Apesar do aumento de 76,5% na captação de vagas para intermediação de emprego em Campo Grande, a procura pelo seguro-desemprego apresentou elevação no primeiro semestre deste ano na Capital, aponta relatório de atendimentos da Fundação Social do Trabalho (Funsat). De janeiro a junho, 7.264 pessoas requisitaram o benefício no serviço municipal, diante de 5.837 no mesmo intervalo de 2017, o que representa avanço de 30,2%.
O total de postos de trabalho ofertados por empregadores campo-grandenses subiu 76,5%: foram, ao todo, 3.169 oportunidades de emprego neste primeiro semestre de 2018, diante de 1.795 no mesmo período do ano passado.
“O ideal seria que o seguro-desemprego não precisasse ser pedido. Porém, há um crescimento, por causa das oscilações e da própria rotatividade do mercado. No primeiro trimestre, em geral, não há muitas demissões por parte das empresas; observamos isso principalmente no segundo e terceiro trimestres”, comentou o diretor-presidente da Funsat, Cleiton Franco.
A análise mês a mês dos requerimentos do seguro-desemprego mostra esse cenário de oscilações. Em janeiro, a Funsat recebeu 908 requisições do benefício; em fevereiro, foram 636; em março, as requisições passaram para 1.049 e, no mês seguinte (abril), saltaram para 2.214. Já em maio, os pedidos recuaram para 1.442, fechando em 1.015 no mês passado.
Em relação à emissão de carteiras de trabalho, o atendimento duplicou de janeiro a junho deste ano no comparativo com o mesmo período de 2017. Foram emitidos 5.837 documentos, diante de 2.681 no primeiro semestre de 2017.
Outros atendimentos
De janeiro a junho deste ano, 10.139 trabalhadores foram encaminhados para o mercado de trabalho em Campo Grande por meio da Funsat, número 45,2% maior que o registrado no mesmo período de 2017. A quantidade de trabalhadores a conseguir colocação em empresas da Capital também teve crescimento (14,7%), passando de 758 para 987, conforme dados contabilizados pela instituição.
De acordo com o diretor-presidente da Funsat, o balanço de atendimentos do primeiro semestre é positivo e confirmado pelos próprios números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em maio, de acordo com os números mais recentes divulgados pelo Ministério do Trabalho, Campo Grande fechou com saldo positivo de 204 empregos. No ano, o resultado é de 1.878 vagas; já no acumulado de 12 meses, o saldo ficou negativo, de -1.312 vagas.
“Campo Grande foi a capital que mais gerou vagas de trabalho no Brasil [em maio], proporcionalmente ao tamanho da cidade”, ressaltou. Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, segundo o representante da Funsat, está o setor de serviços. “Fizemos parceria com uma empresa de call center, que vai disponibilizar 160 vagas por semana. A expectativa deles é de contratar 3 mil pessoas. Também está crescendo a oferta de vagas na construção civil. Tivemos nesse semestre uma única empresa que ofertou 54 vagas, exemplo de que o setor está reagindo.
Uma rede de hamburguerias também abriu 70 vagas, com um detalhe, sem exigir experiência anterior”, exemplificou.
Paralelamente, comentou, o município também aposta na retomada de setores até então bastante afetados pela crise, como o de frigoríficos, além de atuar em outros em que há grande rotatividade de vagas, como o de supermercados, por meio da qualificação. “São indicadores de que as empresas estão acreditando em Campo Grande e também no Estado, o que é importante”, destacou.
Para o segundo semestre, segundo Franco, a meta é buscar novas oportunidades, mas mantendo a oferta de vagas dos setores já existentes. “Temos muitas vagas em serviços domésticos, por exemplo, com pessoas físicas ofertando vagas para domésticas, babás, além de empregadores com vagas para PCD [pessoas com deficiência], entre elas auxiliares para contador, para escritório”, comentou.