Até 2016, a Usina São Fernando, que produz açúcar e etanol, era considerada a maior geradora de empregos de Dourados. O empreendimento chegou a empregar, em 2011, cerca de 3.800 funcionários, situação muito distante da realidade atual. Atualmente, a indústria opera apenas com 30% de sua capacidade e conta somente com 900 trabalhadores.
As informações são do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Açúcar, Etanol e Bioenergia de Dourados e Ponta Porã. A entidade está preocupada com a situação da usina de etanol, que está em recuperação judicial desde abril de 2013.
A indústria pertencia à família do empresário José Carlos Bumlai, envolvido em escândalos de corrupção apontados pela Operação Lava Jato.
O presidente do sindicato, Donizetti Aparecido Martins, acredita que a solução para o problema depende de um comprador.
Em junho do ano passado, o juiz Jonas Hass da Silva Junior, da 5ª Vara Cível de Dourados, decretou a falência da usina, que passou a ser controlada por um administrador judicial até que se encontre um destino para o empreendimento.
Martins afirma que a área plantada diminuiu consideravelmente e que, somente a partir de junho, as lavouras serão colhidas. “Hoje, grande parte da matéria-prima está vindo de uma plantação localizada no município de Maracaju”, diz o sindicalista.
“A salvação da usina, dos empregos e da própria economia do município depende do aparecimento de um comprador que tenha capacidade econômica e competência para gerir a São Fernando”, reforça Martins, ressaltando que a empresa Vinicius Coutinho Consultoria e Perícias (VCP), designada pela Justiça para administrar a massa falida, está mantendo os salários em dia e garantindo o funcionamento da indústria.
Contudo, cerca de 350 dos quase três mil trabalhadores demitidos após o início da crise financeira, aponta o sindicalista, ainda não receberam suas indenizações.
“Salvar a usina São Fernando é muito importante para a economia de Dourados e do Estado”, ressalta Martins, destacando que a unidade é considerada uma das mais modernas e avançadas do País.
TERCEIRO LEILÃO
O administrador judicial da massa falida da São Fernando, Vinicius Coutinho, afirma que está sendo realizado um estudo para dar base à proposta de realização do terceiro leilão, que deverá acontecer ainda em 2018.
O maior credor da São Fernando é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou o projeto. No primeiro leilão, em setembro de 2017, o valor mínimo fixado para a venda da usina era de R$ 716 milhões, mas não apareceu nenhum interessado em arrematar o empreendimento.
Já no segundo certame, não foi arbitrado valor. Na ocasião, foi apresentada apenas uma proposta feita pela empesa Pedra Angular Açúcar e Álcool Participações e Administração no valor de R$ 825 milhões.
O juiz Jonas Hass julgou a Pedra Angular “incapaz de assumir tamanho compromisso” e afirmou que o capital social da empresa “é ínfimo ante o tamanho das dívidas, do capital da massa falida e do fluxo de caixa diário da massa falida”.
Vinicius Coutinho afirmou que é necessário encontrar uma solução definitiva para a Usina São Fernando, pela importância do empreendimento para a economia sul-mato-grossense.
A Justiça deverá se pronunciar sobre a realização de um novo leilão somente depois que o juiz Jonas Hass voltar do período de férias, conforme informações obtidas pelo Correio do Estado na secretaria da 5ª Vara Cível do Fórum de Dourados.