Após anos paradas ou atuando de forma precária, as incubadoras começam novamente a abrir suas portas em Campo Grande. Além de oferecer capacitação a empresários e microempreendedores que estão começando o próprio negócio, incubadoras municipais da Capital vão estender o campo de atuação e funcionar como centros de treinamento para funcionários de empresas que estão instalando ou ampliando empreendimentos em Campo Grande. Na semana passada, a prefeitura reinaugurou duas incubadoras, a Norman Edward Hanson (setor alimentício), localizada no Bairro Santa Emília, e a Mário Covas (vestuário), no bairro de mesmo nome.
O atendimento desta nova demanda de mercado foi divulgado pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Ciência e Tecnologia (Sedesc), Luiz Fernando Buainain, durante a inauguração da primeira sala de apoio a empreendedores, na Incubadora Municipal Mário Covas. O local, que passa a integrar o programa Campo Grande Empreendedora, deve ofertar, num primeiro momento, 110 vagas para cursos de qualificação, solicitados por duas empresas do vestuário.
“Estamos inaugurando a sala Campo Grande Empreendedora e já temos demandas locais. Uma delas é para curso com 10 vagas, para uma empresa de uniformes que já está incubada aqui, a Jovem Uniformes; e temos também a Nilcatex, que fica na saída para Cuiabá e está solicitando 100 novas vagas”, informou o titular da Sedesc.
Ainda conforme o secretário, são três os projetos desenvolvidos nas incubadoras municipais a partir da nova estratégia administrativa para dinamizar os trabalhos dos locais: estímulo ao empreendedorismo, por meio da incubação, em que o empresário tem acesso à estrutura física e assistência, conforme a modalidade; treinamento e capacitação por meio do telecentro e, agora, um posto específico de atendimento ao empreendedor.
De acordo com dados da Sedesc, são 24 telecentros na cidade – quatro funcionando nas incubadoras. Somente na Incubadora Mário Covas, são 35 pessoas frequentando os cursos ofertados. “Esses alunos serão futuros empresários ou colaboradores de empresas. Isso fomenta o mercado, gera renda e melhora arrecadação”, destacou.
Já com a sala do empreendedor, segundo Buainain, o objetivo é dar atenção especial aos empresários e para quem quer se formalizar. “Aqui ele terá informações sobre quais são os tributos; para quem quer vender para a prefeitura, quais são as regras para participar de licitação; como tirar as certidões exigidas, guias de pagamento, emissão de alvará de funcionamento e emissão de nota fiscal. Aos poucos, vamos ampliar os serviços, também com apoio das receitas estadual e federal”, explicou.
EXPECTATIVA
Ivani Marques da Costa Grance, 48 anos, começou em maio na Incubadora Mário Covas, levando o projeto República das Arteiras, fruto de um projeto social com o Instituto de Desenvolvimento Evangélico (IDE). O coletivo conta ainda com a participação de mais duas microempreendedoras individuais – Maria de Fátima Pereira, 65 anos, costureira há 50 anos, e Priscila Manuela Rodrigues, 36 anos, ex-aluna do projeto – e já começa a render os primeiros frutos.
“O desafio é que basicamente o nosso trabalho é para moda autoral: alfaiataria, slow fashion e criadores de moda. Temos uma parceria com o Projeto Princesas, que faz aluguel social de roupas de festa. Como a criação de moda em Campo Grande está crescendo, tem muita procura e também muita mão de obra escondida. A proposta do nosso espaço é mostrar esse passo a passo da produção e a cliente tem a liberdade de vir e acompanhar todo o processo”, afirmou.
Nesses primeiros meses, conforme a empreendedora, já dá para tirar o ganho próprio. “Ainda não chega a um salário mínimo, mas em porcentual a diferença é muito expressiva. O principal é que temos conseguido fazer investimento. Já compramos equipamentos e fizemos manutenção de maquinário”, destacou.
Ainda segundo Ivani, a experiência de participar da incubação tem se mostrado interessante, primeiramente, por conta do espaço, com toda a malha elétrica disponibilizada, que seria muito cara para ser adquirida por conta própria. A taxa cobrada pela incubação também está compatível com as condições das empreendedoras do coletivo, para quem está em início de negócio. “Com a sala do empreendedor, então, ficou ainda melhor. A gente que é microempreendedor não pode ficar saindo do local de trabalho porque, senão, perde produção, e 80% das demandas são resolvidas aqui mesmo, no próprio local”, completou.