil ficou mais bem posicionado no ranking: ocupou o nono lugar, entre 15 países com informações disponíveis sobre o assunto. O principal motivo foi o subfator gastos com educação, no qual o país figura em quarto lugar.
Os representantes da CNI acreditam que isso reforça o entendimento de que gastos altos não significam educação de qualidade, já que apesar dos investimentos elevados o país ocupou posições baixas em quesitos como qualidade e disseminação da educação, respectivamente 12º e décimo lugares.
"Se eu só manter o gasto e não tiver resultado, eu acabo não tendo competitividade. O grande investimento na educação tem que ser na questão da gestão", disse Renato da Fonseca.
"Quando comparamos o desempenho de diversos estados em relação a gastos na educação, é surpreendente observarmos que, nos que têm os melhores resultados, não necessariamente a associação é perfeita em termos de gastos. Estados do Nordeste mostram desempenhos superiores aos do Sul e Sudeste", acrescentou o diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Fernandes.
IMPACTOS DA CRISE
Na avaliação da CNI, a crise econômica dos anos recentes piorou o desempenho do país na pesquisa Brasil Competitividade. De 2015 para 2016, o país retrocedeu posições em quatro dos nove fatores que determinam a capacidade de competir: disponibilidade e custo de mão de obra, ambiente macroeconômico, competição e escala do mercado doméstico e tecnologia e inovação.
A penúltima posição na classificação geral, contudo, repetiu o resultado que vem sendo registrado desde 2012. A pesquisa foi feita pela primeira vez em 2010 e repetiu-se em 2012, 2013 e 2014.
O primeiro lugar no ranking geral do estudo este ano foi ocupado pelo Canadá, seguido pela Coreia do Sul, Austrália, China, Espanha e Chile. Foram analisados ainda, em ordem de classificação, Polônia, Rússia, Tailândia, Turquia, Indonésia, África do Sul, México, Índia, Colômbia e Peru, além do Brasil e Argentina, que ocuparam os últimos dois lugares.
VEJA O RANKING
1º - Canadá
2º - Coreia do Sul
3º - Austrália
4º - China
5º - Espanha
6º - Chile
17º - Brasil
18º - Argentina
ESTADO NO CENÁRIO
A atividade agropecuária de Mato Grosso do Sul cresceu três posições e ocupa o 2º lugar no ranking de competitividade do setor na Região Centro-Oeste e 8º do Brasil, de acordo levantamento da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), divulgado ano passado.
O índice é elaborado por estados e considera a infraestrutura, educação, saúde, ambiente macroeconômico, inovação e mercado de trabalho.
A competitividade estadual agropecuária depende de componentes socioeconômicos que estão em constante transformação ao longo do tempo, influenciando o comportamento do mercado nacional, o que pode alterar o ranking de competitividade estadual de um ano para o outro.
Também são ponderadas 21 variáveis econômicas e sociais que influenciam o desempenho da atividade em cada estado.De acordo com o relatório de 2015, (baseado em informações para o ano de 2012), São Paulo foi o estado brasileiro com o maior indicador de competitividade para o desenvolvimento do Agronegócio (0,865), seguido por Rio Grande do Sul (0,661) e Paraná (0,610).