A grande oferta de aves e até mesmo as notícias do embargo da União Europeia já derrubaram os preços no mercado avícola. Alguns cortes da carne chegaram a ficar 21,5% mais baratos nos supermercados de Campo Grande. De janeiro a abril, o preço do quilograma das aves da marca Sadia teve queda de 21,5%, de R$ 8,78 para R$ 6,89.
Já a ave inteira, da marca Copacol, caiu 15,9% – passou de R$ 7,90 para R$ 6,64. Outros cortes com retrações expressivas foram o de asas da Copacol (-10,3%), coxinha da asa da Copacol (-14%) e coração de frango congelado da Sadia (-9,8%). Somando todos os cortes, o valor do frango caiu 7,7% de janeiro a abril de 2018. As informações são do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp.
De acordo com o coordenador do Nepes/Uniderp, Celso Correia de Souza, a explicação para a derrubada dos preços está nos desdobramentos da segunda fase da Operação Carne Fraca, deflagrada em março passado pela Polícia Federal. Em abril, veio a notícia do embargo da União Europeia, que suspendeu as importações de frango de 20 frigoríficos do Brasil, incluindo dois de Mato Grosso do Sul (BRF em Dourados e Bello em Itaquiraí).
“Apesar de o embargo ser recente, o setor agiu preventivamente, pois já era algo que poderia acontecer. Estão desovando esse estoque grande de frango no mercado interno e quanto mais oferta menores os preços”, explica Souza.
De março para abril, as quedas do preço, na média de todos os cortes, foi de 4,3%. O frango abatido da Copacol caiu 9,2%, de R$ 7,32 para R$ 6,64; e o da Sadia registrou recuo de 15,3%, de R$ 8,14 para R$ 6,89.
Apesar de o embargo de exportações explicar as quedas recentes no preço do frango, o entrave não esclarece o porquê de a carne estar perdendo valor desde janeiro de 2018.
Para Souza, a desvalorização é consequência dos preços praticados na carne bovina, que também estão em retração. “O frango acompanha a carne bovina, e esta última vem recuando cada vez mais. Há um excesso de oferta e falta de demanda. A população tem feito economia até na alimentação. E, se o frango não ficar mais barato para acompanhar a carne bovina, ele não se vende”.
SETOR
Apesar da desvalorização, os avicultores não enxergam uma grande crise no setor por conta do embargo. Para Rondinelli Gulhak, da Associação de Avicultores da Grande Dourados (Avigrande), por enquanto está “tudo dentro da normalidade”, mesmo com as duas plantas embargadas no Estado.
O presidente da Associação de Avicultores de Mato Grosso do Sul (Avimasul), Adroaldo Hoffmann, destaca que o problema é pontual, apesar de a credibilidade de todo o setor ficar prejudicada. Hoffmann também já antevia que haveria uma “overdose de frango no mercado interno” por conta da suspensão do bloco europeu.