Alguns postos de combustíveis de Campo Grande já aumentam o preço do litro do óleo diesel em até 14,7% após divulgação, na sexta-feira, dos novos valores de referência e de comercialização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os preços estavam congelados há três meses. Na região Centro-Oeste, de MS, o diesel vai passar de R$ 2,1055 para R$ R$ 2,4094, alta de 14,4%. O reajuste já está valendo e há estabelecimentos da Capital vendendo o combustível por R$ 3,899 o litro, alta de aproximadamente 15% em comparação ao último relatório semanal da ANP, que apontava cotação média de R$ 3,397 em Campo Grande, na semana de 19 a 25 de agosto.
De acordo com o levantamento realizado pela reportagem do Correio do Estado, que percorreu 15 postos de diferentes regiões da Capital, o preço médio do litro do diesel está R$ 3,602, com valor mínimo de R$ 3,399 e máximo de R$ 3,929, considerando os pagamentos à vista.
Após a publicação da nova tabela da ANP, a Petrobras também emitiu nota informando que o preço médio do óleo diesel nas refinarias da estatal em todo o País está 13,03% mais caro. Com o aumento, o preço do diesel passou de R$ 2,0316 para R$ 2,2964.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes de Mato Grosso do Sul (Sinpetro/MS) posicionou-se sobre os aumentos, reafirmando que o reajuste vai depender de cada posto de combustível e seu estoque. “O mercado é de livre concorrência e depende da situação de cada revendedor, porque, mesmo o revendedor possuindo algum estoque, terá que comprar o produto já com o preço atualizado”, explicou, em nota enviada ao Correio do Estado. “O anúncio da subvenção do diesel em 1º/06/18, acrescido da mudança da alíquota do ICMS de 17% para 12 % pelo governo estadual, trouxe aos nossos postos revendedores bastante otimismo, com crescimento nos primeiros 60 dias em torno de 25% até 40% no volume de comercialização. Quanto ao futuro, temos que esperar para vermos a reação do mercado e a situação de como ficará principalmente os caminhoneiros com relação aos fretes”, complementa a entidade.
CÂMBIO
“Os novos valores refletem os aumentos dos preços internacionais do diesel e do câmbio no último mês”, disse a ANP, em nota. Além do repasse da alta do dólar, o novo valor considera ressarcimento às empresas pelo período em que o desconto não foi suficiente para cobrir a diferença entre o preço tabelado pelo governo e as cotações internacionais.
Desde o dia 23, o desconto vinha sendo insuficiente – na quinta-feira (30), a diferença superou R$ 0,50 por litro. Na sexta (31), com a adoção dos novos preços, voltou a R$ 0,30 por litro. A fórmula atual foi apresentada nesta semana, após alterações a partir de sugestões do mercado – a Petrobras chegou a dizer que a proposta anterior poderia levar ao desabastecimento por inviabilizar importações.
O programa de subvenção dura até o fim do ano ou o esgotamento dos R$ 9,5 bilhões separados pelo governo para bancar o subsídio. A cada 30 dias, o preço de venda pelas refinarias e importadores será revisto.
A Petrobras também anunciou majoração de 1,53% no preço do litro da gasolina nas refinarias, que passará dos R$ R$ 2,1375 para R$ 2,1704. É o valor mais caro desde junho do ano passado.
FECOMBUSTÍVEIS
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) disse sexta-feira, em nota, que a tabela divulgada pela ANP com aumentos diferenciados por região no preço do litro do óleo diesel “compromete o preço [final] do diesel ao consumidor, promovido pelo programa de subvenção, que poderá ser impactado”. E lembra que o congelamento do preço de referência do produto “foi uma decisão do governo”, para encerrar a paralisação dos caminhoneiros. A Fecombustíveis ressalta o fato de que “o mercado é livre, cabendo a cada posto revendedor decidir se vai repassar ou não os aumentos ao consumidor”.
A Abcam, entidade que reúne os motoristas autônomos, também emitiu nota e diz que pretende se reunir com o governo para discutir o aumento do preço do diesel e que “fará o possível para evitar nova paralisação” da categoria.
ORÇAMENTO
Apesar do reajuste no diesel, o valor do subsídio dado a produtores e importadores do combustível deve ser mantido em R$ 0,30 por litro, disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix. “Não há espaço no orçamento da União para colocar mais do que os R$ 9,5 bilhões que foram colocados no programa de subvenção”, disse o secretário-executivo.
(Colaborou Daniella Arruda)