Com meta de chegar ao fim deste ano trazendo 50 novos empreendimentos incentivados pela prefeitura, Campo Grande já começa a colher frutos em outra frente estratégica na atração de investidores: a diversificação da base da produção.
Entre indústrias e empresas incentivadas pelo poder público municipal e estadual, a cadeia produtiva da Capital ganha neste ano uma fábrica de proteína texturizada de soja – a expansão da unidade da Archer Daniels Midland Company (ADM), situada no Núcleo Industrial, na saída para Aquidauana – e, até o próximo ano, um frigorífico de peixes, trazido pela empresa Frescomares. Com a retomada da economia nacional e a conclusão das obras de acesso ao macroanel rodoviário, na região do Indubrasil, a expectativa é de que também entre em funcionamento no último trimestre de 2018 o Outlet Premium Campo Grande. Juntos, os três empreendimentos somam cerca de R$ 720 milhões em investimentos e têm estimativa de gerar 1,6 mil empregos.
De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sedesc), Luiz Fernando Buainain, no ano passado, a pasta prestou cerca de 500 atendimentos a empresários interessados em conhecer as oportunidades de investimento da Capital e neste ano a procura segue aquecida.
“Estamos mostrando para as empresas de fora as oportunidades e as potencialidades que nós temos aqui em Campo Grande, para poder atrair esses investimentos. O prefeito tem nos dado a orientação de trazer empresas de fora para melhorar a cadeia, principalmente aquelas que não tenham, em si, um posicionamento aqui no município, mas também para valorizar muito e estimular as empresas daqui, para que elas possam crescer 20%, 30% a 50% do seu negócio, o que, para nós, também é de relevância”, enfatizou.
De olho nas oportunidades de negócio, foi com este foco que a capital sul-mato-grossense conseguiu vencer a disputa com Belo Horizonte (MG) e trazer o empreendimento da empresa Frescomares – como “plus”, destaca o secretário, também será implantada no município uma empacotadora de produtos à base de pescado, já prontos para o consumo. Os dois empreendimentos somam R$ 12,9 milhões em investimentos e devem gerar 80 empregos diretos.
“São máquinas que o empresário importou de Israel, já estão chegando ao Brasil, e vão ser instaladas em Campo Grande. Então, nós vamos ter dois empreendimentos: o frigorífico e a enlatadora, que é uma novidade porque a unidade vai começar a enlatar salmão, camarão, que pode durar até dois anos de validade. É uma tecnologia nova que ele está trazendo, isso no frigorífico, e mais a empacotadora.
Nela, vem o pacote pronto, o produto temperado, o consumidor coloca no forno, aquece e, em poucos minutos, pode servir direto na mesa”, explicou.
FUTURO
Entre os empreendimentos que têm previsão de lançamento para a Capital, está um hotel temático, que promete encantar o turista com alguns dos principais atrativos de Mato Grosso do Sul.
Detalhes do projeto e do grupo empresarial responsável não são divulgados, mas, somente em infraestrutura, são aproximadamente R$ 45 milhões de investimentos, conforme adiantou ao Correio do Estado o secretário Luiz Fernando Buainain.
“É um hotel com tendências sul-mato-grossenses, trazendo um pouquinho do Estado de Mato Grosso do Sul para esse empreendimento. Vamos tentar desenvolver, nesse hotel, um pouquinho do mergulho de Bonito, poder fazer aqui em Campo Grande, algumas cachoeiras, como as de Costa Rica”, deu como exemplo.
Também existe a expectativa de trazer uma refinaria de petróleo, para produção de gasolina tipo A e óleo diesel, tendo como matéria-prima a nafta. O segmento é um dos que interessam para o novo polo, que será instalado na região de saída para Sidrolândia, no entorno do Jardim Tarumã.
“Temos duas empresas que nos procuraram e uma delas está concluindo empreendimento em Cuiabá, e nós estamos conversando para trazer uma unidade para Campo Grande. Outra empresa também nos procurou no início do mês, também falando na implantação de uma refinaria aqui na Capital”, adiantou o secretário.
PESQUISA
No momento, explicou o titular da Sedesc, a pasta também trabalha para viabilizar um estudo de matriz de insumo-produto, “o que vai nos dar, efetivamente, qual é o norte para onde caminhar, as cadeias produtivas que nós precisamos investir, quais as cadeias que já estão saturadas e nós não precisamos mais investir, quais são os setores, os produtos que nós vamos incentivar para que possam aumentar renda e também mais geração de emprego aqui na nossa capital”.
Ainda conforme o secretário, o estudo está em fase de contratação, mas terá o envolvimento de instituições de ensino, como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
“Estamos trabalhando com informação, que é o MIP, a Matriz de Insumo-Produto, para que a gente possa ter esse norte, e estamos trabalhando na captação de novas empresas, criando a oportunidade dessas novas áreas, para o município de Campo Grande”, completou.