Boa notícia para os consumidores apaixonados pelos pratos típicos de festa junina. O levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas (Nepes), divulgou nesta sexta-feira (22), que a redução dos preços em Campo Grande obteve uma média de 2,28% nos últimos doze meses.
Se compararmos com o mesmo período de 2017, a diferença aumenta ainda mais, já que o consumidor gastou 7,57% a mais na compra de ingredientes. Os campeões na queda de preços foram: canela em pó (-21,16%), salsicha (-11,18%), milho verde em lata (- 10,55%), arroz (- 8,58%) e milho de canjica (- 7,11%).
O valor do milho de pipoca também declinou 6,50%. Entre os doces típicos, como paçoquinha e pé de moleque, a redução foi, em média, de 5,38%, e a matéria-prima típica para os bolos de Festa Junina, o fubá, caiu 4,02%. O amendoim e o coco, que também estão nesse grupo, registraram decréscimo de 1,44% e 0,41%, respectivamente.
O coordenador do Nepes/Uniderp, Celso Correia de Souza, o resultado de diminuição no preço de produtos bastante procurados no mes de junho, "reforça o comportamento registrado em vários meses da inflação em Campo Grande em 2018, ou seja, quedas generalizadas de preços de produtos do grupo de Alimentação nos últimos 12 meses", observa.
O estudo, que contemplou 54 produtos, foi realizado na primeira quinzena de junho, nos principais supermercados da capital e constatou que, de um ano para o outro, os alimentos que mais encareceram foram: maçã (13,74%), aguardentente (6,56%), farinha de milho (5,70%), molho de tomate (3,62%), canela em pau (2,91%) e vinho (1,38%).
TRADIÇÃO FAMILIAR
Joana de Souza Fernandes, 71 anos, é matriarca de uma família grande e com tradição de comemorar festa junina entre filhos, filhas, genros, noras e netos. Ela conta que é devota de São João e gosta de produzir uma mesa farta. "Não pode faltar curau, pamonha, pipoca e quentão, que prefiro fazer sem álcool por causa das crianças", explica.
Questionada se sentiu a diferença nas compras de alimentos, ela comenta que o valor realmente diminuiu, mas, que não dá para sentir muito no bolso, pois todos os convidados colaboram. "Quando reunimos a família cada um traz um prato, outros bebidas e também pratos e copos descartáveis. Mas é bom verificar que estamos gastando menos", finaliza.
Não só as famílias, como as comunidades e instituições religiosas sempre procuram reunir amigos e parentes nestas festas que representam os hábitos culturais brasileiros que foram herdados e adaptados dos colonizadores europeus. Uma curiosidade interessante sobre o termo "quadrilha" é que trata-se de uma dança de salão proveniente da França, lá chamada de "quadrille" e que ao chegar no Brasil se popularizou e se fundiu com as danças nacionais.
Sobre a diversidade de pratos a base de milho, é importante destacar que a principal colheita do grão acontece no mês de junho, no país. Outros pratos bastante apreciados no período são: pamonha, o curau, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho, arroz doce, bolo de pinhão, broa de fubá, maçã do amor, pé-de-moleque, vinho quente e quentão.
DICAS
Para o pesquisador da Uniderp, a queda de preços deve ser encarada com otimismo pelo consumidor. "Os produtos de alimentação usados nas festas juninas devem ter preços estáveis ou mais amenos que o ano passado, favorecendo a diversão da família", analisa Celso.
Para os produtos que subiram de preços, o professor aconselha o consumidor pesquisar e avaliar alimentos de marcas menos conhecidas, mas que mantenham uma boa qualidade. "Vale a pena, também, pesquisar os preços ou reunir um grupo maior de pessoas e comprar em atacadistas para conseguir descontos ainda maiores", finaliza.